3.1.05

Leitura recomendada

The Perils of Empire
Statement of Principles by the Coalition for a Realistic Foreign Policy

John Quincy Adams once declared that America "goes not abroad in search of monsters to destroy. She is the well-wisher to the freedom and independence of all. She is the champion and vindicator only of her own." Those wise words still ring true. A restrained and focused foreign policy will best protect the liberty and safety of the American people in the 21st century. Conversely, an imperial policy will jeopardize all that we hold dear.

Dogmatismo, tirania e escravidão

A dogmatic belief in objective value is necessary to the very idea of a rule which is not tyranny or an obedience which is not slavery

- C. S. Lewis, The Abolition of Man

Read my lips

PS pondera aumento do IVA após as eleições

SÓCRATES: Mexer nos impostos sim, mas IVA não vai subir

PSD defende descida dos impostos

E AGORA, CAROS LR E RAF?

Há dias, a propósito de Aguiar Branco ser o cabeça de lista no Porto do PSD, escrevi o seguinte:
«Porquê? O que leva alguém reconhecidamente sério a servir de acólito a uma liderança partidária desqualificada sob todos os pontos de vista?Que argumentos terão a força suficiente para que Aguiar Branco se confunda, talvez irremediavelmente, no "santanal" de gente sem princípios, sem critérios nem outros fins que não sejam o lugarzito pós-eleitoral? Que motivos poderão justificar este "branqueamento" da pior direcção laranja de sempre? Não saberá Aguiar Branco que só vai à frente para que não se vejam os que vêm atrás?»

Nada me move contra Pôncio Monteiro (é uma figura com quem até simpatizo, no seu devido lugar), já indigitado como nº 2 da mesma lista - mas se não existisse, na mente iludida de alguns, o mítico receio do PSD poder perder votos por via dos anátemas de alguns homens da bola, será que ele faria parte dos candidatos?
Não estaremos perante uma cedência tremenda aos líderes de claques?
Não se estará a outorgar a esse microcosmos dos dirigentes futeboleiros uma importância que eles não têm nem nunca tiveram?
Com isto - para além da figura concreta dos protagonistas - não se estará a potenciar irremediavelmente a promiscuidade entre o futebol e a política?

E. já agora, não reconhecem os meus amigos que tanto se indignaram com esta minha posta que JPAB estará no ingrato papel de servir de capa a estes e a outros insondáveis interesses presentes na mesma lista?

ANO NOVO, VIDA NOVA

Só por uma incontrolável pulsão optimista, poderemos ser levados a acreditar que o ano que há poucas horas acabou de estrear poderá fazer de Portugal um país diferente do que há muitos anos existe. Menos ainda, quando essa esperança se encontra fundada num ciclo de eleições em catadupa, aguardando que delas possa resultar alguma coisa que nos dê ânimo e um país melhor.
Os indícios, de resto, estão já à vista de todos. Para as eleições legislativas de Fevereiro, por exemplo, repete-se a «dança das cadeiras» entre os candidatos dos partidos do regime, ficando tudo na mesma, com ligeiras alterações de quem se candidata por onde. Na verdade, o tom patrimonialista com que os directórios partidários tratam o país e o Estado, levam-os ao despudor de candidatarem autarcas e viúvas por círculos eleitorais de pura conveniência, sem qualquer ligação real aos eleitorados e às comunidades, como se o poder que irão exercer e o aparelho que o suporta fossem coisas suas, propriedade privada de uma elite dirigente que verdadeiramente não carece de prestar contas a ninguém. E, de facto, assim é.
É preciso perceber que, com algumas excepções circunstanciais e efémeras, Portugal vive, desde o chamado «liberalismo» século XIX, num rotativismo político em que a classe dirigente se reparte por duas grandes forças do «centro», uma tendencialmente situada mais à esquerda e outra à direita. O sistema eleitoral, que verdadeiramente só se universalizou e democratizou com a III República, perpétua intencionalmente a situação, e transformou-se na «vaca sagrada» do regime, na qual não se pode bulir para não ferir os interesses de quem governa.
Por isso, qualquer verdadeira alteração do sistema, nomeadamente, aproximando-o dos cidadãos e reforçando o controlo democrático dos poderes públicos, terá fatalmente de passar por uma profundíssima reforma do sistema eleitoral, que retire aos directórios partidários o férreo poder que há muito exercem sobre a sociedade portuguesa. Até lá, é absolutamente indiferente saber que partido nos governa. No fim de contas, mande o PS ou o PSD, chame-se Sócrates, Santana ou Barroso o primeiro-ministro, quem manda e mandará em Portugal é e será sempre a mesma gente, obedecendo a uma lógica e a interesses que são muito mais dos grupos a que pertencem, do que dos cidadãos que os sustentam e que dizem representar.

Dica eleitoral

Cuidado! A expressão "falar verdade" é um prenúncio de uma série de mentiras.

ONDAS DE PAIXÃO

O nosso país há bastante tempo que vive de emoções. Tudo se agita, tudo se move, tudo se mobiliza ao sabor de uma boa onda de paixão, de emoção. É a Casa Pia, é o Euro 2004, é o Governo Lopes, é a morte de Feher ou de Sousa Franco, é o maremoto, é o Iraque, é o Bush, é o 11/03, são os fogos, é o Caso «Joana», é o défice, é o «apito dourado»....
A cena pública em Portugal é uma enxurrada de emoções, uma vaga enorme, e depois.... tudo passa e tudo fica igual. Como que à espera da próxima vaga. É um estado permanente de euforia/depressão, do qual, aparentemente, nada resulta de concreto.
Em 2005 não se prevê mudança do cenário. Para além dos eternos candidatos nacionais a desaparecimento emotivo, como sejam Cunhal, a irmã Lúcia e o Papa, teremos emoções e paixões a rodos na campanha eleitoral (género por natureza eufórico/depressivo), no caso Casa Pia, no futebol, no défice, nos fogos de verão, e tantos outros eteceteras que os media se encarregarão de colorir com, alternadamente, cores vivas ou negras, para gáudio e entretenimento geral.