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15.7.07

Vítima do ricochete dos seus "tiros moralistas"

Ressalvando algum efeito distorsor das abstenções, Negrão dificilmente atingirá os 20%, com Carmona muito perto ou eventualmente a ultrapassá-lo. A derrota será sobretudo de Marques Mendes, que hoje terá o retorno da postura partidocrática e do moralismo fátuo que adoptou nas últimas autárquicas. Postura essa muito aplaudida na altura pelo mainstream, quando interveio directamente na selecção de candidatos (Carmona foi uma escolha pessoal sua) ou na recusa de outros (Isaltino e Valentim), aqui à revelia das estruturas locais do seu partido. O centralismo serôdio e a presunção arrogante de definir o que é melhor para os outros iriam, tarde ou cedo, atingi-lo.

Tivesse ele a noção da separação de poderes, abdicasse de antecipar juízos que competem ao foro judicial e tivesse dado completa liberdade de escolha às estruturas locais - com a inerente responsabilização - e não teria hoje meio PSD a afiar as espadas para a sua degola.

Adenda: sobre a divisão de poderes entre escalões central e local, leia-se esta posta do Rui.

6.5.07

Europa das Nações

Presidente da região de Poitou-Charentes perde eleições francesas.

Europa das regiões

Alberto João Jardim esmaga adversários.

Nacionalistas escoceses, pró-independentistas, ganham na Escócia.

11.4.07

Planeamento Centralizado

Em Portugal, um ministro manda fechar uma escola e as pessoas aplaudem. O ministro avaliou e decidiu que os cidadãos não devem poder adquirir produtos daquela qualidade. É irrelevante saber que há quem esteja interessados em pagar por aquele serviço - os clientes não sabem nada e é importante protegê-los. Se o ministro não gosta, fecha. Fez mal. Não se faz isto a uma escola tão prestigiada, que até já formou primeiros ministros e administradores de bancos.

7.4.07

A OTA vista do Porto (Notícia JN)

Desconfiança total a Norte

Hugo Silva

Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, é radical fala de um eventual "assassinato" do aeroporto Francisco Sá Carneiro. Menos contundente, mas na mesma linha de raciocínio, Rui Rio, presidente da Junta Metropolitana do Porto , considera que a aerogare internacional nortenha está a ser esquecida na "equação global" da estratégia aeroportuária nacional. Rio Fernandes, geógrafo, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, teme que a restruturação da ANA, associada ao novo aeroporto de Lisboa, implique uma centralização empresarial susceptível de prejudicar o aeroporto Francisco Sá Carneiro.


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O projecto da Ota levanta muitas dúvidas. A Norte, ainda mais. Adensa-se a preocupação com futuro do aeroporto Sá Carneiro, que usufruiu de obras de ampliação avaliadas em mais de 300 milhões de euros. "É um equipamento que, agora, nos orgulha a todos e está a ser esquecido na equação global. Fala-se da Ota como se fosse o único aeroporto do país", alerta Rui Rio.

O também presidente da Câmara do Porto "estranha" o que considera ser o "excessivo empenhamento pessoal" do ministro Mário Lino no projecto e não resiste a fazer a comparação com as inúmeras reticências do governante quanto às novas linhas do Metro do Porto. "Estamos a falar de investimentos que, no total, custam 400 milhões de euros, enquanto a Ota está avaliada em três mil milhões", contabiliza.

"Uma parte significativa dos fundos de coesão do QREN serão desviados para a Ota. Mas é preciso ter em atenção que esses fundos só vêm para Portugal porque há três regiões que divergem profundamente da média europeia. Não é razoável pegar nesses fundos e aplicar num projecto realizado na região mais rica do país", atenta Rui Moreira.

"O Governo determinou que a privatização da ANA e o processo da Ota decorrerão em simultâneo. Isso significa que quem ficar com a Ota ficará com o aeroporto Francisco Sá Carneiro. Numa empresa privada, a perspectiva será de economia de custos e, assim, a tendência será para centralizar as actividades na Ota. Só depois se olhará para o aeroporto de Sá Carneiro", analisa ainda.

A preocupação é partilhada por Rio Fernandes. Até porque o professor faz uma "avaliação positiva" da gestão recente do aeroporto. Ainda que "a região não promova o equipamento". Por outro lado, sustenta que o que é "preciso é uma companhia aérea nacional que pense verdadeiramente nos interesses nacionais e que pense no 'Sá Carneiro' como o grande aeroporto do Noroeste peninsular".

Sobre a Ota, Rio Fernandes admite ainda não estar "rendido à ideia de não existir uma alternativa mais barata" para o novo aeroporto de Lisboa.

4.4.07

Centralização

O Estado prepara-se para assumir o controle da empresa Metro do Porto, onde, até agora, a maioria do capital está nas mãos das autarquias servidas por aquele sistema de transporte público.


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A justificação apresentada, entre outras coisas menores, será a de que o estado central é o principal financiador da obra. Argumento que não colhe de todo, pois que se assim fosse, os bancos assumiriam no dia a dia a gestão da quase totalidade das empresas portuguesas.

Trata-se efectivamente de uma questão política, de puro desejo de controle político central.
É certo que a empresa deu pretextos para tal reenvidicação, com algumas obras ilegais e totalmente despropositadas - verdadeiros favores prestados a alguns dos seus accionistas - como sejam as eufemisticamente designadas «obras de arranjos urbanísticos» (ver o desastre perpetrado no centro da cidade do Porto, como máximo exemplo). Ou a possidónia questão de os administradores serem simultaneamente os detentores de cargos públicos, quando o natural seria que fossem uns seus representantes.

Ora, as empresas de transportes públicos de carácter local ou regional - quando públicas - deveriam ser pertença e geridas pelos seus principais interessados, como sejam as populações locais, representadas pelas suas autarquias. Deveria ser o caso do Metro do Porto, dos STCP, do Metro de Lisboa e da Carris, para apenas mencionar as empresas de maior dimensão.
De todas elas, apenas a primeira se mantêm actualmente na posse das autarquias. Mas julgo da máxima conveniência que assim se mantenha e que as demais igualmente fossem transformadas em empresas municipais/intermunicipais. Dessa forma, e como convém, os clientes/utilizadores poderiam mais facilmente solicitar responsabilidades a quem lhes presta um serviço. De igual modo, poderia ser o esforço financeiro que as mesmas representam, melhor e mais directamente repercutido por quem delas beneficia. E não, como actualmente, ser em grande parte suportado por todos os impostados do país, sejam ou não utilizadores de tais serviços.

Se porventura os autarcas da região servida pelo Metro do Porto cederem e aceitarem entregar a propriedade e gestão da empresa ao Estado central, não apenas será o assumir de uma grande derrota no plano político, como perderão qualquer hipótese de futuro controle ou influência sobre os destinos, objectivos, percursos, qualidade do serviço, financiamento e orçamento da mesma. O que sempre será uma grave perda para os cidadãos da região. Perder-se-á igualmente qualquer argumento que se tivesse o propósito de invocar para reinvidicar a passagem de maiores responsabilidades e atribuições do Estado central para as autarquias ou regiões. A concretizar-se o presente propósito, significará um recuo de dezenas de anos que, todos nós, pagaremos muito caro.

1.4.07

Dos aeroportos:

Recebi e divulgo uma missiva produzida por alguns portuenses preocupados com o futuro do aeroporto de Pedras Rubras:###


Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Junta Metropolitana do Porto

Assunto: Aeroporto Francisco Sá Carneiro


Excelentíssimo Senhor,

É Vossa Excelência o Presidente da Junta Metropolitana do Porto.

Sem embargo de todas as dificuldades criadas pelo Estado Central, essa Junta já deu provas irrefutáveis e assinaláveis de capacidade realizadora de equipamentos de grande interesse para as populações. As empresas da Lipor e do Metro do Porto atestam, e de que maneira, aquela capacidade, justificando plenamente que “os dinheiros públicos são melhor utilizados e com mais cuidado” por entidades mais próximas dos cidadãos. Esfumam-se assim os fantasmas, sempre agitados pelos centralistas, que a constituição e autonomização de um escalão de poder político intermédio geraria, empolando-se para o efeito os pecadilhos e os maus exemplos de alguns autarcas, que se assume constituírem a regra. Por seu lado, os malefícios da omnipresença de um poder centralizado paralisam-nos cada vez mais, não apenas na vertente económica, mas também em quase todos os aspectos da vida quotidiana. De tal forma que, hoje nos confrontamos perante um autêntico paradoxo da dependência centralista: mesmo aqueles que defendem um regime mais descentralizado, limitam-se, porque impotentes, ao queixume e à súplica humilhante ao Estado Central, para que o crie por decreto…

Entendemos que o caminho se faz caminhando e que um processo de verdadeira descentralização só será eficaz se construído de baixo para cima, numa estratégia de pequenos passos que se vão consolidando e na certeza de que o poder jamais se obtém por dádiva, mas através da perseverança e espírito de conquista. E é um pequeno passo que vimos propor a Vossa Excelência, na qualidade de Presidente da Junta Metropolitana do Porto.

Entendem ainda os signatários, que a decisão dos investimentos no aeroporto da Ota e na rede de alta velocidade ferroviária, já deveria há muito ter sido sujeita a referendo nacional. Sempre tivemos e temos sérias dúvidas quanto à necessidade de tão gigantescas estruturas; sempre tivemos e temos a certeza de que o País não comporta tamanho dispêndio de recursos. A autêntica trapalhada em que o Governo se meteu e que agora irrompe com escândalo, acaba por confirmar a justeza da nossa posição.

Do que não temos dúvidas, no entanto, é do enormíssimo interesse metropolitano e regional do Aeroporto Sá Carneiro. Constitui esta estrutura um dos principais equipamentos de serviço público da Região Norte e que contribui, juntamente com os seus congéneres de Lisboa e de Faro, para que Portugal seja dos países mais bem servidos de transporte aéreo: com efeito, qualquer português que resida no continente, está a menos de 200 km de um aeroporto internacional e a não mais de uma escala dos principais destinos intercontinentais. Propicia ainda o Aeroporto Sá Carneiro inequívocas vantagens e serviços à região em que se insere, designadamente:

· Importante impacto económico na região, seja em termos da criação de empregos qualificados, seja pela fluidez de fluxos turísticos e de mercadorias. A este propósito, deve recordar-se que a Região norte é a que apresenta o menor rendimento per capita (79% da média nacional, segundo dados de 2005) e onde a taxa de desemprego assume o valor máximo (8,8%, também dados de 2005)

· Superior qualidade da infra-estrutura, que lhe permite prestar um serviço ao nível da excelência, tendo sido recentemente distinguido como o 3º melhor aeroporto da Europa;

· Elevada conveniência para os utilizadores da Região Norte e da Galiza, pela sua proximidade e pelas ligações directas aos principais hubs europeus e a outros importantes destinos turísticos e de negócios;

· Capacidade disponível para acomodar o crescimento previsto para os próximos 4/5 anos, com possibilidades de expansão para 15 milhões de passageiros/ano, o triplo da capacidade actual;

· Potencial de crescimento na sua área de influência, estimada em cerca de 4,5 milhões de pessoas (isócronas a 2 horas), superior em mais de um milhão à área equivalente do aeroporto de Lisboa;

Ora, este equipamento não pode ficar em causa com qualquer desenvolvimento que venha a ser dado à “trapalhada da Ota”. Mas terá o seu futuro irremediavelmente comprometido se todos aqueles aeroportos continuarem a ser geridos pela mesma entidade, a ANA, que tenderá a subordinar os interesses de Porto e Faro ao sucesso comercial da Ota. A este se subordinarão também os interesses e conveniência dos utilizadores do transporte aéreo, que sentirão de forma generalizada uma degradação do nível serviço: desde logo os habitantes de Lisboa que perderão a conveniência de um aeroporto próximo, mas sobretudo os habitantes nas áreas de influência dos outros aeroportos, que perderão grande parte dos voos directos de que anteriormente beneficiavam e se verão obrigados ao incómodo transbordo na Ota.

Daí o nosso apelo à Junta Metropolitana do Porto que justifica esta missiva: que, independentemente do investimento na Ota, reivindique desde já a passagem para a esfera regional da propriedade e gestão do aeroporto Sá Carneiro. Esta, poderia ser exercida directamente por si ou, idealmente, pela concessão por concurso a uma entidade especializada que, no seu próprio interesse, promoveria eficazmente a estrutura aquém e além fronteiras com vista a maximizar a respectiva rendibilidade. Isto representará:

· Para a JMP a assumpção de um aliciante desafio e concomitante responsabilidade pelo futuro de um equipamento vital para a economia da região;

· Para a ANA, a libertação do “fardo” de um aeroporto supostamente deficitário.

· Para o País, o início de uma efectiva concorrência entre aeroportos, a forma garantidamente mais eficaz de gerar valor para os seus Clientes.

Estamos certos que o gradualismo e o sucesso dos “pequenos passos” como o proposto, representará um salto na reforma e credibilidade do sistema político e no desenvolvimento mais harmonioso do País. Não haverá desculpas para qualquer passividade, por mais que se tente justificá-la com a rigidez normativa e burocrática existente. Na defesa dos interesses que representa, tem Vossa Excelência a obrigação e a plena legitimidade para dar este pequeno/grande passo. Assim se poderá dizer que a descentralização se faz mais eficazmente com actos e factos do que com discursos.

Porto, 27 de Março de 2007

Carlos Brito

Paulo Morais

José Freire Antunes

Rui Moreira

Luís Rocha
Miguel Leão

Pires Veloso

João Miranda

Joaquim Vianez

Moreira da Silva

José Puig

António Tavares

Delfim Rodrigues

Fernando Ribeiro


Foi criada uma petição, a qual poderá ser assinada aqui.

29.3.07

A OTA é essencialmente uma questão política IV

As grandes obras são uma componente de uma determinada perspectiva política. De acordo com esta perspectiva, o governo tem como função dirigir a economia e estimular o investimento. Desta forma, as grandes obras públicas servem para estimular a economia privada e para criar emprego. A opção por um grande aeroporto promovido pelo estado é também a opção pelo modelo de desenvolvimento que tão bons resultados deu no passado com Sines, com a barragem do Alqueva, com o Centro Cultural de Belém, com a Expo e com os estádios do Euro 2004. E como faltam 2 anos para as eleições, um grande projecto que estimule a economia e que gere emprego artificial vem mesmo a calhar. A curto prazo, o que está em causa na OTA não é tanto o interesse nacional mas sobretudo o interesse do PS em ganhar as próximas eleições, nem que para isso seja necessário desperdiçar grandes quantidades de dinheiro público para gerar emprego com um choque de terraplanagem. Infelizmente para o PS, os problemas mais graves de desemprego são um pouco mais a Norte e serão agravados com mais um projecto que aumenta artificialmente as assimetrias regionais.

28.3.07

A OTA é essencialmente uma questão política III

População residente nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Porto, Aveiro e Viseu: 4 milhões e 300 mil

População residente na Galiza: 2 milhões e 750 mil

População residente nas províncias Sul da Galiza (Ponte Vedra e Ourense): 1 milhão e 260 mil

População residente em Coimbra e Guarda: 600 mil

A OTA é essencialmente uma questão política II

Decidir criar um aeroporto como a Ota a 50 Km do principal centro urbano mais próximo é equivalente a decidir a criação de uma nova cidade. A OTA, por ter a melhor combinação preço/tempo de viagem, será o centro urbano português mais próximo dos principais centros económicos mundiais. Será um pólo de desenvolvimento que canibalizará todas as cidades concorrentes. Por isso, a opção por um novo aeroporto não é apenas uma opção por uma solução técnica para o problema da Portela, é uma opção política que determinará vencedores e perdedores e que determinará movimentos demográficos colossais no interior do país. Alegar que há interesse nacional em tal projecto é o mesmo que alegar que desertificar o centro de Lisboa ou desertificar o Norte do país é um desígnio nacional. Até porque essas serão as consequências da construção de um grande aeroporto a 50 km do centro da área metropolitana de Lisboa.

A OTA é essencialmente uma questão política

Só para começar, a opção entre OTA e Rio Frio é a opção entre duas alternativas de desenvolvimento da Região de Lisboa. A OTA favorece o desenvolvimento na direcção norte favorecendo Santarém, Coimbra e Leiria. Rio Frio favorece o desenvolvimento na direcção Sul favorecendo a margens Sul, Setúbal e Évora. Uma opção tem determinados perdedores e vencedores, a outra tem outros. Fingir que o que está em causa é o interesse nacional e que a questão é puramente técnica é apenas uma forma de atingir objectivos políticos sem dar muito nas vistas.

13.3.07

Receios centralistas

A ser verdadeiro o conteúdo deste artigo, é bem elucidativo dos fantasmas que povoam as mentes centralistas. O sub-título diz tudo:
Solbes cede ante el Gobierno portugués, interesado en no alentar el autonomismo de Oporto.
Será que a nossa imprensa não sabe disto?...