País socialista precisa de ajuda
Segundo o Irreflexões, há um país socialista que precisa de ajuda. Os planos quinquenais só podem dar nisto. Mas porque raio foram construir uma rede ferroviária com excesso de capacidade? E agora, os liberais que resolvam o problema, não é?
Pois que se venda na bolsa pelo melhor preço.
Não é por uma empresa deter o monopólio de uma rede ferroviária que fica imune à concorrência.
O transporte ferroviário compete directamente com todos os outros tipos de transporte, cada um dos quais com as suas vantagens competitivas e com o seu potencial de inovação.
Não é verdade que "a tentação natural seja a de acumular ineficiências várias, uma vez que a cobertura dos preços está assegurada, pela captura absoluta da procura."
Um gestor de uma empresa ferroviária monopolista tem que inovar porque tem que responder à concorrência dos outros meios de transporte, porque tem que atrair accionistas e porque tem que se precaver contra novos empreendedores.
Um monopólio não pode acumular ineficiências porque a evolução tecnológica não pára e a acumulação de capital noutros sectores da economia também não. Se a rentabilidade do monopólio for inferior à rentabilidade noutros sectores, os accionistas podem ter lucro, mas estão a perder dinheiro. Se o monopolista não se modernizar e se praticar preços demasiado altos, gera-se uma oportunidade que pode ser aproveitada por empreendedores atraídos pela elevada rentabilidade potencial do sector. Os novos empreendedores não precisam de construir uma nova rede ferroviária para entrarem no negócio e para ganharem dinheiro. Precisam apenas de atacar as linhas mais vulneráveis. E, graças à inovação tecnológica, as novas linhas podem ter custos de operação mais baixos, tempos de viagem mais baixos e até podem ter preços mais altos.
2.6.04
Classe política apela à Abstenção II...
...ou como a velha sabedoria popular acaba sempre por se impor!
Depois das elevadas (e de grande pertinência política!) declarações do jovem J.Almeida sobre Sousa Franco (o tal "senhor careca e de óculos esquisitos", segundo este recém-incontornável jota-deputado), o facto é que outro ainda jovem, mas concerteza muitíssimo "maduro" e vivido deputado, afecto à "Força Portugal", também do CDS-PP, permitiu-se qualificar publicamente o dito cabeça de lista do PS como exemplo de "incoerência de vida"...
Não está disponível nenhum link para tais declarações de Nuno Melo que, contudo, foram proferidas no decurso de um debate/forúm sobre as eleições ao PE (com a participação de alguns telespectadores, pelo telefone), promovido pela RTP 2 (rectius,a "2"), ontem à noite (1 de Junho)!
É curiosa a ligeireza com que, apesar do contexto de refrega político-partidária, apesar do ambiente de campanha, certos "jovens" se permitem discorrer e qualificar PESSOALMENTE os adversários que até poderiam ser seus pais (e, sobretudo, deixam, publica e reconhecidamente, obra feita na denominada "sociedade civil" - quer concordemos ou não politicamente com as respectivas opções e posicionamentos).
Mas, Nuno Melo acabou, no decurso da sua participação em tal programa, por nos revelar (de forma inconsciente) a verdadeira razão da crónica e insistente abstenção que normalmente varre as eleições para o PE:
apreciando a composição da lista que mais directamente se opõe à sua "Força Portugal", disse que esta era composta ou por ex ministros Guterristas, com quem se queria "arrumar" internamente ou então, por outros políticos do PS que, apesar de tudo, em algum momento, se tinham já mostrado incómodos - sendo certo que, em ambos os casos, o objectivo era "mandá-los para o PE", de forma a que (falando directamente) não chateassem e se tornassem inócuos! - conclusão nossa.
Ora, cá está: é isto que uma boa parte das estruturas partidárias pensa sobre o PE! Uma espécie de "prateleira dourada" para colocar em "banho maria" quem, por alguma razão, faz mossa cá dentro! Foi isto que (inconscientemente) Nuno Melo (não) disse e pensou!
Assim sendo, faz todo o sentido que, sistematicamente, no decurso da presente campanha, se discuta quase tudo e, sobretudo, quase nada tenha a ver com a União Europeia!
Faz também todo o sentido que uma larga maioria dos portugueses se desinteresse das eleições em causa, já que, bem vistas as coisas, a mensagem transmitida é a de que o PE (e a União Europeia, a Integração, etc., etc.) serve para, prioritariamente, serem escoados os políticos que, ou por conveniência, ou por irrelevância, é bom que não estejam cá dentro!
A abstenção mais não é, bem vistas as coisas, do que um mero caso de sabedoria popular!
Depois das elevadas (e de grande pertinência política!) declarações do jovem J.Almeida sobre Sousa Franco (o tal "senhor careca e de óculos esquisitos", segundo este recém-incontornável jota-deputado), o facto é que outro ainda jovem, mas concerteza muitíssimo "maduro" e vivido deputado, afecto à "Força Portugal", também do CDS-PP, permitiu-se qualificar publicamente o dito cabeça de lista do PS como exemplo de "incoerência de vida"...
Não está disponível nenhum link para tais declarações de Nuno Melo que, contudo, foram proferidas no decurso de um debate/forúm sobre as eleições ao PE (com a participação de alguns telespectadores, pelo telefone), promovido pela RTP 2 (rectius,a "2"), ontem à noite (1 de Junho)!
É curiosa a ligeireza com que, apesar do contexto de refrega político-partidária, apesar do ambiente de campanha, certos "jovens" se permitem discorrer e qualificar PESSOALMENTE os adversários que até poderiam ser seus pais (e, sobretudo, deixam, publica e reconhecidamente, obra feita na denominada "sociedade civil" - quer concordemos ou não politicamente com as respectivas opções e posicionamentos).
Mas, Nuno Melo acabou, no decurso da sua participação em tal programa, por nos revelar (de forma inconsciente) a verdadeira razão da crónica e insistente abstenção que normalmente varre as eleições para o PE:
apreciando a composição da lista que mais directamente se opõe à sua "Força Portugal", disse que esta era composta ou por ex ministros Guterristas, com quem se queria "arrumar" internamente ou então, por outros políticos do PS que, apesar de tudo, em algum momento, se tinham já mostrado incómodos - sendo certo que, em ambos os casos, o objectivo era "mandá-los para o PE", de forma a que (falando directamente) não chateassem e se tornassem inócuos! - conclusão nossa.
Ora, cá está: é isto que uma boa parte das estruturas partidárias pensa sobre o PE! Uma espécie de "prateleira dourada" para colocar em "banho maria" quem, por alguma razão, faz mossa cá dentro! Foi isto que (inconscientemente) Nuno Melo (não) disse e pensou!
Assim sendo, faz todo o sentido que, sistematicamente, no decurso da presente campanha, se discuta quase tudo e, sobretudo, quase nada tenha a ver com a União Europeia!
Faz também todo o sentido que uma larga maioria dos portugueses se desinteresse das eleições em causa, já que, bem vistas as coisas, a mensagem transmitida é a de que o PE (e a União Europeia, a Integração, etc., etc.) serve para, prioritariamente, serem escoados os políticos que, ou por conveniência, ou por irrelevância, é bom que não estejam cá dentro!
A abstenção mais não é, bem vistas as coisas, do que um mero caso de sabedoria popular!
1.6.04
Dirigismo estatal
Meu Caro Irreflexões, este País anda há anos a clamar por menos e melhor Estado e o resultado tem sido sistematicamente o oposto. Já estou cansado de ouvir falar em remodelações, reconversões, reestruturações, reformas e outros objectivos igualmente nobres e palavrosos e que se consubstanciam sempre em admissões adicionais de boys.
A minha descrença nos benefícios da intervenção do Estado na economia não tem tanto a ver com razões ideológicas, mas sobretudo com a lógica de funcionamento daquele. O Estado não se move por razões racionais - falta-lhe o motivante objectivo lucro - e isto, conjugado com a inexistência de competências nucleares ao nível da Administração Pública e com uma gestão de recursos humanos que não premeia o mérito nem sanciona as falhas, conferem-lhe uma total e gritante incapacidade para gerir processos. Fossem estas restrições ultrapassadas, subsistiria ainda a lógica dos interesses que, embora disfarçada sob a capa da ideologia, beneficia na prática as corporações instaladas. Para além disso, os burocratas do Estado não têm nem nunca terão o monopólio do conhecimento e da informação, como o João Miranda muito bem demonstrou em tempos.
Mas passando ao seu interessante exemplo:
1. O seu raciocínio tem implícito o cómodo pressuposto caeteris paribus. Mas mesmo admitindo que ele se verifica, o excesso de oferta na capacidade da rede seria, tarde ou cedo e em mercado aberto, colmatado pelo aparecimento de novos operadores com estruturas de custos agressivas. De certa forma é o que acontece com o mercado de aviação americano, onde um excesso de capacidade conjugado com a enorme retracção da procura verificada desde o 11 de Setembro, não impediu que as low-cost carriers continuassem a crescer, quer em volume, quer em quota de mercado e, mais importante, a ganharem dinheiro. Sintomático aliás, o recente recuo nos aumentos de preços por parte das grandes companhias motivado pelo disparo nas cotações do crude. Ou seja, releva sobretudo a racionalidade na estrutura de custos dos operadores.
2. Contudo, a economia é dinâmica e a concorrência é transversal a todo o sector dos transportes e não apenas no sub-sector ferroviário. Se os operadores praticam preços anormalmente elevados por via por via da repercussão dos custos totais da estrutura (rede), os utilizadores tenderão a privilegiar outras alternativas, incluindo o saudável gasto de mais solas. À medida que os operadores ferroviários fossem saindo do mercado, os remanescentes teriam de suportar uma fatia crescente dos custos de estrutura até que chegaríamos a um ponto em que o monopolista da rede não teria ninguém a quem facturar.
Não tenho porém nenhuma solução milagrosa para manter o equilíbrio entre os vários sub-sectores dos transportes, nem certezas absolutas. Mas numa perspectiva liberal, considero aceitável o papel das entidades reguladoras que vêm funcionando razoavelmente nalguns países. Sendo embora organismos do Estado, detêm alguma especialização em cada sector e mantêm uma grande independência face àquele. O seu objectivo fundamental é velar pela manutenção da concorrência, pela prevenção de abusos de posição dominante, vigiar os chamados monopólios naturais e sancionar as más práticas. Não tenho dúvidas que também neles se verifica um défice de conhecimento e de informação, se bem que em muito menor escala. A bem da racionalidade, parece-me igualmente que todos os agentes do mercado deverão ser privados.
A minha descrença nos benefícios da intervenção do Estado na economia não tem tanto a ver com razões ideológicas, mas sobretudo com a lógica de funcionamento daquele. O Estado não se move por razões racionais - falta-lhe o motivante objectivo lucro - e isto, conjugado com a inexistência de competências nucleares ao nível da Administração Pública e com uma gestão de recursos humanos que não premeia o mérito nem sanciona as falhas, conferem-lhe uma total e gritante incapacidade para gerir processos. Fossem estas restrições ultrapassadas, subsistiria ainda a lógica dos interesses que, embora disfarçada sob a capa da ideologia, beneficia na prática as corporações instaladas. Para além disso, os burocratas do Estado não têm nem nunca terão o monopólio do conhecimento e da informação, como o João Miranda muito bem demonstrou em tempos.
Mas passando ao seu interessante exemplo:
1. O seu raciocínio tem implícito o cómodo pressuposto caeteris paribus. Mas mesmo admitindo que ele se verifica, o excesso de oferta na capacidade da rede seria, tarde ou cedo e em mercado aberto, colmatado pelo aparecimento de novos operadores com estruturas de custos agressivas. De certa forma é o que acontece com o mercado de aviação americano, onde um excesso de capacidade conjugado com a enorme retracção da procura verificada desde o 11 de Setembro, não impediu que as low-cost carriers continuassem a crescer, quer em volume, quer em quota de mercado e, mais importante, a ganharem dinheiro. Sintomático aliás, o recente recuo nos aumentos de preços por parte das grandes companhias motivado pelo disparo nas cotações do crude. Ou seja, releva sobretudo a racionalidade na estrutura de custos dos operadores.
2. Contudo, a economia é dinâmica e a concorrência é transversal a todo o sector dos transportes e não apenas no sub-sector ferroviário. Se os operadores praticam preços anormalmente elevados por via por via da repercussão dos custos totais da estrutura (rede), os utilizadores tenderão a privilegiar outras alternativas, incluindo o saudável gasto de mais solas. À medida que os operadores ferroviários fossem saindo do mercado, os remanescentes teriam de suportar uma fatia crescente dos custos de estrutura até que chegaríamos a um ponto em que o monopolista da rede não teria ninguém a quem facturar.
Não tenho porém nenhuma solução milagrosa para manter o equilíbrio entre os vários sub-sectores dos transportes, nem certezas absolutas. Mas numa perspectiva liberal, considero aceitável o papel das entidades reguladoras que vêm funcionando razoavelmente nalguns países. Sendo embora organismos do Estado, detêm alguma especialização em cada sector e mantêm uma grande independência face àquele. O seu objectivo fundamental é velar pela manutenção da concorrência, pela prevenção de abusos de posição dominante, vigiar os chamados monopólios naturais e sancionar as más práticas. Não tenho dúvidas que também neles se verifica um défice de conhecimento e de informação, se bem que em muito menor escala. A bem da racionalidade, parece-me igualmente que todos os agentes do mercado deverão ser privados.
ATENÇÃO PORTISTAS: ALERTA VERMELHO!
O pior treinador do mundo foi despedido pelo Sporting.
O F.C. Porto anda à procura do sucessor de Mourinho, mas ainda não o encontrou.
O momento é especialmente perigoso. É sabido que a característica que Pinto da Costa mais aprecia nos treinadores são as afinidades pessoais - é bom lembrar que os antecessores de Mourinho foram a figura histriónica de Octávio e o malfadado Santos, o pior treinador do mundo.
Este último continua nas melhores relações de Pinto da Costa.
O cenário infernal pode precipitar-se caso a primeira e a segunda hipótese de contratação não se efectivarem - aí, poderá ocorrer a desgraçada ideia de reincidir com Santos, o pior treinador do mundo!
Todo o cuidado e a prudente vigilância de sócios e adeptos não serão demais.
Coisas da Moda
Atitudes - Indignação, laxismo, lágrimas de crocodilo, forum mulher
Valores proscritos - moral, trabalho, avaliação, competição, riqueza, deveres
Termos - Auto-estima, Portugal Positivo, depressão, conteúdos, públicos, desígnio nacional, desemprego, miséria, alter-globalização, direitos, categoria, cobarde
Mito economicamente correcto - viabilidade da Bombardier
Populismo - políticos no estádio, entrevistas de rua, forum TSF
Virtualidade - campanha eleitoral
Realidade - abstenção
Inteligência asinina - George W. Bush
Inteligência porcina - Michael Moore
Hipocrisia - filantropia do Rock in Rio
A frase mais alarve - Foi bonita a festa, pá!
Valores proscritos - moral, trabalho, avaliação, competição, riqueza, deveres
Termos - Auto-estima, Portugal Positivo, depressão, conteúdos, públicos, desígnio nacional, desemprego, miséria, alter-globalização, direitos, categoria, cobarde
Mito economicamente correcto - viabilidade da Bombardier
Populismo - políticos no estádio, entrevistas de rua, forum TSF
Virtualidade - campanha eleitoral
Realidade - abstenção
Inteligência asinina - George W. Bush
Inteligência porcina - Michael Moore
Hipocrisia - filantropia do Rock in Rio
A frase mais alarve - Foi bonita a festa, pá!
ALARGAMENTO E APROFUNDAMENTO
Os desígnios da ordem social espontânea são insondáveis, mas cumprem-se, tarde ou cedo. A entrada do João Miranda no Blasfémias decorreu da livre actuação das forças do mercado blogosférico: foi um acto de racionalidade e de concentração de esforços e, no caso do João, de talento. Ao aceitar o convite que lhe fizemos, o João Miranda encheu-nos de orgulho. Tê-lo connosco é facultar aos nossos leitores o que de melhor se escreve na blogosfera política portuguesa. Dentro do possível, o Blasfémias continuará no caminho do alargamento e do aprofundamento da qualidade, sem querer, por idiossincrasia, tomar uma posição monopolista de mercado.
Bem-vindo, João e bom trabalho!
Bem-vindo, João e bom trabalho!
Classe política apela à abstenção
Candidata da coligação diz que Sousa Franco é um "homem sem categoria"
Sousa Franco acusa Paulo Portas de arrastar o PSD para a lama
António Costa: PSD e CDS-PP formam "coligação de puro oportunismo"
Paulo Portas diz que Sousa Franco é "pai, mãe, avô, avó, gato e periquito do défice"
Deus Pinheiro desafia portugueses a escolher entre "ódio" e "alegria"
Sousa Franco acusa coligação PSD/CDS-PP de "jogar na abstenção"
BE acusa Durão Barroso de violar de deveres de isenção
Sousa Franco subscreve queixa do BE contra Durão Barroso
Estás farto? Vota em quem lhes bate forte!
o tal senhor careca, de óculos grandes esquisitos
Miguel Portas Apela ao Voto no BE para "Castigar" o Governo
"Além de jogar golfe, também gosto de futebol, andebol, faço karaté, um pouco de ginástica e outros desportos que seria ocioso mencionar"
Sousa Franco acusa Paulo Portas de arrastar o PSD para a lama
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