No calor da noite eleitoral de ontem, em que sucediam as mais diversas tragédias pessoais e políticas, um dos nossos mais estimados comentadores-residentes, o «Anti-Comuna», anunciou o abandono da sua actividade no Blasfémias. A coisa ocorreu um pouco depois da demissão de Paulo Portas, o que, segundo alguns opinion-makers, não terá sido uma mera coincidência...
Seja como for, é bom que este exílio auto-infligido termine quanto antes. O Blasfémias é uma enorme família cristã, da qual os comentadores-residentes são parte essencial, se calhar bem mais importante que os próprios bloggers. Entre eles, o «Anti-Comuna» é uma figura especial, verdadeiramente carismática e imprescindível.
Por isso, proponho que se proceda a um abaixo-assinado blogosférico, para exigir o regresso do cidadão, que, provavelmente, se terá ausentado para Badajoz, com justo receio damaré vermelha que ontem inundou o solo pátrio. Volta «Anti-Comuna», que juntos somos poucos para enfrentar os ventos de leste!
21.2.05
Liberalismo para iniciados
Dado que vários leitores mostraram interesse em perceber o que é isso do liberalismo, e dado que não posso neste momento responder a todas as dúvidas levantadas, recomendo o texto Liberalism de Hayek.
O direito de votar mal
Alguns leitores confundem o direito de votar, que é um direito democrático e liberal indiscutível, com sabedoria. O direito de votar inclui o direito de votar enganado, e num sistema iliberal em que o poder do estado não está limitado, inclui o direito de votar pelo interesse próprio contra aquilo que poderia ser considerado o bem geral. Como a maior parte dos eleitores estabelece um nexo de causalidade entre a acção presente do governo e o estado actual da economia, devemos esperar que a maior parte dos eleitores vote enganada. Num país em que o maior partido é o partido dos dependentes do estado, devemos esperar que só raramente é que a maioria dos eleitores vote contra os seus interesses de curto prazo.
A crítica aos eleitores é perfeitamente legítima, porque uma coisa é o direito ao voto, outra bem diferente é a infalibilidade do eleitorado.
A crítica aos eleitores é perfeitamente legítima, porque uma coisa é o direito ao voto, outra bem diferente é a infalibilidade do eleitorado.
Incertezas
Antes, podiamos confiar que os resultados das sondagens da última sexta-feira de campanha não seriam aqueles, pois nunca acertaram nos resultados finais. Daqui para a frente foi introduzido um factor de incerteza, porque acertaram.
O preço do voto - desafio aos partidos
Cada um dos partidos que elegeu ontem deputados para o parlamento poderá receber, por cada voto obtido, a módica quantia de 2,71 euros (1/135 do salário mínimo nacional) por ano, de acordo com a lei de financiamento dos partidos.
Qualquer coisa próxima dos 15 milhões de euros/ano, que saem directamente do Orçamento de Estado para os cofres partidários. Uma das consequências da diminuição da abstenção (mais 280.000 votos do que em 2002) é o aumento, em 150.000 contos, das subvenções públicas aos partidos.
Aquela subvenção é devida também aos partidos que, mesmo sem elegerem nenhum deputado, tenham obtido pelo menos 50.000 votos. Nenhum dos pequenos partidos atingiu esse limiar. O PCTP/MRPP poderia atingi-lo se conseguisse 2255 votos nos círculos que faltam apurar (Europa e fora da Europa), o que lhe daria direito a um subsídio de mais de euros 11.000 por mês. O mesmo se diga do PND, de Manuel Monteiro, que certamente também não desdenharia aquele apoio financeiro. Mas ficou a mais de 10.000 votos de o conseguir.
O Desafio aos partidos é este:
A subvenção referida é concedida aos partidos desde que a requeiram ao Presidente da Assembleia da República (artigo 5.º, n.º 1 da Lei de Financiamento).
Dada a crise económica que o país atravessa, os líderes partidários são convidados a esclarecer se vão dispensar (basta não a requererem) aquela subvenção.
Se nenhum o fizer, abro desde já as incrições para um movimento cívico que reclame o pagamento da subvenção correspondente aos votos brancos e nulos, a distribuir por instituições de caridade social: estamos a falar de 450.000 euros/ano.
Alguém alinha?
Qualquer coisa próxima dos 15 milhões de euros/ano, que saem directamente do Orçamento de Estado para os cofres partidários. Uma das consequências da diminuição da abstenção (mais 280.000 votos do que em 2002) é o aumento, em 150.000 contos, das subvenções públicas aos partidos.
Aquela subvenção é devida também aos partidos que, mesmo sem elegerem nenhum deputado, tenham obtido pelo menos 50.000 votos. Nenhum dos pequenos partidos atingiu esse limiar. O PCTP/MRPP poderia atingi-lo se conseguisse 2255 votos nos círculos que faltam apurar (Europa e fora da Europa), o que lhe daria direito a um subsídio de mais de euros 11.000 por mês. O mesmo se diga do PND, de Manuel Monteiro, que certamente também não desdenharia aquele apoio financeiro. Mas ficou a mais de 10.000 votos de o conseguir.
O Desafio aos partidos é este:
A subvenção referida é concedida aos partidos desde que a requeiram ao Presidente da Assembleia da República (artigo 5.º, n.º 1 da Lei de Financiamento).
Dada a crise económica que o país atravessa, os líderes partidários são convidados a esclarecer se vão dispensar (basta não a requererem) aquela subvenção.
Se nenhum o fizer, abro desde já as incrições para um movimento cívico que reclame o pagamento da subvenção correspondente aos votos brancos e nulos, a distribuir por instituições de caridade social: estamos a falar de 450.000 euros/ano.
Alguém alinha?
Rescaldo - o outro vencedor da noite
O futuro primeiro Ministro começou a campanha a falar do choque tecnológico, que passou depois a plano tecnológico e terminou, na (fraca) declaração de vitória no "mil estágios para recém-licenciados".
Depois de todas as dificuldades que o ainda governo teve com a informática (recordem-se os casos paradigmáticos do concurso de colocação de professores e do sistema informático da máquina fiscal), foi consolador ver a forma exemplar como funcionou a divulgação on-line dos resultados.
O Ministério da Justiça, numa realização conjunta do STAPE/ITIJ (Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral/Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça), criou três servidores dedicados onde, sem "bloqueios" ou dificuldades de acesso, disponibilizou em tempo real os resultados freguesia a freguesia, concelho a concelho e distrito a distrito, com quadros comparativos para todos os gostos que permitiram o acompanhamento da contagem de votos ao mesmo tempo que as televisões e rádios (a informação a que estes tinham acesso foi exactamente a mesma que todos os outros cidadãos ligados à rede).
O(s) site(s) em causa continha até uma página dedicada às crianças, onde se explica o que é a Democracia e para que servem as eleições (que teria sido muito útil a alguns comentadores e repórteres).
Depois de ter usado e abusado da informação ali disponibilizada na cobertura blasfema da noite de ontem, aqui fica o meu obrigado.
Nota: O Eng. Sócrates voltou ontem a afirmar que os "1000 estágios para recém licenciados visam combater o desemprego juvenil". Serão os 1000 estágios destinados apenas aos "juvenis" sobredotados, que terminaram as suas licenciaturas com idade para integrarem a selecção de sub-18?
Depois de todas as dificuldades que o ainda governo teve com a informática (recordem-se os casos paradigmáticos do concurso de colocação de professores e do sistema informático da máquina fiscal), foi consolador ver a forma exemplar como funcionou a divulgação on-line dos resultados.
O Ministério da Justiça, numa realização conjunta do STAPE/ITIJ (Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral/Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça), criou três servidores dedicados onde, sem "bloqueios" ou dificuldades de acesso, disponibilizou em tempo real os resultados freguesia a freguesia, concelho a concelho e distrito a distrito, com quadros comparativos para todos os gostos que permitiram o acompanhamento da contagem de votos ao mesmo tempo que as televisões e rádios (a informação a que estes tinham acesso foi exactamente a mesma que todos os outros cidadãos ligados à rede).
O(s) site(s) em causa continha até uma página dedicada às crianças, onde se explica o que é a Democracia e para que servem as eleições (que teria sido muito útil a alguns comentadores e repórteres).
Depois de ter usado e abusado da informação ali disponibilizada na cobertura blasfema da noite de ontem, aqui fica o meu obrigado.
Nota: O Eng. Sócrates voltou ontem a afirmar que os "1000 estágios para recém licenciados visam combater o desemprego juvenil". Serão os 1000 estágios destinados apenas aos "juvenis" sobredotados, que terminaram as suas licenciaturas com idade para integrarem a selecção de sub-18?
Santana, o bode expiatório
Os membros do PSD poderão cair na tentação de responsabilizar Santana Lopes pela derrota de ontem. Têm bons motivos para isso pois muitos estão a lutar exclusivamente pelo poder. Mas quem está a tentar perceber o que se está a passar não pode ser tão simplista.
Existem dois factos importantes que contrariam a teoria da responsabilidade exclusiva de Santana. Em primeiro lugar, o resultado eleitoral da direita foi superior ao das eleições europeias. Em segundo lugar, o PP, que fez uma campanha em procurou vender todas as qualidades que Santana não tem, também perdeu quota eleitoral. Não perdeu tanta como o PSD, mas perdeu.
A derrota teve as dimensões que teve porque Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso geriram mal o ciclo económico e abdicaram de fazer reformas e porque o eleitorado não está disposto a suportar medidas difíceis.
Existem dois factos importantes que contrariam a teoria da responsabilidade exclusiva de Santana. Em primeiro lugar, o resultado eleitoral da direita foi superior ao das eleições europeias. Em segundo lugar, o PP, que fez uma campanha em procurou vender todas as qualidades que Santana não tem, também perdeu quota eleitoral. Não perdeu tanta como o PSD, mas perdeu.
A derrota teve as dimensões que teve porque Manuela Ferreira Leite e Durão Barroso geriram mal o ciclo económico e abdicaram de fazer reformas e porque o eleitorado não está disposto a suportar medidas difíceis.
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