1.9.05
O prozac dos pobres
As eleições são uma espécie de prozac dos pobres. Geram muitas expectativas, criam muitas ilusões, mas o efeito passa depressa, a desilusão é inevitável. Depois da desilusão, o paciente preocupa-se com a próxima dose, a qual, essa sim, será a dose que resolverá definitivamente os seus problemas. As presidenciais são a próxima dose.
Para que não haja dúvidas
O Ciberduvidas da Língua Portuguesa é uma iniciativa muito meritória e cheia de interesse. A sua popularidade e elevado número de utilizadores atesta bem a sua qualidade e êxito.No entanto, os seus promotores defrontam dificuldades económicas que estão a colocar em risco a sua continuidade. Nesse sentido, foi colocada a correr uma petição para que o governo, de alguma forma, sustente o projecto. O seu actual promotor, em email enviado e publicado no abrupto dá conta dos esforços que já desenvolveu para encontrar patrocínios. O que se tem revelado infrutífero. A verba necessária para a manutenção daquele projecto ronda os 5 mil euros mensais.
A estes dados, acresce que:
1. Os seus promotores não pretendem tornar comercial tal projecto, mas manter o seu carácter universal e gratuito;
2. Não estão dispostos á sua venda, por temerem a sua adulteração, nomeadamente por via comercial;
3. Entenderam que a única forma de viabilização económica de tal projecto seria o mesmo ser patrocinado por uma qualquer grande instituição, pública ou privada. Como as mesmas não responderam positivamente, solicitam agora ajuda directa do Estado.
Sobre o ponto 1 e 2, não tenho nada de especial a dizer, pois que tal decorre da autonomia e interesses próprios dos seus promotores, e os mesmos estão conscientes das prováveis ou previsíveis consequências. Não há que discutir.
Já sobre o ponto 3, julgo o seguinte:
- tal estratégia está condenada ao fracasso, uma vez que é sabido que tais «grandes instituições», públicas ou privadas, não necessitam, para a sua promoção ou dos seus serviços de publicidade do tipo solicitado. Em consequência, todo e qualquer patrocínio que seja por estas concedido tem uma dimensão política, que, pelos vistos, não está ao alcance de ser proporcionada aos actuais promotores.
A ajuda directa do governo está também ela dependente do factor político, para além de ser injusta, iníqua e ineficiente, caso fosse alcançada.
Então, que fazer? Não há alternativas?Julgo que sim e deixo aqui (gratuitamente), algumas que podem ser exploradas.
1. Sem subverter o carácter não comercial de tal projecto (questão essencial para os seus promotores), não vejo porque não possa ser solicitado aos utilizadores ajuda financeira, voluntária e incondicional. Muitas ong's e outras instituições sem fins lucrativos o fazem, apelando ao sentido solidário e de suporte ás actividades por si desenvolvidas. É um caminho que ainda não foi explorado.
2. Diferenciar produtos e serviços: podem ser criados diversos níveis de serviços, uns universais, mantendo as actuais características e outros comerciais, de nível mais elevado e por natureza de público mais restrito, mas potencialmente mais aberto ao seu pagamento.
3. Existem hoje ferramentas digitais para a realização de micro-pagamentos (exemplo: paypal), os quais poderiam ser solicitados apenas a certas categorias de utilizadores, ou mesmo numa base de apoio (tipo «liga de amigos»).
4. Não sei até que ponto foram exploradas outras alternativas de suporte promocional, nomeadamente junto de empresas e serviços online privados, os quais, para além de suporte directo financeiro, poderiam também adquirir em exclusivo ou de forma personalizada tais serviços. Penso por exemplo em portais de internet, livrarias, editoras ou empresas de telecomunicações que tivessem nos seus sites um canal «ciberdúvidas».
5. Tendo tal projecto uma dimensão supranacional, devido ao factor específico do mercado «língua», também se desconhecem se houve tentativas de suporte publicitário/patrocínio junto do seu potencial maior mercado: o brasileiro. Recorde-se que o mercado de internet naquele país é substancialmente mais desenvolvido do que em Portugal.
6. Por último, os seus promotores poderiam explorar produtos/serviços complementares e subsidiários, que de alguma forma servissem de suporte financeiro ao projecto. Por exemplo, a edição de livros e cd's temáticos. Nunca esquecendo a dimensão global do mercado da língua portuguesa.
Boa sorte.
A estes dados, acresce que:
1. Os seus promotores não pretendem tornar comercial tal projecto, mas manter o seu carácter universal e gratuito;
2. Não estão dispostos á sua venda, por temerem a sua adulteração, nomeadamente por via comercial;
3. Entenderam que a única forma de viabilização económica de tal projecto seria o mesmo ser patrocinado por uma qualquer grande instituição, pública ou privada. Como as mesmas não responderam positivamente, solicitam agora ajuda directa do Estado.
Sobre o ponto 1 e 2, não tenho nada de especial a dizer, pois que tal decorre da autonomia e interesses próprios dos seus promotores, e os mesmos estão conscientes das prováveis ou previsíveis consequências. Não há que discutir.
Já sobre o ponto 3, julgo o seguinte:
- tal estratégia está condenada ao fracasso, uma vez que é sabido que tais «grandes instituições», públicas ou privadas, não necessitam, para a sua promoção ou dos seus serviços de publicidade do tipo solicitado. Em consequência, todo e qualquer patrocínio que seja por estas concedido tem uma dimensão política, que, pelos vistos, não está ao alcance de ser proporcionada aos actuais promotores.
A ajuda directa do governo está também ela dependente do factor político, para além de ser injusta, iníqua e ineficiente, caso fosse alcançada.
Então, que fazer? Não há alternativas?Julgo que sim e deixo aqui (gratuitamente), algumas que podem ser exploradas.
1. Sem subverter o carácter não comercial de tal projecto (questão essencial para os seus promotores), não vejo porque não possa ser solicitado aos utilizadores ajuda financeira, voluntária e incondicional. Muitas ong's e outras instituições sem fins lucrativos o fazem, apelando ao sentido solidário e de suporte ás actividades por si desenvolvidas. É um caminho que ainda não foi explorado.
2. Diferenciar produtos e serviços: podem ser criados diversos níveis de serviços, uns universais, mantendo as actuais características e outros comerciais, de nível mais elevado e por natureza de público mais restrito, mas potencialmente mais aberto ao seu pagamento.
3. Existem hoje ferramentas digitais para a realização de micro-pagamentos (exemplo: paypal), os quais poderiam ser solicitados apenas a certas categorias de utilizadores, ou mesmo numa base de apoio (tipo «liga de amigos»).
4. Não sei até que ponto foram exploradas outras alternativas de suporte promocional, nomeadamente junto de empresas e serviços online privados, os quais, para além de suporte directo financeiro, poderiam também adquirir em exclusivo ou de forma personalizada tais serviços. Penso por exemplo em portais de internet, livrarias, editoras ou empresas de telecomunicações que tivessem nos seus sites um canal «ciberdúvidas».
5. Tendo tal projecto uma dimensão supranacional, devido ao factor específico do mercado «língua», também se desconhecem se houve tentativas de suporte publicitário/patrocínio junto do seu potencial maior mercado: o brasileiro. Recorde-se que o mercado de internet naquele país é substancialmente mais desenvolvido do que em Portugal.
6. Por último, os seus promotores poderiam explorar produtos/serviços complementares e subsidiários, que de alguma forma servissem de suporte financeiro ao projecto. Por exemplo, a edição de livros e cd's temáticos. Nunca esquecendo a dimensão global do mercado da língua portuguesa.
Boa sorte.
Pão e Socialismo, cada qual come o que quer
Mário Soares, o político que em tempos se apelidou de «fixe», decidiu ontem «aceitar» ser candidato à Presidência da República. «Aceitou», diz ele, porque pretende combater o «pessimismo». E porque considera que se instalou o «indiferentismo».
A mim, ao contrário de outros, não me preocupa a idade avançada de Mário Soares, antes pelo contrário: num momento particularmente difícil, as pessoas com mais experiência e notoriedade podem ser importantes, pois gozam de uma especial credibilidade, essencial para motivar os diversos agentes na promoção da mudança.
O que eu receio é que, entusiasmado por um discurso de pretensa mudança, o eleitorado opte por um Presidente da República cujas ideias continuam agarradas ao Portugal do passado recente de que nos queremos livrar.
Mário Soares tem uma capacidade oratória rara; só depois de o ouvir novamente nos apercebemos como a generalidade dos políticos no activo, desde António Guterres, são maçadores; octogenário, certamente, e com uma voz que nas partes mais longas já se arrasta, Mário Soares consegue ainda assim galvanizar as platéias; o que o torna mais perigoso, pois pratica com mestria a arte da demagogia e do discurso redondo: dizer, numa época difícil, que «para lá do défice (...) há outras realidades», pois o que conta «são as pessoas e a sua determinação para lutar», ou que a economia é muito importante, mas que a «economia está ao serviço das pessoas, e não as pessoas ao serviço da economia», recorrendo ao poeta Pessoa e a Jesus Cristo para o justificar, falar contra o «pessimismo», contra o «indiferentismo», colocando na voz a alma do velho animal político, revela uma enorme capacidade de utilizar as palavras para nada dizer.
Mário Soares quer ser outra vez o Presidente de todos os portugueses. Quer, diz, unir novamente o país em torno de um objectivo comum. Agora, não se iludam com as palavras mansas de Soares: convém não esquecer que Mário Soares representa, sendo até o seu máximo expoente, a esquerda conservadora, embora se apresente numa versão light, pronto a ser consumido em larga escala, que insiste em combater aquilo que chamam a «globalização», não percebendo que ela é irreversível, e que devemos mas é procurar aproveitar as oportunidades que ela propicia; que tem dificuldade em apontar o dedo aos problemas, encontrando sempre formas de os atenuar, adiar e ignorar; que se diz acima dos interesses mas que funciona sempre assente nas fidelidades mais antigas; que afirma - com todas as letras - que a «economia não é uma ciência exacta»(!), ponto de partida necessário para justificar todas as iniciativas que conduzem ao tal mundo «equitativamente repartido», «mais tranquilo», supostamente «mais justo».
Mário Soares é um candidato perigoso porque, como José Sócrates, sempre percebeu bem o que os portugueses querem ouvir. E conta-lhes a «historinha» como poucos o sabem fazer.
Contudo - e os mais jovens devemos ponderar mais ainda, pois estamos se Deus quiser bem longe de morrer - temos de decidir se queremos na Presidência da República alguém que não seja capaz de assumir as rupturas de que o país carece. Nos próximos cinco anos, Portugal não precisa de um «Presidente de todos os Portugueses», no sentido em que isso represente apenas o imobilismo, a insistência em seguir um rumo que já se percebeu que não serve.
Mário Soares é, sem dúvida, portador de um discurso fácil, informal; é uma pessoa simpática, altamente disponível, pois aos oitenta e um anos certamente não precisaria de se sujeitar a mais um combate político, que pode ser o seu último, em que parte com uma grande desvantagem.
Agora, não se iludam: votar em Mário Soares significa apostar na pretensa mudança que vai deixar tudo na mesma; mais não é do que, e parafraseando Medina Carreira, votar para, deixando de lado o pessimismo, continuarmos a «empobrecer, mas alegremente». Pão e Socialismo, cada qual come o que quer.
Rodrigo Adão da Fonseca
A mim, ao contrário de outros, não me preocupa a idade avançada de Mário Soares, antes pelo contrário: num momento particularmente difícil, as pessoas com mais experiência e notoriedade podem ser importantes, pois gozam de uma especial credibilidade, essencial para motivar os diversos agentes na promoção da mudança.
O que eu receio é que, entusiasmado por um discurso de pretensa mudança, o eleitorado opte por um Presidente da República cujas ideias continuam agarradas ao Portugal do passado recente de que nos queremos livrar.
Mário Soares tem uma capacidade oratória rara; só depois de o ouvir novamente nos apercebemos como a generalidade dos políticos no activo, desde António Guterres, são maçadores; octogenário, certamente, e com uma voz que nas partes mais longas já se arrasta, Mário Soares consegue ainda assim galvanizar as platéias; o que o torna mais perigoso, pois pratica com mestria a arte da demagogia e do discurso redondo: dizer, numa época difícil, que «para lá do défice (...) há outras realidades», pois o que conta «são as pessoas e a sua determinação para lutar», ou que a economia é muito importante, mas que a «economia está ao serviço das pessoas, e não as pessoas ao serviço da economia», recorrendo ao poeta Pessoa e a Jesus Cristo para o justificar, falar contra o «pessimismo», contra o «indiferentismo», colocando na voz a alma do velho animal político, revela uma enorme capacidade de utilizar as palavras para nada dizer.
Mário Soares quer ser outra vez o Presidente de todos os portugueses. Quer, diz, unir novamente o país em torno de um objectivo comum. Agora, não se iludam com as palavras mansas de Soares: convém não esquecer que Mário Soares representa, sendo até o seu máximo expoente, a esquerda conservadora, embora se apresente numa versão light, pronto a ser consumido em larga escala, que insiste em combater aquilo que chamam a «globalização», não percebendo que ela é irreversível, e que devemos mas é procurar aproveitar as oportunidades que ela propicia; que tem dificuldade em apontar o dedo aos problemas, encontrando sempre formas de os atenuar, adiar e ignorar; que se diz acima dos interesses mas que funciona sempre assente nas fidelidades mais antigas; que afirma - com todas as letras - que a «economia não é uma ciência exacta»(!), ponto de partida necessário para justificar todas as iniciativas que conduzem ao tal mundo «equitativamente repartido», «mais tranquilo», supostamente «mais justo».
Mário Soares é um candidato perigoso porque, como José Sócrates, sempre percebeu bem o que os portugueses querem ouvir. E conta-lhes a «historinha» como poucos o sabem fazer.
Contudo - e os mais jovens devemos ponderar mais ainda, pois estamos se Deus quiser bem longe de morrer - temos de decidir se queremos na Presidência da República alguém que não seja capaz de assumir as rupturas de que o país carece. Nos próximos cinco anos, Portugal não precisa de um «Presidente de todos os Portugueses», no sentido em que isso represente apenas o imobilismo, a insistência em seguir um rumo que já se percebeu que não serve.
Mário Soares é, sem dúvida, portador de um discurso fácil, informal; é uma pessoa simpática, altamente disponível, pois aos oitenta e um anos certamente não precisaria de se sujeitar a mais um combate político, que pode ser o seu último, em que parte com uma grande desvantagem.
Agora, não se iludam: votar em Mário Soares significa apostar na pretensa mudança que vai deixar tudo na mesma; mais não é do que, e parafraseando Medina Carreira, votar para, deixando de lado o pessimismo, continuarmos a «empobrecer, mas alegremente». Pão e Socialismo, cada qual come o que quer.
Rodrigo Adão da Fonseca
Estratégias
Há muita gente que se queixa que Portugal não tem estratégia, mas o que não tem faltado são estratégias para o país. Já tivemos:
- o Portugal pobre mas honrado;
- o Portugal produtor autónomo de trigo, com a Campanha do Trigo;
- o Portugal florestal, com o fomento florestal e os apoios do estado às celuloses;
- o Portugal megalómano e anacrónico (do Minho a Timor);
- o Portugal porta de entrada na Europa com o porto de Sines;
- o Portugal Cuba da Europa, com as nacionalizações e a reforma agrária;
- o Portugal potência agrícola com o regadio do Alqueva e outros grandes investimentos agrícolas;
- o Portugal europeu, também conhecido como o Portugal subsídio-dependente (que alterna com o Portugal Atlântico);
- o Portugal da ciência, da educação e da cultura inventado pelo Eng. Guterres;
- o Portugal organizador de grandes eventos (Expo 98, Euro 2004 e o que mais vier);
- o Portugal pobre mas honrado;
- o Portugal produtor autónomo de trigo, com a Campanha do Trigo;
- o Portugal florestal, com o fomento florestal e os apoios do estado às celuloses;
- o Portugal megalómano e anacrónico (do Minho a Timor);
- o Portugal porta de entrada na Europa com o porto de Sines;
- o Portugal Cuba da Europa, com as nacionalizações e a reforma agrária;
- o Portugal potência agrícola com o regadio do Alqueva e outros grandes investimentos agrícolas;
- o Portugal europeu, também conhecido como o Portugal subsídio-dependente (que alterna com o Portugal Atlântico);
- o Portugal da ciência, da educação e da cultura inventado pelo Eng. Guterres;
- o Portugal organizador de grandes eventos (Expo 98, Euro 2004 e o que mais vier);
DA FRONTALIDADE POLÍTICA
De entre os muitos defeitos que o Dr. Mário Soares terá revelado ao longo da sua extensa vida política, ninguém encontrará certamente o da falta de frontalidade. Foi frontal antes do 25 de Abril em relação a um regime ao qual se opôs com custos pessoais enormes, não deixou de o ser em 74 e 75 contra o PC, voltou a sê-lo na oposição ao eanismo, e, gostemos ou não das suas posições políticas, a verdade é que as tem sempre manifestado sem rodeios e com convicção.
Ontem, com 80 anos e quando já muitos o declaravam politicamente morto, voltou a sê-lo com uma clareza impressionante. De uma só penada, assumiu-se como o candidato da esquerda, reduzindo à inexistência quaisquer veleidades que nesse espaço pudessem surgir, e limitou o espaço presidencial sobejante à direita partidária. O Dr. Mário Soares nunca viveu de tabus, nem se deixou enfiar numa redoma de museu para contemplação e veneração dos curiosos e admiradores. Acresce que, com a autoridade de pai do regime em que vivemos, posicionou-se como o candidato que veio para o salvar, ou, se preferirmos, refundar, retirando esse eventual desígnio a outros eventuais candidatos.
Desde ontem, que o Prof. Cavaco Silva, caso queira candidatar-se a Belém, tem urgentemente de dizer o que quer e ao que vem. O tempo do seu tabu esgotou-se, sem que dele tenha tirado qualquer proveito visível.
Ontem, com 80 anos e quando já muitos o declaravam politicamente morto, voltou a sê-lo com uma clareza impressionante. De uma só penada, assumiu-se como o candidato da esquerda, reduzindo à inexistência quaisquer veleidades que nesse espaço pudessem surgir, e limitou o espaço presidencial sobejante à direita partidária. O Dr. Mário Soares nunca viveu de tabus, nem se deixou enfiar numa redoma de museu para contemplação e veneração dos curiosos e admiradores. Acresce que, com a autoridade de pai do regime em que vivemos, posicionou-se como o candidato que veio para o salvar, ou, se preferirmos, refundar, retirando esse eventual desígnio a outros eventuais candidatos.
Desde ontem, que o Prof. Cavaco Silva, caso queira candidatar-se a Belém, tem urgentemente de dizer o que quer e ao que vem. O tempo do seu tabu esgotou-se, sem que dele tenha tirado qualquer proveito visível.
A BRIGADA DO REUMÁTICO
Em 14 de Março de 1974 os mentores do regime, decrépitos em idade mental, numa «tão luzidia e significativa presença», segundo rezam as crónicas, reuniram-se para celebrar as virtudes do sistema imperante e, sobretudo, para se animarem a si mesmos.
Abundou o tom panegírico, cantaram-se loas aos presentes e aos seus Chefes e jurou-se que aquela realidade estava viçosa, firme e duradoura.
Não sei porquê, hoje (ontem) depois de ter visto as notícias, lembrei-me disto.
31.8.05
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