Mostrar mensagens com a etiqueta interesse nacional (???). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta interesse nacional (???). Mostrar todas as mensagens
29.3.07
A OTA é essencialmente uma questão política IV
As grandes obras são uma componente de uma determinada perspectiva política. De acordo com esta perspectiva, o governo tem como função dirigir a economia e estimular o investimento. Desta forma, as grandes obras públicas servem para estimular a economia privada e para criar emprego. A opção por um grande aeroporto promovido pelo estado é também a opção pelo modelo de desenvolvimento que tão bons resultados deu no passado com Sines, com a barragem do Alqueva, com o Centro Cultural de Belém, com a Expo e com os estádios do Euro 2004. E como faltam 2 anos para as eleições, um grande projecto que estimule a economia e que gere emprego artificial vem mesmo a calhar. A curto prazo, o que está em causa na OTA não é tanto o interesse nacional mas sobretudo o interesse do PS em ganhar as próximas eleições, nem que para isso seja necessário desperdiçar grandes quantidades de dinheiro público para gerar emprego com um choque de terraplanagem. Infelizmente para o PS, os problemas mais graves de desemprego são um pouco mais a Norte e serão agravados com mais um projecto que aumenta artificialmente as assimetrias regionais.
28.3.07
A OTA é essencialmente uma questão política III
População residente nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Porto, Aveiro e Viseu: 4 milhões e 300 mil
População residente na Galiza: 2 milhões e 750 mil
População residente nas províncias Sul da Galiza (Ponte Vedra e Ourense): 1 milhão e 260 mil
População residente em Coimbra e Guarda: 600 mil
População residente na Galiza: 2 milhões e 750 mil
População residente nas províncias Sul da Galiza (Ponte Vedra e Ourense): 1 milhão e 260 mil
População residente em Coimbra e Guarda: 600 mil
A OTA é essencialmente uma questão política II
Decidir criar um aeroporto como a Ota a 50 Km do principal centro urbano mais próximo é equivalente a decidir a criação de uma nova cidade. A OTA, por ter a melhor combinação preço/tempo de viagem, será o centro urbano português mais próximo dos principais centros económicos mundiais. Será um pólo de desenvolvimento que canibalizará todas as cidades concorrentes. Por isso, a opção por um novo aeroporto não é apenas uma opção por uma solução técnica para o problema da Portela, é uma opção política que determinará vencedores e perdedores e que determinará movimentos demográficos colossais no interior do país. Alegar que há interesse nacional em tal projecto é o mesmo que alegar que desertificar o centro de Lisboa ou desertificar o Norte do país é um desígnio nacional. Até porque essas serão as consequências da construção de um grande aeroporto a 50 km do centro da área metropolitana de Lisboa.
A OTA é essencialmente uma questão política
Só para começar, a opção entre OTA e Rio Frio é a opção entre duas alternativas de desenvolvimento da Região de Lisboa. A OTA favorece o desenvolvimento na direcção norte favorecendo Santarém, Coimbra e Leiria. Rio Frio favorece o desenvolvimento na direcção Sul favorecendo a margens Sul, Setúbal e Évora. Uma opção tem determinados perdedores e vencedores, a outra tem outros. Fingir que o que está em causa é o interesse nacional e que a questão é puramente técnica é apenas uma forma de atingir objectivos políticos sem dar muito nas vistas.
27.3.07
Os interesses escondidos nos mega-projectos
Recebido por e-mail do nosso leitor JBM. Escrito por quem sabe.###
OTA: uma barbaridade?
1. Informação Prévia - o signatário não pertence nem nunca pertenceu a qualquer partido político. Porém, sempre teve e tem relações de amizade com membros de todos os partidos políticos.
2. A questão da localização do novo aeroporto de Lisboa já fez correr “rios de tinta” e centenas de horas de acção nos meios de comunicação social ao longo dos últimos 15 ou 20 anos. E ainda não está resolvida. Em minha opinião, pelas razões que a seguir aponto.
3. Em 1949, sendo aluno de “Preparatórios de Engenharia” na Universidade de Coimbra teve o signatário de frequentar uma disciplina de Economia na Faculdade de Direito. Era docente responsável dela e de “Crédito e Finanças” um professor catedrático, politicamente à esquerda, mas que nunca foi incomodado pelo regime, dada a sua envergadura intelectual e bom senso.
4. Ensinou-nos ele a distinguir “Ciência” de “Doutrina” e de “Política”. Dizia: A “Ciência” diz (ou tenta dizer) o que é, independentemente de ser bom ou mau para a Humanidade. A “Doutrina” diz (ou devia dizer) o que deve ser no sentido de ser o melhor para a Humanidade. A “Política” deve executar o que a Ciência diz, à luz de uma certa doutrina.
5. Quando a “Política” decide mandar executar qualquer acção ao arrepio do que a Ciência indica, as consequências são sempre desastrosas do ponto de vista social. A História, único campo experimental das Ciências Sociais, mostra abundantemente que assim é.
6. Nos casos da OTA, do ataque do mar à Costa da Caparica e de muitos outros, a Política tem-se afastado do que se diz acima. E porquê? Porque se tem misturado tudo isso com interesses materiais de grupos partidários.
6. Nos últimos 15 anos, no caso da localização do novo aeroporto de Lisboa o que é que a História regista? Cada vez que o governo de um dos principais partidos “entrava de serviço” escolhia uma empresa internacional de consultoria da especialidade, de “nomeada”, (por vezes até eram indicados os traços gerais dos seus CV), para dar um “parecer fundamentado” sobre a melhor localização do aeroporto. Com isso cada empresa cobrou pelo menos 1 ou 2 milhões de contos.
7. Quem lidou com pareceres desse tipo e valor, sabe muito bem que é sempre possível justificar tecnicamente um ponto de vista que, de antemão, a empresa sabe que agrada ao seu cliente, que é quem paga. Tudo isto porque a lógica da empresa é o lucro. Mais, quando há concurso, público ou privado, no preço apresentado, as empresas incluem sempre implicitamente despesas de “lobbing” e estas são sempre pagas pelo vencedor de forma jurídica e jornalisticamente indetectável.
8. Daí a verdadeira razão do impasse, que continua. Daí a verdadeira razão pela qual os dois partidos principais nunca tentaram sequer chegar a acordo sobre a nomeação de um grupo técnico competente e independente, porventura misto (nacional e internacional), comprometendo-se os dois partidos a executar, o que o mesmo grupo técnico indicasse como a melhor solução para o País como um todo, não como a melhor solução para Lisboa...
JBM
OTA: uma barbaridade?
1. Informação Prévia - o signatário não pertence nem nunca pertenceu a qualquer partido político. Porém, sempre teve e tem relações de amizade com membros de todos os partidos políticos.
2. A questão da localização do novo aeroporto de Lisboa já fez correr “rios de tinta” e centenas de horas de acção nos meios de comunicação social ao longo dos últimos 15 ou 20 anos. E ainda não está resolvida. Em minha opinião, pelas razões que a seguir aponto.
3. Em 1949, sendo aluno de “Preparatórios de Engenharia” na Universidade de Coimbra teve o signatário de frequentar uma disciplina de Economia na Faculdade de Direito. Era docente responsável dela e de “Crédito e Finanças” um professor catedrático, politicamente à esquerda, mas que nunca foi incomodado pelo regime, dada a sua envergadura intelectual e bom senso.
4. Ensinou-nos ele a distinguir “Ciência” de “Doutrina” e de “Política”. Dizia: A “Ciência” diz (ou tenta dizer) o que é, independentemente de ser bom ou mau para a Humanidade. A “Doutrina” diz (ou devia dizer) o que deve ser no sentido de ser o melhor para a Humanidade. A “Política” deve executar o que a Ciência diz, à luz de uma certa doutrina.
5. Quando a “Política” decide mandar executar qualquer acção ao arrepio do que a Ciência indica, as consequências são sempre desastrosas do ponto de vista social. A História, único campo experimental das Ciências Sociais, mostra abundantemente que assim é.
6. Nos casos da OTA, do ataque do mar à Costa da Caparica e de muitos outros, a Política tem-se afastado do que se diz acima. E porquê? Porque se tem misturado tudo isso com interesses materiais de grupos partidários.
6. Nos últimos 15 anos, no caso da localização do novo aeroporto de Lisboa o que é que a História regista? Cada vez que o governo de um dos principais partidos “entrava de serviço” escolhia uma empresa internacional de consultoria da especialidade, de “nomeada”, (por vezes até eram indicados os traços gerais dos seus CV), para dar um “parecer fundamentado” sobre a melhor localização do aeroporto. Com isso cada empresa cobrou pelo menos 1 ou 2 milhões de contos.
7. Quem lidou com pareceres desse tipo e valor, sabe muito bem que é sempre possível justificar tecnicamente um ponto de vista que, de antemão, a empresa sabe que agrada ao seu cliente, que é quem paga. Tudo isto porque a lógica da empresa é o lucro. Mais, quando há concurso, público ou privado, no preço apresentado, as empresas incluem sempre implicitamente despesas de “lobbing” e estas são sempre pagas pelo vencedor de forma jurídica e jornalisticamente indetectável.
8. Daí a verdadeira razão do impasse, que continua. Daí a verdadeira razão pela qual os dois partidos principais nunca tentaram sequer chegar a acordo sobre a nomeação de um grupo técnico competente e independente, porventura misto (nacional e internacional), comprometendo-se os dois partidos a executar, o que o mesmo grupo técnico indicasse como a melhor solução para o País como um todo, não como a melhor solução para Lisboa...
JBM
Subscrever:
Mensagens (Atom)