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23.12.06
Se fosse prioritária não seria deixada ao cuidado do estado
As necessidades prioritárias de cada um podem ser deduzidas das respectivas escolhas. As necessidades podem ser divididas em dois grandes grupos: aquelas coisas que as pessoas querem ter independência para fazer pelos seus próprios meios e aquelas coisas que as pessoas esperam que sejam feitas por outros com recursos públicos. As primeiras são aquelas que as pessoas consideram tão importantes que estão dispostas a gastar aquilo que é seu para as conseguir. As segundas são aquelas que não valem o dispêndio de recursos próprios. Ora, parece haver uma unanimidade entre os adeptos da cultura que a cultura deve pertencer à segunda categoria, isto é, à categoria das coisas que só valem a pena se forem feitas pelo estado com dinheiro público. Se a cultura fosse realmente prioritária os adeptos da cultura optariam por ser eles próprios a pagar a cultura que realmente querem em vez de ficarem à espera que o estado produza uma cultura que muitas vezes não lhes interessa.
15.12.06
1.12.06
20.10.06
Esquerda de plástico
Não percebo muito bem qual é o argumento de esquerda a favor da subsidiação de coisas como o "Teatro Plástico". Trata-se de dinheiro pago pela população em geral, o que inclui os mais pobres, para subsidiar uma actividade promovida pelas "elites" a que só assistem os membros das mesmas "elites". Qual é exactamente o valor de esquerda que é promovido com este tipo de subsidiação?
A tarefa sempre inacabada de educar os públicos
Se calhar chegou o momento de se avaliar o impacto da política de formação de públicos que os defensores da cultura subsidiada tanto defendem. Ao longo dos anos foram delapidados milhões em subsídios. Já seria altura de aparecerem resultados. No entanto, não se percebe como é que determinadas actividades culturais poderão contribuir para a formação de públicos se não têm público. Se numa região com cerca de 1.5 milhões de habitantes uma peça de teatro não consegue ter mais que 30 espectadores quanto tempo é que se espera que demorará a formação de públicos? E o maior problema é que os 30 são sempre os mesmos, que vão a todas, pelo que o contributo para a educação dos públicos é nulo. Não vale a pena gastar tanto dinheiro para educar os mesmos 30 ano após ano.
Os inimputáveis
Como bem nota JPP (leitura recomendada), a definição de cultura defendida por determinados artistas foi concebida para que se torne impossível qualquer avaliação dos resultados. A cultura é definida como aquilo que os artistas fazem, aquilo que os artistas consideram que tem valor, algo de intangível que não se pode pôr em causa e algo de que o grande público não gosta. Desta forma, o que um artista fizer está sempre bem porque é cultura, só os artistas é que podem criticar a cultura porque só eles a entendem e se o público gosta já não é cultura, é enlatado. Desta forma, os artistas, façam o que fizerem, são inimputáveis.
Visão economicista da cultura
"Subsídio à cultura" e "cultura" são sinónimos? Lendo-se o que alguns críticos do liberalismo escrevem parece que sim. Ao que parece quem é contra o "subsídio à cultura" só pode ser contra a "cultura". Ora esta tese só é defensável se se pensar que "cultura e "subsídio à cultura" são a mesma coisa. Esta identidade entre a "cultura" e "subsídio à cultura" é curiosa sobretudo quando vinda de quem acusa os liberais de economicismo.
Como sempre, o público ficou em casa
Concentração de solidariedade aos ocupantes do Rivoli reúne cerca de 100 pessoas em Lisboa
Cem pessoas ligadas à cultura concentraram-se cerca das 20h00 frente ao Teatro de São Luís, Lisboa, a manifestar solidariedade ao grupo que ocupou durante três dias o Teatro Rivoli, no Porto, para protestar contra a privatização da gestão deste espaço.
A cultura parece ser uma actividade que tem como cliente o produtor. Não é por isso estranho que sejam os produtores de actividades culturais que se manifestam e não o público a quem essas actividades culturais se deveriam dirigir.
19.10.06
O dia amanheceu calmo, embora chuvoso
O Porto aguentou 3 dias sem a cultura produzida no Rivoli. A população manteve-se calma e sem sinais de dependência. Não se registaram motins. Os especialistas garantem que as elevadas doses de cultura que os portuenses têm consumido não provocaram qualquer tipo de habituação.
Confusão entre actividade cultural e equipamento cultural II
Respondendo ao Daniel Oliveira:
1. O Rivoli é propriedade municipal. Já era antes das obras de remodelação pelo que é a Câmara do Porto quem tem legitimidade para o gerir. Se existe um protocolo entre o estado central e a câmara, então o estado central é quem tem obrigação de exigir o seu cumprimento. Até ao momento não foi feita nenhuma exigência. Mas a gestão privada não impede o cumprimento de compromissos previamente assumidos. A Câmara Municipal do Porto enquanto poder público é quem vai definir a política cultural. A gestão estará sujeita às regras definidas pela câmara. Lembro ainda ao Daniel Oliveira que actualmente a Câmara não faz a gestão cultural do Rivoli directamente. A gestão é feita desde 1997 pela CulturPorto, uma entidade de direito privado. A CulturPorto resulta de uma associação entre a Câmara e a Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo.
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2. Seria interessante que o Daniel nos explicasse em detalhe como é que o Rui Rio destruiu o Rivoli. De que duas empresas é que está a falar? Quando é que elas foram criadas? Os 3 milhões de euros que a câmara paga ao Rivoli não chegam? Como é que a criação das tais empresas justifica ou desculpa a gestão desastrosa da CulturPorto? Lembro ao Daniel que o modelo de gestão do Rivoli não foi inventado pelo Rui Rio. O Rivoli é gerido pela CulturPorto desde 1997. Lembro ainda que das receitas do Rivoli só 5% é que são receitas de bilheteira.
3. Não é verdade que com a privatização da gestão 18 companhias ficam sem palco. O Rivoli não vai fechar. Vai continuar de porta aberta, o novo concessionário tem todo o interesse em encher as salas pelo que qualquer um dessas companhias se tiver um bom projecto terá sala. Aliás, a Câmara Municipal mantém ainda o Teatro do Campo Alegre pelo que as tais 18 companhias se não conseguirem lugar no Rivoli terão lugar no Teatro do Campo Alegre.
4. Acho extraordinário o argumento "Quando se exigem 300 espectáculos anuais e a gestão de um espaço destes, sabe-se que apenas os enlatados podem usa-lo." O Daniel está a defender que o concessionário vai rejeitar espectáculos com o objectivo de cumprir a quota? Qual é a lógica? Não lhe parece que para preencher a quota de 300 espectáculos anuais o concessionário terá que aceitar mais espectáculos e não menos?
Acho ainda curioso que o Daniel pergunte: "É aceitável que uma câmara pague as obras com o dinheiro dos contribuintes para a destinar um operador escolhido à partida?" De facto é uma boa pergunta. Que vale para a CulturPorto que actualmente gere o Rivoli. O futuro operador será escolhido por concurso público, um método muito mais transparente que o processo de escolha do operador anterior.
1. O Rivoli é propriedade municipal. Já era antes das obras de remodelação pelo que é a Câmara do Porto quem tem legitimidade para o gerir. Se existe um protocolo entre o estado central e a câmara, então o estado central é quem tem obrigação de exigir o seu cumprimento. Até ao momento não foi feita nenhuma exigência. Mas a gestão privada não impede o cumprimento de compromissos previamente assumidos. A Câmara Municipal do Porto enquanto poder público é quem vai definir a política cultural. A gestão estará sujeita às regras definidas pela câmara. Lembro ainda ao Daniel Oliveira que actualmente a Câmara não faz a gestão cultural do Rivoli directamente. A gestão é feita desde 1997 pela CulturPorto, uma entidade de direito privado. A CulturPorto resulta de uma associação entre a Câmara e a Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo.
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2. Seria interessante que o Daniel nos explicasse em detalhe como é que o Rui Rio destruiu o Rivoli. De que duas empresas é que está a falar? Quando é que elas foram criadas? Os 3 milhões de euros que a câmara paga ao Rivoli não chegam? Como é que a criação das tais empresas justifica ou desculpa a gestão desastrosa da CulturPorto? Lembro ao Daniel que o modelo de gestão do Rivoli não foi inventado pelo Rui Rio. O Rivoli é gerido pela CulturPorto desde 1997. Lembro ainda que das receitas do Rivoli só 5% é que são receitas de bilheteira.
3. Não é verdade que com a privatização da gestão 18 companhias ficam sem palco. O Rivoli não vai fechar. Vai continuar de porta aberta, o novo concessionário tem todo o interesse em encher as salas pelo que qualquer um dessas companhias se tiver um bom projecto terá sala. Aliás, a Câmara Municipal mantém ainda o Teatro do Campo Alegre pelo que as tais 18 companhias se não conseguirem lugar no Rivoli terão lugar no Teatro do Campo Alegre.
4. Acho extraordinário o argumento "Quando se exigem 300 espectáculos anuais e a gestão de um espaço destes, sabe-se que apenas os enlatados podem usa-lo." O Daniel está a defender que o concessionário vai rejeitar espectáculos com o objectivo de cumprir a quota? Qual é a lógica? Não lhe parece que para preencher a quota de 300 espectáculos anuais o concessionário terá que aceitar mais espectáculos e não menos?
Acho ainda curioso que o Daniel pergunte: "É aceitável que uma câmara pague as obras com o dinheiro dos contribuintes para a destinar um operador escolhido à partida?" De facto é uma boa pergunta. Que vale para a CulturPorto que actualmente gere o Rivoli. O futuro operador será escolhido por concurso público, um método muito mais transparente que o processo de escolha do operador anterior.
18.10.06
Confusão entre actividade cultural e equipamento cultural
É muito significativa a persistência dos agentes culturais, e do editorialista do Público de hoje, na associação entre promoção da cultura por parte do estado e gestão dos equipamentos culturais. Não se percebe o que é que uma coisa pode ter a ver com a outra. Ou antes, até se percebe. Teme-se que a boa gestão dos espaços culturais impeça os habituais arranjinhos e os subsídios encapotados para amigos. De resto, a boa gestão, por empresas privadas, de um equipamento cultural não impede, antes pelo contrário, só contribui para a realização de actividades culturais com menos dinheiro, mais variedade, mais público e mais qualidade.
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É por causa desta confusão entre actividade cultural e equipamento cultural que ninguém percebe o que é que os okupas do Rivoli realmente querem. O Rivoli não vai ser vendido, não vai fechar. Vai apenas mudar de uma gestão pública pesada onde predomina o amiguismo para uma gestão privada, por concurso, onde predominará o respeito pelas regras previamente estabelecidas pela Câmara Municipal e o interesse do concessionário em encher as salas.
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É por causa desta confusão entre actividade cultural e equipamento cultural que ninguém percebe o que é que os okupas do Rivoli realmente querem. O Rivoli não vai ser vendido, não vai fechar. Vai apenas mudar de uma gestão pública pesada onde predomina o amiguismo para uma gestão privada, por concurso, onde predominará o respeito pelas regras previamente estabelecidas pela Câmara Municipal e o interesse do concessionário em encher as salas.
Paternalismo cultural
Nestas coisas da cultura há uma expressão que é todo um programa: "a formação de públicos". Trata-se do reconhecimento de que a cultura que é feita não tem público pelo que a solução não é mudar a cultura que se faz mas sim mudar o público.
16.10.06
Centralismos
Rivoli: ministra exige "garantias de que seja salvaguardado o serviço público"
Expliquem ao autor da notícia ou à ministra que o Rivoli é um teatro municipal. A ministra não está em posição de exigir o que quer que seja.
Expliquem ao autor da notícia ou à ministra que o Rivoli é um teatro municipal. A ministra não está em posição de exigir o que quer que seja.
25.7.06
Contra a gestão privada, ou a favor do subsídio encapotado?
Rui Rio decidiu privatizar a gestão do Rivoli. Note-se que decidiu privatizar a gestão e não o Rivoli. As reacções das elites do Porto são muito esclarecedoras. Em primeiro lugar, ficamos a perceber que o Rivoli é mal gerido e que andava muita gente a viver dessa má gestão. Ficamos ainda a perceber que a má gestão do Rivoli esconde formas pouco transparentes e arbitrárias de financiar as instituições culturais da cidade. Descobrimos que o estado deve subsidiar a cultura, desde que isso não beneficie o La Feria e desde que o subsídio se faça da forma mais opaca possível. As elites descobriram uma súbita vocação e interesse pela gestão de espaços culturais, desde que ela permaneça na esfera pública. Finalmente ficamos a saber que as elites portuenses não conseguem transformar um problema numa oportunidade: nenhuma das instituições culturais da cidade parece interessada em concorrer à gestão do Rivoli e ninguém exigiu uma gestão mais rigorosa dos espaços culturais acompanhada de um sistema mais rigoroso e transparente de apoios à cultura.
Nota: A gestão privada dos espaços culturais não é incompatível nem com a direcção pública da política cultural desses espaços nem com o financiamento público da cultura.
Nota: A gestão privada dos espaços culturais não é incompatível nem com a direcção pública da política cultural desses espaços nem com o financiamento público da cultura.
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