3.4.07
Eu discordo!
Provavelmente uma das características mais interessantes de observar por entre uma população com uma longa tradição de autoridades pessoalizadas é o comportamento das pessoas numa reunião com o objectivo de debater algum assunto.### .
Se o chefe está presente, todos concordam uns com os outros e, em primeiro lugar, com a opinião do chefe. Mas se o chefe está ausente todos discordam uns dos outros. Dir-se-ia que, nestas circunstâncias, cada pessoa possui uma opinião forte sobre o assunto. Pura ilusão. A esmagadora maioria delas nem sequer possui opinião - e, no entanto, discorda.
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Trata-se de uma mera atitude cultural. Quando cada um discorda de todos os outros gera-se a anarquia e o vazio, precisamente a força que torna necessária a presença daquela figura que todos consideram indispensável - a do chefe.
Ao almoço
Quase todos julgam a oposição "de direita" como incapaz. Com um estilo repassado. Com um discurso inócuo, aborrecido. Nestes últimos 2 anos, dizem, tem sido o melhor baluarte do Governo socialista.Paulo Portas parece estribar-se nesta convicção comum. Os seus aliados juram que "está um liberal" e a sua indumentária, sempre sintomática, aparenta mais uma metamorfose.
Há pouco, um amigo dizia-me que «esta direita sofre de disfunção eréctil» concluindo pela bondade do regresso de Portas. «Pode ser que sim», respondi. Mas com o ar excessivamente pressuroso que Paulo Portas ostenta «temo que a coisa acabe por ficar em ejaculação precoce». O que «não trará grandes melhorias para aquilo que importa», concluí.
...!
UnI: Ministro Santos Silva exonera assessor Carlos Narciso
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, anunciou, esta terça-feira, ter exonerado o assessor Carlos Narciso, que segunda-feira admitiu à agência Lusa ter colaborado, a título pessoal, com o gabinete de imprensa da Universidade Independente (UnI). ###
Em comunicado hoje divulgado, o ministro considera «incompatível» a prestação de assessoria ao seu gabinete «com qualquer outro tipo ou forma de assessoria ou colaboração em actividades de comunicação institucional, mesmo que desempenhadas esporadicamente e/ou a título pessoal».
«Assim, e com efeitos a partir de hoje, o ministro dos Assuntos Parlamentares exonerou Carlos Narciso das funções que exercia no seu gabinete», conclui o comunicado.
No documento, Augusto Santos Silva refere que «foi surpreendido ao princípio da noite de 02 de Abril pela notícia da agência Lusa, segundo a qual o seu assessor Carlos Narciso havia enviado, a título pessoal, uma mensagem informativa da nomeação do novo reitor da Universidade Independente».
A Lusa noticiou segunda-feira que o comunicado divulgado no final da semana passada sobre a nova equipa reitoral da UnI, entretanto desmentido pela empresa que gere a instituição, foi enviado por Carlos Narciso, aluno finalista da universidade e assessor do Governo.
No e-mail enviado à agência Lusa às 21:36 de sexta-feira, Carlos Narciso afirma que, «a pedido do gabinete de imprensa da UNI», reenvia «notícia sobre a nomeação do novo reitor da Universidade Independente».
Contactado pela Lusa, Carlos Narciso confirmou segunda-feira ter enviado o comunicado às redacções, a título pessoal, mas não adiantou mais comentários sobre a matéria.
O e-mail, enviado a partir de uma conta de correio electrónico pessoal, foi inicialmente mandado a Carlos Narciso a partir da conta de e-mail pessoal do assessor da UnI Pedro Silva, conforme consta do cabeçalho da mensagem electrónica.
No entanto, Pedro Silva, em declarações à agência Lusa, negou ter enviado esse e-mail, alegando ter abandonado a assessoria de imprensa da UnI na passada quarta-feira, dois dias antes do comunicado ter sido divulgado junto da comunicação social.
«Infelizmente dei o meu login e password a outras pessoas na Universidade Independente», disse à Lusa, sugerindo que terceiros possam ter acedido à sua conta de correio e enviado a Carlos Narciso o referido comunicado.
O comunicado em causa informava que Jorge Roberto tinha sido nomeado como novo reitor da instituição, «face à declaração de renúncia apresentada pelo Professor Doutor Luíz Arouca», adiantando que tinham sido nomeados vice-reitores Carvalho Rodrigues, Raul Cunha e Rodrigo Santiago.
Porém, a direcção da SIDES encabeçada por Frederico Arouca e Maria da Conceição Campos Cardoso, que afirmam ser os legítimos representantes da empresa, negou que tenha sido nomeado uma nova equipa reitoral, salientando que vai processar criminalmente quem veiculou essa informação.
A confusão na UnI mantém-se, assim, na semana em que o ministro do Ensino Superior decide o encerramento compulsivo da instituição, uma decisão que será tomada quinta-feira.
Diário Digital / Lusa
03-04-2007 13:12:10
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, anunciou, esta terça-feira, ter exonerado o assessor Carlos Narciso, que segunda-feira admitiu à agência Lusa ter colaborado, a título pessoal, com o gabinete de imprensa da Universidade Independente (UnI). ###
Em comunicado hoje divulgado, o ministro considera «incompatível» a prestação de assessoria ao seu gabinete «com qualquer outro tipo ou forma de assessoria ou colaboração em actividades de comunicação institucional, mesmo que desempenhadas esporadicamente e/ou a título pessoal».
«Assim, e com efeitos a partir de hoje, o ministro dos Assuntos Parlamentares exonerou Carlos Narciso das funções que exercia no seu gabinete», conclui o comunicado.
No documento, Augusto Santos Silva refere que «foi surpreendido ao princípio da noite de 02 de Abril pela notícia da agência Lusa, segundo a qual o seu assessor Carlos Narciso havia enviado, a título pessoal, uma mensagem informativa da nomeação do novo reitor da Universidade Independente».
A Lusa noticiou segunda-feira que o comunicado divulgado no final da semana passada sobre a nova equipa reitoral da UnI, entretanto desmentido pela empresa que gere a instituição, foi enviado por Carlos Narciso, aluno finalista da universidade e assessor do Governo.
No e-mail enviado à agência Lusa às 21:36 de sexta-feira, Carlos Narciso afirma que, «a pedido do gabinete de imprensa da UNI», reenvia «notícia sobre a nomeação do novo reitor da Universidade Independente».
Contactado pela Lusa, Carlos Narciso confirmou segunda-feira ter enviado o comunicado às redacções, a título pessoal, mas não adiantou mais comentários sobre a matéria.
O e-mail, enviado a partir de uma conta de correio electrónico pessoal, foi inicialmente mandado a Carlos Narciso a partir da conta de e-mail pessoal do assessor da UnI Pedro Silva, conforme consta do cabeçalho da mensagem electrónica.
No entanto, Pedro Silva, em declarações à agência Lusa, negou ter enviado esse e-mail, alegando ter abandonado a assessoria de imprensa da UnI na passada quarta-feira, dois dias antes do comunicado ter sido divulgado junto da comunicação social.
«Infelizmente dei o meu login e password a outras pessoas na Universidade Independente», disse à Lusa, sugerindo que terceiros possam ter acedido à sua conta de correio e enviado a Carlos Narciso o referido comunicado.
O comunicado em causa informava que Jorge Roberto tinha sido nomeado como novo reitor da instituição, «face à declaração de renúncia apresentada pelo Professor Doutor Luíz Arouca», adiantando que tinham sido nomeados vice-reitores Carvalho Rodrigues, Raul Cunha e Rodrigo Santiago.
Porém, a direcção da SIDES encabeçada por Frederico Arouca e Maria da Conceição Campos Cardoso, que afirmam ser os legítimos representantes da empresa, negou que tenha sido nomeado uma nova equipa reitoral, salientando que vai processar criminalmente quem veiculou essa informação.
A confusão na UnI mantém-se, assim, na semana em que o ministro do Ensino Superior decide o encerramento compulsivo da instituição, uma decisão que será tomada quinta-feira.
Diário Digital / Lusa
03-04-2007 13:12:10
auto-da-fé
Quem vive num país de língua inglesa, ou lê correntemente em inglês, fica, às vezes, surpreendido por encontrar nessa língua palavras ou expressões que são directamente importadas do português.Recentemente, mencionei aqui uma dessas palavras: mandarim. A mais terrível, porém, é a expressão auto-da-fé. Não existe tradução em inglês, escreve-se em inglês como no seu original português. Aparentemente, nunca passou tal ideia pelo espírito anglo-saxónico, é uma ideia inconcebível nesta cultura, e por isso não existe uma expressão própria para a traduzir.###
O auto-da-fé é o inquérito às intenções, o julgamento à consciência, provavelmente a mais radical forma de violentação do espírito humano que a humanidade já conheceu. Uma das partes atribui à outra intenções que, na generalidade dos casos, esta nunca teve - e, se as teve, só ela as poderia confirmar - e, em seguida, julga-a com base nas intenções que ela própria lhe atribuiu. É a acusação sem possibilidade de defesa, a condenação certa.
A mentalidade do auto-da-fé está ainda hoje presente na maior parte das discussões entre portugueses, nos jornais, nas rádios e nas televisões, na blogosfera (nas caixas de comentários deste blogue, ela é omnipresente). De longe, na minha opinião, a pior característica cultural dos portugueses, a mentalidade do auto-da-fé torna inviável qualquer discussão que possa contribuir para a formação de uma opinião pública num país democrático.
A obra deve começar pelo telhado...
Descentralizar Pedras Rubras – um quase desacordo nos partidos à esquerda.
No fundo, esta gente é tão centralista como a rapaziada do Terreiro do Paço que eles tanto criticam. Perante uma manifestação da sociedade civil desenquadrada das lógicas partidárias, tratam desde logo de a desvalorizar e contrapor o "macro-enquadramento" da regionalização. Esta, nunca se fará se estivermos à espera da sua "perfeita" concepção por decreto. Surgirá naturalmente se aparecer de baixo para cima, numa estratégia de pequenos e sucessivos passos que se vão consolidando.
Os apparatchiks partidários jamais aceitarão isto. Por motivos óbvios: é algo que sai fora do seu controlo.
No fundo, esta gente é tão centralista como a rapaziada do Terreiro do Paço que eles tanto criticam. Perante uma manifestação da sociedade civil desenquadrada das lógicas partidárias, tratam desde logo de a desvalorizar e contrapor o "macro-enquadramento" da regionalização. Esta, nunca se fará se estivermos à espera da sua "perfeita" concepção por decreto. Surgirá naturalmente se aparecer de baixo para cima, numa estratégia de pequenos e sucessivos passos que se vão consolidando.
Os apparatchiks partidários jamais aceitarão isto. Por motivos óbvios: é algo que sai fora do seu controlo.
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