26.1.08
25.1.08
Despejados
Convém acrecentar que o Blasfémias se mudou para um espaço ainda em construção. A mudança foi feita antes da outra casa estar acabada porque este senhorio, Mr. Blogger, expulsou-nos. Desde 5 de Janeiro que nos fechou a cadeado a porta de entrada, com a acusação de práticas menos próprias na casa. Em 21 dias não aconteceu rigorosamente nada e não respondou às nossas solicitações para reaberura das portas. (O Sr. Blogger não é humano. É um robot.) Como sempre prégamos, quem está mal muda-se. Bye-bye blogger.
24.1.08
Ó valha-me Deus!
Absolutamente imprescindível ler esta sintomática peça do Correio da Manhã que relata a crua realidade das emergências médicas no nosso País. A conversa entre a operadora do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) os bombeiros e médicos mostra bem como os encerramentos das Urgências e os planos alternativos do ministro da Saúde podem estar perfeitos nos papeis, nos gráficos e nos números (e não acredito que estejam!) mas chocam flagrantemente com os factos. Seria cómico, sim, mas enquanto lerem essa miséria não se esqueçam que um homem de uma aldeia perto de Alijó acabaria por falecer. O ministro e os serviços dele hierarquicamente dependentes juram que estava escrito nas estrelas. Talvez não.
(O: – Obviamente é para lá ir a ambulância para iniciar suporte básico de vida. Se estiver em paragem. Digo eu.
BF: – Olhe, mas arranco para lá eu?
O: – ... (risos).
BF: – Estou?
O: – Peço desculpa. Eu estou a falar com uma corporação de bombeiros, não estou?
BF: – Está sim. Mas estou a atender o telemóvel.
O: – Então eu estou a dar-lhe uma saída, e pergunta-me a mim o que vai fazer? Nunca tal me aconteceu.
BF: – Desculpe lá, desculpe lá.)
Clique aqui: http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=274939&idselect=10&idCanal=10&p=200
CAA
Dois anos de Cavaco
Cavaco Silva tem balançado numa dupla interpretação do seu papel presidencial.
Há um Cavaco categórico, à vontade na sua antiga imagem de marca, que exige resultados, que não aceita a versão original do Estatuto dos Jornalistas e que faz travão no despautério da Ota.
Depois, noutros momentos, desponta uma memória de exercício presidencial com excessivo lastro entre nós: o Presidente cúmplice passivo do Governo, que se dissipa em Roteiros inócuos e em louvores ao Executivo.
O Presidente da primeira versão forçou o ministro da Saúde a dar explicações que não convenceram ninguém. O da segunda variante, perante o inconformismo popular, apareceu a pedir "serenidade" – no seu sentido bovino, esta é a virtude passiva dos que só assistem mas nunca interferem. Um apelo com infelizes colorações 'sampaístas' já que o ex-presidente passou 10 anos a repeti-lo enquanto Portugal se afundava.
Correio da Manhã, 23.I.2008
(http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=274753&idselect=93&idCanal=93&p=200)
CAA
Crash
Vamos supor que o banco central imprime notas e as empresta a juros baixos a meia dúzia de grandes clientes (bancos).
Como há mais notas em circulação, o dinheiro deveria passar a valer menos. No entanto, os agentes económicos não actualizam imediatamente o valor que atribuem ao dinheiro. Diferentes agentes actualizarão a sua percepção do valor do dinheiro a ritmos diferentes.
Os grandes clientes têm uma vantagem comparativa: são os primeiros a receber o dinheiro e podem gastá-lo antes que os restantes agentes económicos actualizem o valor do dinheiro.
Os grandes clientes podem aproveitar a sua vantagem comparativa de duas formas:
1. Investir na produção de bens e serviços
2. Trocar o dinheiro por algo que funcione como reserva de valor
A opção 1 demora tempo a gerar retorno o que faz com que se perca a vantagem competitiva inicial. A opção 2 pode ser realizada imediatamente.
Logo, os grandes clientes do banco central (e os clientes destes) tenderão a investir em tudo o que possa servir como reserva de valor e que possa ser comprado rapidamente: ouro, petróleo, imobiliário e acções.
O fluxo permanente de dinheiro fresco gerará compras permanentes dos mesmos activos (ouro, petróleo, imobiliário e acções). Mais dinheiro para os mesmos activos implica inflação (que não é detectável nos preços ao consumidor). O preço do ouro, petróleo, imobiliário e acções cresce de forma mais ou menos previsível o que atrai especuladores. A entrada de especuladores gera um processo de crescimento de preços que se realimenta a si mesmo. Os preços cresces porque todos acreditam que vão crescer. Temos uma bolha.
A bolha rebenta quando o banco central sobe as taxas. O banco central tem que subir as taxas antes que a entrada de dinheiro comece a gerar inflação no consumidor.
A probabilidade de a bolha rebentar não dissuade a especulação. A especulação é racional desde que os ganhos compensem o risco de a bolha rebentar.
Na verdade o banco central não tem meios para saber qual é o valor correcto das taxas. Por isso, tanto pode estar a errar quando as baixa como quando as sobe. Ninguém sabe.
Quando a bolha rebenta, a pressão política sobre os bancos centrais leva-os a voltar a baixar as taxas. A bolha volta a encher.
Solução socialista para este problema: maior controlo político sobre os bancos centrais. Resultado previsível: períodos mais longos com taxas baixas e bolhas maiores.
23.1.08
Heath Ledger está no inferno
Diz o site brasileiro 'Última Hora News':
«Em anúncio divulgado pela Igreja Batista de Westboro na manhã desta quarta-feira, o reverendo Fred Phelphs, criador da comunidade 'Deus odeia Bichas', em tradução literal, disse que o ator Heath Ledger está no "inferno"».
(http://www.ultimahoranews.com/not_ler.asp?codigo=69917)
CAA
Arquivamento
«Foi arquivado o Inquérito n.º 28/07.0TELSB relativo à queixa intentada pelo cidadão José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa e primeiro ministro enquanto tal contra mim, António Balbino Caldeira (...) O motivo da "queixa do cidadão José Sócrates e primeiro-ministro enquanto tal", que finalmente posso revelar, foi a minha referência ao "centro governamental de comando e controlo dos media" no post "Rasganço domingueiro" em 7-4-2007 (...) e a questão do MBA curso/grau.
O Ministério Público arquivou e mandou notificar o cidadão José Sócrates e primeiro-ministro para deduzir, se o entendesse, no prazo indicado, acusação particular. José Sócrates não deduziu acusação particular contra mim e o Ministério Público determinou o arquivamento dos autos.»
No portugalprofundo@blogspot.com
CAA
Azar o nosso
José Sócrates qualificou de "politiquice" a relação entre a morte de dois bebés e a decisão governamental de fechar vários serviços de Saúde. Correia de Campos já tinha falado em falta de "ética".
Esta atitude oscila entre a táctica que ensina que 'a melhor defesa é o ataque' e o exercício desenfreado da 'fuga para a frente'.
Já se percebeu que os encerramentos na Saúde não obedecem aos critérios técnicos que o ministro apregoou e logo denegou. As alternativas estão a funcionar mal e a retórica do Governo só é corroborada pelos organismos dele dependentes. Uma relação causal entre uma reforma aparentemente atabalhoada e aquelas duas desgraças era previsível. Tal como a resposta governamental que tresanda a estudada.
Medeiros Ferreira, ontem, nesta coluna, com a sua elegância superior, disse que o ministro "anda com falta de sorte" – infelizmente, o azar é de todos nós.
Correio da Manhã, 21.I.2008
(http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=274550&idselect=239&idCanal=239&p=93)
CAA
Proposta
Actualmente os bancos centrais têm como target uma inflação à volta dos 2%. Este target resulta de um progresso: desde que os bancos centrais se tornaram independentes têm como função zelar pela estabilidade do valor do dineheiro. Não falta quem, à esquerda e à direita, queira que os bancos centrais voltem a ter como target os interesses de curto prazo dos políticos. Neste contexto, os liberais deveriam propor que os bancos centrais devem ter como target não apenas a inflação medida com base nos preços ao consumidor, mas também a inflação medida com base nos preços das matérias primas, imobiliário e determinados bens de capital. Se esta proposta for cuidadosamente embrulhada ninguém vai reparar que o que se está a propor é a reintrodução do padrão ouro.
22.1.08
A leitura desta posta de Vital Moreira, que subscrevo inteiramente quanto à proposta, apesar de desconfiado dos pressupostos.
Ao contrário da nossa Constituição, a Convenção Europeia dos Direitos do Homem (CEDH) não proibe expressamente a discriminação em função da orientação sexual.
Não obstante, O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) decidiu, num acórdão proferido hoje, que a França violou o artigo 14.º da CEDH, ao impedir uma lésbica de adoptar uma criança. O pedido de adopção fora formulado por uma mulher (a lei francesa permite a adopção por uma só pessoa), que indicou a sua orientação sexual e a relação que mantinha com outra mulher, alheia ao processo de adopção. O processo seguiu até ao Conseil d' État francês (equivalente ao nosso Supremo Tribunal Administrativo, na estranha jurisdição administrativa gaulesa), que decidiu que «having regard to her lifestyle and despite her undoubted personal qualities and aptitude for bringing up children, [a interessada] did not provide the requisite safeguards – from a family, child-rearing and psychological perspective – for adopting a child”».
Por outras palavras, o afastamento expresso de uma figura parental (no caso) levou a mais alta instância judicial francesa a considerar fundamentada a recusa do pedido de adopção.
O TEDH não concordou. Sem defender expressamente a adopção por homossexuais (no plural, i.e, por um casal homossexual), o TEDH entendeu, numa votação renhida, que viola a Convenção impedir-se alguém de adoptar pelo facto de ser homossexual (e pretender inserir a criança adoptada num agregado familiar deste tipo).
### Não é a primeira vez que o TEDH considera que a discriminação em função da orientação sexual viola a CEDH. Fizera-o já, em 1999, num processo movido contra o Estado Português. É a primeira vez, porém, que o faz num contexto de adopção, tomando uma posição razoavelmente clara na discussão que se depreende das informações transcritas no acórdão sobre as várias decisões das autoridades administrativas e judiciais francesas: um contexto familiar homossexual, em que a figura parental (ou maternal) está completamente arredada, é, no entender do TEDH, compatível com a adopção. O entendimento contrário (e não falta quem o defenda) é, ainda no entender do TEDH, ofensivo do artigo 14.º da CEDH.
Gestão das expectativas
Ontem o Engº Sócrates andou a fazer aquilo que se chama a gestão das expectativas. A ideia é um bocado infantil, mas faz parte da cultura política portuguesa. Acredita-se que se o Primeiro-Ministro disser que a economia vai bem, então os agentes económicos investem e produzem e a economia ficará mesmo bem. A gestão das expectativas já em si mesmo uma ideia estúpida, mas é ainda mais estúpida quando praticada por um político que já mentiu várias vezes e cuja credibilidade é nula.
Imagine-se o capitão do Titanic a gerir expectativas:
-- Não, não era um iceberg, era apenas um pedaço de madeira.
-- As bombas vão tirar esta água toda.
-- Inclinar? Claro que não está a inclinar ...
-- Há botes para todos e ainda sobra.
-- A água está quentinha.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 13/2008, de 22 de Janeiro:
"Em 22 de Novembro de 2005, após 40 anos de análise de localizações alternativas em que foram consideradas mais de uma quinzena de localizações possíveis nas duas margens do Tejo, o Governo, no seguimento das decisões dos governos anteriores, procedeu à confirmação pública da localização do aeroporto de Lisboa na Ota [...]
Entretanto, no final do 1.º semestre de 2007, surgiu um novo dado no referido processo de análise e decisão, que se traduziu na apresentação de um estudo técnico sobre localizações alternativas para o NAL («Avaliação ambiental de localizações alternativas para o novo aeroporto de Lisboa»), que apontava para a possibilidade de construção desta infra -estrutura no campo de tiro de Alcochete, ou seja, num local que até então não havia sido objecto de estudos no âmbito do processo de decisão do NAL."
Qualidade do ar
Nos locais para fumadores deve-se respeitar os padrões de qualidade do ar. Nos locais para não fumadores, não se pode fumar mesmo que se respeitem os padrões de qualidade do ar. Conclui-se daqui que:
1. ou os padrões de qualidade do ar não chegam para proteger a saúde
2. ou chegam para proteger a saúde e então a proibição do fumo em determinados locais é redundante. Não serve para proteger a saúde mas para perseguir os fumadores.