20.12.04

Sonhadores na política? Não, obrigado!

Ontem, um conjunto de professores da Faculdade de Economia do Porto escrevia o seguinte no Público:

Como podem aqueles jovens, os mais capacitados, os mais sonhadores, os mais tocados pela vocação política - que os há ainda muitos - combater sozinhos a barragem intransponível que enfrentam nas portadas dos partidos?.


De facto não podem. O que até não é mau de todo. Pelo menos os sonhadores ficam fora da política. Evitam-se muitas asneiras. A política não é para os jovens cumprirem os seus sonhos com os recursos dos outros.

Condecorações?

Paulo Portas condecora e homenageia militares portugueses mortos na Bósnia.
Porquê?
Os únicos soldados portugueses que morreram foi devido a manuseamento indevido de duas minas anti-pessoal e outros 2 devido a "despiste fatal" da viatura em que seguiam.
Não vejo motivo para lhes ser atribuída mais uma carica.

Administração Pública

Pensava eu que quando se fazia um Orçamento de Estado ou se cabimentava uma verba, se tinham em conta os compromissos financeiros para o próximo ano, tudo devidamente justificado. E que tal seria do conhecimento ou estaria acessível aos gestores da administração pública, nomeadamente os seus máximos responsáveis: o Secretário de Estado e o Ministro respectivo.
Mas não. Leio que o Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Agricultura ficou muito espantado por se estar a pagar uma renda de umas instalações em Vila Real, que não são utilizadas pelos serviços há mais de 2 anos.
Fez muito bem bem em mandar averiguar a situação. Esperemos que seja corrigida, que o ou os responsáveis por tal situação sejam punidos, e que seja pedido de volta o dinheiro pago indevidamente.
Mas fico com sérias dúvidas ( se as houvesse, claro...), sobre como é administrado o Estado. Então não existe uma relação actualizada e actualizável do património e instalações afectas a cada ministério? Uma relação com os respectivos compromissos financeiros, por forma a serem devidamente ponderados os respectivos custos/beneficios e se tomarem as decisões que potenciam a sua boa gestão? São orçamentadas verbas para pagamento de serviços inúteis e sem qualquer utilização?
Alguém tem controle sobre alguma coisa? E o que se passará com os bens móveis? Os telefones, os carros? Nem quero pensar....

Prémios

Obrigado ao Altino, pela distinção.

"O Fenómeno dos Blog's em Portugal"

Um estudo sobre a LusaBlogosfera, de Joana Baptista.

Só agora, por "portas travessas", é que deparei com com ele. Já terá alguns dados desactualizados, porém, vale como contributo para a comprensão do que é o fenómeno.

Bloco de Esquerda ajuda o PS

Bloco Pronto para Apoiar Governo Minoritário do PS

Os bloquistas vão ajudar o PS a consolidar as finanças públicas. Para isso querem acabar com o Pacto de Estabilidade.

Os bloquistas vão ajudar o PS a modernizar a economia portuguesa. Para isso querem revogar o Pacote Laboral.

Os bloquistas vão ajudar o PS a desenvolver da biotecnologia em Portugal. Para isso, o Bloco quer impedir a utilização de organismos geneticamente modificados.

Os bloquistas vão ajudar o PS a reformar o Serviço Nacional de Saúde. Para isso, o Bloco quer acabar com os Hospitais-Empresa.

Nação, País ou Estado?

Desenvolvendo este pensamento:

A Nação designa um povo, uma comunidade ligada por laços culturais, religiosos, de tradição e que partilha interesses, necessidades e aspirações comuns. A língua ou a raça podem constituir outros laços identitários, não sendo porém fundamentais. Sendo essencialmente uma cultura, a Nação pode estar geograficamente dispersa e não implica a existência de um País, conceito que designa sobretudo um território. Este, tem geralmente uma instituição - o Estado - a administrá-lo, podendo incluir uma ou várias Nações, como é o caso concreto de Espanha. Se o Estado é algo de muito "materialista" e necessita de um território para se justificar, a Nação subsiste sem País ou sem Estado. Veja-se o caso da Nação judaica, cuja existência antecede de vários séculos a formação do Estado de Israel.

Portugal instituiu-se como um Estado - ou um Reino, se assim o entendermos - por pura ambição autonomista e de laivos matricidas de D. Afonso Henriques, sem que existisse antes uma Nação a dar-lhe consistência. Se alguns traços identitários existiam na altura, eles abrangiam toda a comunidade galaico-portucalense e não deveria haver especificidades de maior face a Leão ou às Astúrias. O País que se foi formando com o alargamento do território para Sul, foi no início bem mais heterogéneo, integradas que foram populações de cultura islâmica, os então designados moçárabes.

Toda a nossa expansão marítima posterior, todas as nossas fases de maior fulgor estiveram sempre ancoradas no Estado, às vezes voluntarioso mas nunca a saber definir uma estratégia, sempre ávido e propenso à delapidação, jamais disposto a capitalizar os recursos abundantes que esporadicamente conseguiu reunir. Nunca alguém singrou fora da sua esfera, nem alguma vez geramos elites que dele se conseguissem autonomizar. Se necessidades e aspirações comuns temos ou tivemos enquanto povo, delegamos sempre a sua formulação no Estado que pontualmente estabelece alguns "desígnios" tão prosaicos quão trágicos ou espalhafatosos, tipo Convento de Mafra, a guerra colonial, a Expo 98 ou o Euro 2004 e dos quais saímos invariavelmente mais pobres.

Em fases de maior penúria, acontece a emigração e o regresso, quando ocorre, é mais forçado - por convulsões políticas como a descolonização - que voluntário. Não fosse aquela, e muitos de nós considerar-nos-iamos hoje mais angolanos ou moçambicanos que portugueses. Curiosamente, livres do espartilho do Estado, vamo-nos destacando na diáspora, seja como simples operários, investigadores ou empreendedores - a maior potência do hemisfério sul, o Brasil, é uma criação nossa, em miscigenação com outros povos.

É aliás única esta nossa capacidade de miscigenação, de nos integrarmos em outras Nações, explicável talvez pela debilidade da nossa cultura. Mesmo a língua, quiçá o nosso maior traço identitário e considerado por alguns como a nossa verdadeira Pátria, não subsiste para além da 2ª geração de emigrantes. A Nação de facto não existe, apenas o Estado. Mas esta é uma instituição que, por todo o lado apresenta claros sinais de caducidade, incapaz de acompanhar a dinâmica da globalização. Quando o Estado luso se desagregar por completo, tenderemos a abrigar-nos debaixo do Estado espanhol, o único que aceitaria acolher-nos. A questão é saber se, na altura, ainda existe Estado espanhol...