Esther Mucznik, cujos textos já viram melhores dias, irrompe contra aquilo que designa de “laicidade radical”.
Sem dúvida por culpa minha, nunca percebi o que isso é – nomeadamente, se a partir desse conceito impreciso devemos presumir a existência de uma laicidade frugal, ‘light’, ou tão correcta e artificialmente compensada que deixe de ser... laicidade.
O que vejo, cada vez mais, são os acólitos do sobrenatural a imaginarem perseguições (o omnipresente desejo de martírio) mal suspeitam que os seus privilégios e isenções, sempre muito materiais, podem vir a ser bulidos nem que seja ao de leve.
Percebe-se melhor o que quer Mucznik quando cita T. S. Eliot (fora do contexto): “Se não tiveres Deus terás de te prostrar perante Hitler ou Estaline”. Eis a suprema falácia feita de escolhas impossíveis, reduzidas à sua expressão inconcebível - ou Deus ou o Diabo, não pode haver terceira via, foi sempre o adágio dos adeptos do oculto organizado.
Para um liberal, como eu me sinto, a opção é muito mais simples – nunca te ajoelhes perante ninguém, homem, estátua ou simples pressentimento do desconhecido.
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3.1.08
7.5.07
Os diabos do(s) Pastor(es) Josué(s) (2)
Depois de ler este texto de João César das Neves (salientando a extraordinária analogia, aí expelida, entre o "aborto" e a "regionalização") queria dizer que errei no paralelismo que estabeleci entre a (i)lógica do Pastor Josué e aquilo que a seita dos auto-flageladores defende - em boa verdade, concluo, essa conexão de sentido não tem razão de ser. Claro que não.
Como imediata e piedosamente se apressaram a explicar-me alguns membros do blogue onde essa simpática organização de benemerência - pelos vistos - parece deter posição dominante, não há nada de comum entre as posições e atitudes existenciais da seita do cilício e as do Pastor Josué.
De facto, não consta que este último se açoite ou faça uma exaltação tresloucada do sofrimento e da dor...
Mas, apesar de tudo, há uma resposta cuja graça merece o devido destaque. Trata-se de mais um cartoon do Helder Ferreira, a quem mando um grande abraço:
Como imediata e piedosamente se apressaram a explicar-me alguns membros do blogue onde essa simpática organização de benemerência - pelos vistos - parece deter posição dominante, não há nada de comum entre as posições e atitudes existenciais da seita do cilício e as do Pastor Josué.
De facto, não consta que este último se açoite ou faça uma exaltação tresloucada do sofrimento e da dor...
Mas, apesar de tudo, há uma resposta cuja graça merece o devido destaque. Trata-se de mais um cartoon do Helder Ferreira, a quem mando um grande abraço:
4.5.07
Os diabos do(s) Pastor(es) Josué(s)
Tenha paciência e veja este vídeo até ao fim.
Agora imagine que o Pastor Josué - ou tantos outros como ele - tinha autoridade para impor os seus dislates através da força coactiva do Estado.
Pode variar de objecto na sua reflexão: em vez dos gays e da Disney, seriam, por exemplo, os judeus. Ou como dizia Roberto Benigni no "A Vida é Bela", até podiam ser os visigodos...
Já aconteceu. E ainda hoje tem defensores, como vemos e sabemos.
Via Casino da Elsa.
Agora imagine que o Pastor Josué - ou tantos outros como ele - tinha autoridade para impor os seus dislates através da força coactiva do Estado.
Pode variar de objecto na sua reflexão: em vez dos gays e da Disney, seriam, por exemplo, os judeus. Ou como dizia Roberto Benigni no "A Vida é Bela", até podiam ser os visigodos...
Já aconteceu. E ainda hoje tem defensores, como vemos e sabemos.
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