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14.6.07

Esta senhora diz que...





... está a ser perseguida por ser mulher.
Bom, o dr. Charrua ainda não se lembrou de usar o mesmo "argumento" - mas ao contrário.

13.6.05

Os limites do falsificacionismo III

Foi divulgada recentemente uma notícia que chamava a atenção para vários estudos científicos que se limitavam a demonstrar o esperado. A maior parte deles resultam do abuso do empirismo. Seguem-se alguns exemplos. A maior parte das conclusões tiradas por estes estudos, que são estudos empíricos, decorrem da natureza das coisas e dificilmente poderiam não ser como são.

1- Alcohol facilitates aggression among those who express anger outwardly;

2- Employees who take long spells of sick leave have a higher risk of death than those who do not;

3- Homeless people are four times more likely to die early than others;

4- Gamblers are less successful when they are drunk;

5- Portion size affects the amount of food eaten at a single meal;

6- Children are bullied because of their appearance;

7- People object more to violent films when someone else does;

8- Marriage improves women?s health, but only when it?s a happy one;

12.6.05

Os limites do falsificacionismo II

Notas sobre geometria

1. As geometrias sao sistemas formais que por si só nada nos dizem sobre a realidade. Mas, como se verá, uma geometria quando interpretada contribui com conhecimento a priori para o estudo da realidade.

2. Para se definir uma geometria é necessário definir um conjunto de axiomas. A partir destes axiomas é possível deduzir um conjunto de teoremas. Os teoremas são uma consequência necessária dos axiomas.

3. Por exemplo, a geometria euclidiana deduz-se a partir de 5 axiomas sobre Elinhas, Epontos e Ecircunferências. Estes axiomas permitem obter proposições sobre Etriângulos e Eânglos. Entre elas o teorema de EPitágoras.

5. A geometria Elíptica deduz-se a partir de 5 axiomas sobre NElinhas, NEpontos e NEcircunferências. Estes axiomas permitem obter teoremas sobre NEtriângulos e NEânglos. Entre elas o teorema de NEPitágoras.

6. O 5º axioma da geometria Euclidiana é diferente do 5º axioma da geometria Elíptica. Enquanto na geometeria Euclidiana, por um Eponto só pode passar uma Eparalela, na geometria Elíptica não existem NEparalelas.

6. Dado que o 5º axioma da geometria Elíptica é diferente do quinto axioma da geometria Euclidiana, as Elinhas não são NLinhas, os Etriângulos não são NEtriângulos e o teorema de EPitágoras não diz a mesma coisa que o teorema de NEPitágoras.

7. A geometria por si só não nos diz nada sobre a realidade, mas a geometria devidamente interpretada diz. Ou seja, para que a geometria seja informativa em relação à realidade é necessário estabelecer relações entre as entidades da geometria e as entidades reais.

8. Note-se ainda que se a geometria fosse uma mera linguagem não teria uma existência autónoma da realidade.

10. A realidade é um bicho completamente diferente. Existem N conjuntos de:

{Rlinhas_i, Rpontos_i, Rcircunferências_i}

em que i varia entre 1 e N.

11 A priori, não sabemos se algum destes conjuntos tem as mesmas propriedades de Elinhas, Epontos e Ecircunferências ou de NElinhas, NEpontos e NEcircunferências.


12. No entanto, há uma coisa que sabemos a priori: se um dos conjuntos respeitar os 5 axiomas da geometria Eclidiana então, respeita obrigatoriamente todos os teoremas da geometria euclidiana.

13. Isto é, se se provar empiricamente que Rlinhas_i, Rpontos_i e Rcircunferências_i podem ser tratados como Elinhas, Epontos e Ecircunferências porque respeitam os 5 axiomas da geometria Euclidiana, então também têm que respeitar o teorema de Epitágoras.

14. Dito de outro modo, se eu provar empiricamente que Rlinhas==Elinhas, Rpontos == Epontos então não preciso de provar que as Rlinhas e os Rpontos respeitam o teorema de Epitágoras porque essa informação tira-se a priori.

Seria um erro metodológico fazer uma experiência para verificar se os Rtriângulos rectângulos respeitam o teorema de Epitágoras se já estiver demonstrado que Rtriângulos rectângulos == Etriângulos rectângulos.

15. A geometria não é uma propriedade do universo. As mesmas estruturas podem ser estudadas quer por interpretação da realidade de acordo com a geometria Euclidiana quer interpretando a realidade de acordo com uma geometria não euclidiana.

16. É o que acontece com o estudo de superfícies esféricas como a superfície da Terra. Se escolhermos um conjunto:

{Rlinhas_1, Rpontos_1, Rcircunferências_1}

que tem as propriedades de NElinhas, NEpontos e NEcircunferências então sabemos a priori que Rlinhas_1, Rpontos_1 e Rcircunferências_1 respeitam todos os teoremas da geometria Elíptica.

17. Se escolhermos um conjunto:

{Rlinhas_2, Rpontos_2, Rcircunferências_2}

que tem as propriedades de Elinhas, Epontos e Ecircunferências então sabemos a priori que Rlinhas_2, Rpontos_2 e Rcircunferências_2 respeitam todos os teoremas da geometria Euclidiana.

Note-se que as estruturas {Rlinhas_2, Rpontos_2, Rcircunferências_2} não precisam de pertencer por inteiro à superfície da esfera. Não há problema nenhum que as Rlinhas_2 atravessem a superfície da esfera porque isso não nos impede de obter informações relevantes sobre a subperfície da esfera.

18. O mesmo é válido para a estrutura geral do universo. Se eu descubro que a estrutura possui

{Rlinhas_3, Rpontos_3, Rcircunferências_3}

que têm as propriedades de estruturas análogas da geometria X, então eu concluo que se lhe aplicam todos os teoremas da geometria X.

19. Se eu descubro que a estrutura possui:

{Rlinhas_4, Rpontos_4, Rcircunferências_4}

que têm as propriedades de estruturas análogas da geometria Y, então eu concluo que se lhe aplicam todos os teoremas da geometria Y.

Note-se que as estruturas {Rlinhas_4, Rpontos_4, Rcircunferências_4} podem ser estruturas imaginárias que só em parte pertencem ao universo. E muitos dos teoremas podem ser sobre estruturas imaginárias que só em parte se podem identificar com estruturas reais. Mas pelo menos alguns teoremas são mesmo assim informativos em relação à realidade porque podem ser identificados com fenómenos reais.

20. Note-se ainda que o mesmo objecto real pode ser interpretado como um Xlinha e como uma Ycurva. Dificilmente o mesmo objecto real poderá ser ao mesmo tempo uma Xlinha e uma Ylinha porque se as geometrias X e Y forem diferentes, o mais provável é que as Xlinhas e as Ylinhas não sejam a mesma coisa.

21. Note-se finalmente que, apesar de alguma informação sobre a realidade ter forçosamente que ser obtida empiricamente, isso não significa que a geometria quando iterpretada não seja informativa. Isto acontece por duas razões:

A- a geometria permite-nos saber a priori como o universo não pode ser. Por exemplo, o universo não pode ter um Rtriângulo_i que ao mesmo tempo não respeite o teorema de Epitágoras e seja igual a um Etriângulo.

B - Apenas uma fração muito pequena dos teoremas precisa de ser verificada empiricamente. Se os axiomas forem comprovados, todos os teoremas ficam imediatamente comprovados. Ora, isto não seria possível se o conhecimento a priori da geometria não complementasse a informação empírica. Sem o conhecimento a priori fornecido pela geometria todos os teoremas teriam que ser verificados experimentalmente.

7.6.05

Os limites do falsificacionismo I

O que é a ciência? Neste post, a Palmira comenta duas definições possíveis de ciência (pdf):


Definição A (preferida pela Palmira): ?Science is the human activity of seeking natural explanations for what we observe in the world around us.?


Definição B (proposta pelos criacionistas do Kansas): "Science is a systematic method of continuing investigation that uses observation, hypothesis testing, measurement, experimentation, logical argument and theory-building to lead to more adequate explanations of natural phenomena."

Estas duas definições levantam uma questão importante: a ciência é apenas a procura de explicações naturais para o que observamos no mundo à nossa volta? Existem explicações não naturais para os fenómenos observados à nossa volta? Como é que se explica um fenómeno natural por outro sem uma teoria da causalidade ou sem uma teoria que relacione as propriedades dos objectos com a sua identidade?

De acordo com as posições que têm sido defendidas pela Palmira e por outros membros do Diário Ateísta, em ciência o conhecimento só pode ser adquirido por via exclusivamente empírica. A actividade teórica não gera conhecimento porque o conhecimento só se adquire a partir do momento em que a teoria é verificada experimentalmente. Segue-se só pode ser ciência aquilo que é falsificável. As teorias não falsificáveis acerca da natureza estão fora do âmbito da ciência.

Esta visão da ciência tem dois problemas. Em primeiro lugar, o principal fundamento metafísico da ciência, a ideia de que existe uma realidade independente da mente que a percepciona, é uma mera crença e não é falsificável. Logo nenhum conhecimento científico seria sequer possível. Em segundo lugar, o corpo solidificado de conhecimentos científicos contém uma quantidade muito signifivativa de conhecimento, o chamado conhecimento sintético a priori, que não é falsificável no sentido popperiano do termo.

O que é irónico nesta discussão é que a definição A, ao excluir à partida explicações lógicas para os fenómenos naturais, exclui logo à partida a ideia fundamental do darwinismo, o princípio da selecção natural. A única definição de ciência que é compatível com o darwinismo é a definição B, proposta pelos criacionistas, porque inclui uma referência à argumentação lógica.

(continua)