22.11.04

Exercício prático II

A parte mais extraordinária das declarações de Almerindo Marques é referida no Barnabé:

Almerindo Marques, presidente do Conselho de Administração da RTP., diz que o concurso para o correspondente de Madrid não poderia ser como Rodrigues dos Santos queria porque um quadro importante da empresa que está «algures» se demitiria e que isso seria «um sarilho».
Ou seja, há um quadro da empresa, que não é o presidente do Conselho de Administração, que tem mais poder na escolha de correspondentes do que o próprio director de informação e que se as coisas não forem como ele quer é um sarilho.


Pensamento político do dia

"O Porto já é uma cidadezinha pequenina para mim. Estou habituado a cidades grandes, para cima de 100 hectares". (Aqui)

Nota: a cidade do Porto tem 41,5 Km2, aproximadamente, cerca de 4150 hectares, se não me engano, ainda que o erro métrico não seja, obviamente, a parte mais interessante da frase.

Nova casa da Causa

O blog da Causa Liberal mudou de casa.

Exercício prático

Para se ter uma noção da real «manipulação» que para aí vai, vejam como os orgãos de informação ligados ao Governo relatam o que disse Almerindo Marques no Parlamento: Jornal de Notícias, Diário Digital, Lusa e RTP. O DN não tem nada sobre o assunto.
E a verdadeira notícia nos outros orgãos de informação: Público e Portugal Diário.
"O presidente do conselho de administração da RTP, Almerindo Marques, afirmou hoje que a empresa teria graves problemas internos se os concursos para a colocação de correspondentes no estrangeiro resultasse numa classificação ordinal de jornalistas.Falando perante a comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Almerindo Marques disse que só poderia ir mais longe neste aspecto se a reunião decorresse à porta fechada, ou seja, sem a presença de jornalistas."
E disse ainda mais: que se fosse aceite o candidato melhor classificado em concurso interno para correspondente em Madrid, ele, Almerindo Marques, a RTP e o Director da Informação teriam um grande sarilho.
Mas o que é que é isto ó meu?
Ver também questões pertinentes do Manuel.

POSIÇÕES QUE A HISTÓRIA NUNCA ESQUECE


Cortesia Political Humor (via Sentidos da Vida)

Era pedir de mais....

O senhor PR enuncia, no seu mais recente veto político, algumas caracteristicas de bom governo. É certo que nunca anteriormente as defendeu, nunca as praticou, nem, no âmbito das suas actuais funções, controlou a sua efectiva aplicação.
O PR justifica o veto, (que foi uma boa decisão), com os seguintes argumentos:
- não criação de uma estrutura que teria como funções actividades consideradas não fundamentais;
- dificuldades financeiras do país (era preferível o argumento do dever de cuidado com o dinheiro dos contribuintes, mas tudo bem).
- necessidade de reforma, racionalização e emagrecimentos dos gastos com pessoal [da adm. pública].
Dúvido no entanto, que, quando surgir em cima da sua secretária o diploma que crie a UMIC I.P., a Agência para a Segurança Alimentar e outros institutos que este Governo tem vindo a criar nos últimos meses, o PR utilize os mesmos critérios. Fica-se tão só por um veto meramente político, sem expressar verdadeiramente um principio da boa gestão pública e política. O que, infelizmente, não surpreende.

As competências da União passam a ser as competências da maioria

Escreve Vital Moreira:

Um referendo serve para perguntar aos cidadãos se estão de acordo com uma certa mudança político-jurídica. Nunca se pergunta se concordam com o que está (por exemplo, «concorda com a eleição directa do Parlamento europeu?»), mas sim se aprovam, ou não, uma inovação constante de um projecto de lei ou de tratado, ou passível de ser objecto de lei ou tratado.


Há aqui dois pequenos problemas:

1. Nunca nos tinham perguntado se concordamos com as competêcias que a União já tem. Esta é uma oportunidade política para quem nunca pode votar no que quer que seja mostrar que está um bocadito descontente com isso.

2. A partir do momento em que passa a valer a regra da maioria passa a ser importante saber que competências é que essa maioria tem. E somos obrigados a perguntar se essas competências não serão excessivas.