1.8.06

Tempos "modernos", de novo a Inquisição, outros hereges...

Questiona-se Vital Moreira (bold seu):

A lista dos principais devedores ao Fisco inclui somente o número fiscal e o nome das pessoas/empresas. Se a ideia é denunciar publicamente os faltosos perante a comunidade, como censura pública, não seria útil acrescentar o local de residência?


E porque não a fotografia de frente e de perfil? E a divulgação dos bens e extractos bancários? E a identificação dos ascendentes e descendentes, respectivas profissões, declarações de rendimentos e outro "cadastro" de natureza financeira e patrimonial? E, já agora, conviria também uma listagem de quem integra o seu círculo de amizades, certamente uma "cáfila" de potenciais ou efectivos evasores fiscais. Não esquecer ainda a promoção da denúncia de eventuais faltosos e a instituição de benefícios fiscais aos delatores. E com tamanhas e tão moralizantes denúncias e censuras públicas, atingiremos em breve um modelo ideal de sociedade em que prevalecerão valores tão "saudáveis" como a inveja, a mesquinhez e a tirania fiscal.

No final do processo, a liberdade será uma miragem.

P.S.: Sobre este assunto, indispensável a leitura deste texto de Pedro Arroja.

Iô-Iô

Gil Vicente desce de divisão

Vem aí a libertação das estatísticas

O Luís Rainha já antevê a queda dos índices de saúde pública em Cuba.

Sempre me surpreendeu a fé daqueles que acreditam em informação produzida por regimes onde não há contraditório. Se por cá o governo passa o tempo a aldrabar estatísticas, imagine-se o que não se passará numa ditadura.

SilicArte

Esculturas em Areia, FIESA 2006


Poseidon###


Adão e Eva


América


Arca de Noé


Aztecas


Cavalo de Tróia


Dragão Chinês


Egipto


Escudo


Medusa


Roma

Prognósticos só no fim

Sem surpresa, «A comissão técnica encarregue da definição do modelo de transacção do aeroporto da Ota detectou que os custos previstos para a construção da infra-estrutura - da ordem dos três mil milhões de euros - estão subestimados, apurou o Jornal de Negócios.» (link) A solução será alargar o prazo da concessão para 40 anos

Sem surpresa, também, confrontado com a notícia, o Ministro Mário Lino afirmou: «É preciso ter elementos para tomar decisões no momento próprio. Nos projectos desta natureza têm de ser estudadas diferentes alternativas. Neste momento não tenho nenhum elemento que me leve a pensar que afinal de contas a Ota vai custar mais». (link) Ao contrário do que parece, esta frase não tem que ver com a decisão de construir/não contruir (ou de onde construir), mas com a duração do prazo de concessão de um aeroporto que, antes mesmo de ser removido o primeiro palmo de terreno, já está a ver o seu orçamento posto em causa.

Não é que isso tenha grande interesse, mas ...

Posição do provedor de Justiça: Repetição dos exames de Química e Física foi "manifestamente ilegal"

A moral, a lei e a guerra

1. Muitas das perplexidades geradas pela guerra devem-se a um desfasamento entre as regras morais que cada um herdou da sua cultura e aquilo que é possível ou viável numa comunidade internacional anárquica. É esse desfasamento que leva muita gente a revoltar-se contra a realidade por ela não ser moral.
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2. As regras morais são o resultado de milhões de anos de interacção dos seres humanos uns com os outros em pequenas comunidades. A sua eficácia depende de interacções frequentes entre pessoas que se conhecem muito bem. Isto porque a efcácia da moral depende da possibilidade de retaliação num contexto social.

3. Para comunidades maiores as regras morais são totalmente ineficazes e por isso só emergirão comunidades maiores se emergirem ao mesmo tempo leis, reconhecidas por todos, que transcendem cada um dos códigos morais de cada uma das sub-comunidades que dão origem à comunidade maior.

4. Quer as regras morais quer as leis são apenas aplicadas dentro da comunidade a que dizem respeito. As regras internas são reconhecidas como internas não sendo aplicáveis aos membros das comunidades vizinhas. Os membros das outras comunidades são tratados de forma diferente, muitas vezes como inimigos. Não podia ser de outra forma. Dado que o processo de formação da lei é um processo evolucionário, os estranhos não são parceiros fiáveis porque nem são controláveis directamente nem partilham das mesmas leis.

5. Nos últimos dias temos visto muita gente a lidar com a guerra do Líbano como se ela ocorresse dentro da sua comunidade e estivesse sujeita às regras da moral habituais. Mas a verdade é que a própria existência da guerra é a prova mais forte que se poderia ter de que não existe uma comunidade alargada que inclua portuguese, israelitas, americanos, libaneses, sírios e iranianos. Tal comunidade só poderá existir no dia em que os membros de cada sub-comunidade aceitarem leis comuns íguais para todos.

6. A comunidade internacional é ainda uma comunidade anárquica em que a força prevalece sobre a lei. Existem vários indícios de que assim é:

- nunca nenhum vencedor foi julgado por crimes de guerra

- processos de paz que não reflectem a relação de forças no terreno são constantemente quebrados

- situações similares recebem tratamento diferente da comunidade internacional

7. A aplicação de regras morais a um conflito internacional acaba por não ser lá muito racional se se tiver em conta que tais regras nunca se aplicaram aos "outros". Sempre foram regras internas das respectivas comunidades. Nunca foram aplicadas a estranhos ou às relações entre comunidades.

8. A aplicação de regras morais a um conflito internacional acabará por se revelar hipócrita no dia em que os próprios moralistas se virem envolvidos num conflito. Alguém acredita que se Portugal estivesse envolvido num conflito como o do Médio Oriente haveria por aqui tantos apelos à paz e à moral?