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21.3.07

Sobre as "Directas" no CDS

Nas inúmeras análises que li, vi e ouvi, acerca da possibilidade de realização de "Directas" no CDS noto a ausência de um ponto que reputo de essencial:
- as eleições internas em muitos dos partidos portugueses - e no CDS com toda a certeza - são um embuste declarado ainda que nunca assumido oficialmente por nenhuma das partes em confronto. No CDS, por exemplo, as listagens de militantes não são actualizadas desde 1975 mantendo-se, pacatamente, no "activo" os mortos, os que se desfiliaram há muito e, até, outros que já são ou foram, entretanto, dirigentes de diferentes partidos. Muitos quadros partidários interpretam como uma componente fundamental da sua carreira política a arte de bem realizar fraudes eleitorais internas, talento que aperfeiçoam pressurosamente desde as camadas mais tenras das "jotas" (como alguém já classificou um dia, "autênticas escolas de crime"). Os métodos são inúmeros e relativamente conhecidos: os mortos, ausentes e desconhecidos, adquirem subitamente capacidade eleitoral activa; as urnas, em certos momentos estratégicos, revelam aptidões milagreiras de timbre e efeito multiplicador; alguns eleitores, normalmente em grupo, manifestam uma mobilidade assinalável conseguindo votar em vários locais diferentes para a mesma eleição; outros desdobram a sua personalidade eleitoral votando sucessivamente como membros do partido, depois como filiados na "jota", ainda como associados numa outra organização autónoma, e etc.. Estes métodos são olimpicamente ignorados pelos órgãos mais inúteis e sempre obedientes das organizações partidárias - os conselhos de jurisdição. E toda esta fantochada, que muitos conhecem mas fingem ignorar, é sancionada pela legislação peregrina e cúmplice que temos: a jurisdição normalmente competente é a do Tribunal Constitucional, o que, na prática, quanto à sua aplicação a partidos políticos, significa que é extemporânea, ineficaz ou inexistente.
Claro que - alguns retorquirão - são precisamente estas artimanhas do aparelhês que servirão para eleger os representantes num Congresso: mas, aí, a "democracia" representativa revela algumas vantagens: os delegados, ainda que "eleitos" pelas artimanhas feitas praxis não estão destituídos da capacidade de pensar e de ajuizar por si. Podem até decidir contra o cardápio combinado - como se viu no primeiro Congresso que Ribeiro e Castro ganhou...

1.2.07

O Discurso de Pinho II

Algumas empresas chinesas que o Ministro Pinho gostaria de ter em Portugal:

O Discurso de Pinho II

Apesar de tudo, os salários praticados no Vale do Ave ainda não estão ao nível dos salários das zonas mais remotas da China. Mas mais ano menos ano ficarão ao nível dos salários de Xangai e Pequim ou mesmo de algumas das principais cidades de Tianjin, Zhejiang, Jiangsu e Guangdong. As empresas chinesas que procuram salários baixos podem encontrá-los nas zonas mais remotas da China ou no Vietname. As empresas chinesas que procuram alta tecnologia e infraestruturas de qualidade podem encontrá-la em Hong Kong, Xangai ou Pequim. Qualquer que seja o segmento de negócio que se considere, Portugal tem pouco a oferecer às empresas chinesas, excepto uma porta de entrada na União Europeia. Nesse sector Portugal compete com os restantes países europeus e tem de facto a vantagem de ter salários mais baixos.

O reconhecimento da realidade é sempre louvável

Mais tarde ou mais cedo tinha que acontecer. Aconteceu mais cedo. O Ministro Pinho foi à China vender Portugal como um país de mão de obra barata.