«O colunista que leio fielmente e com gosto aos Sábados, no “DN”, defendeu, de forma inspirada – e inspiradora –, discreta mas assertiva, um “Sim” moderado no referendo à despenalização do aborto que teve lugar em Fevereiro deste ano. Coisa estranha para um católico? Estatisticamente, sem dúvida que sim. Lida a substância dos seus textos, a estranheza diminui. Percebe a tensão do dilema moral, não se duvida do humanismo da decisão, alheio a tricas políticas ou partidárias».
Por Tiago Mendes, no Diário Económico.
22.12.07
Transparência
A SEC (Securities and Exchange Commission), a CMVM americana, disponibiliza aqui uma interessante ferramenta interactiva, para gáudio dos voyeuristas e invejosos e apreensão ou fúria de alguns accionistas. Nele se detalha, de forma muito simples e comparativa, os salários nominais e outros benefícios dos executivos de 500 grandes empresas. A pesquisa pode ser feita por empresa individual, escalões de dimensão, ou por sector.
Para a amostra presente na base de dados, relativa ao ano de 2006, o ranking é liderado pelo recentemente deposto CEO da Merrill Lynch Stan O'Neal, com a astronómica remuneração de US$ 91,4 milhões, qualquer coisa como € 62,6 milhões, pouco mais de 1 milhão de contos/mês. Diga-se que a Merrill Lynch não foi nada pródiga a remunerar os seus executivos, tendo para tal dispendido em 2006 US$ 287 milhões. O mais "mal pago" foi o CFO Jeffrey Edwards, tendo auferido a "miséria" de US$ 28,3 milhões.
Em Portugal não existe a "tradição" de divulgar as remunerações individuais dos gestores das empresas cotadas, fazendo-se a divulgação em bloco. Há cerca de 2 anos, o então presidente da CMVM Teixeira dos Santos tentou importar essa "americanice", mas revelou-se impotente, diz-se que por oposição do "lobby banqueiro".
Para a amostra presente na base de dados, relativa ao ano de 2006, o ranking é liderado pelo recentemente deposto CEO da Merrill Lynch Stan O'Neal, com a astronómica remuneração de US$ 91,4 milhões, qualquer coisa como € 62,6 milhões, pouco mais de 1 milhão de contos/mês. Diga-se que a Merrill Lynch não foi nada pródiga a remunerar os seus executivos, tendo para tal dispendido em 2006 US$ 287 milhões. O mais "mal pago" foi o CFO Jeffrey Edwards, tendo auferido a "miséria" de US$ 28,3 milhões.
Em Portugal não existe a "tradição" de divulgar as remunerações individuais dos gestores das empresas cotadas, fazendo-se a divulgação em bloco. Há cerca de 2 anos, o então presidente da CMVM Teixeira dos Santos tentou importar essa "americanice", mas revelou-se impotente, diz-se que por oposição do "lobby banqueiro".
Rupturas
«"Faço a aposta radical de, em meia dúzia de meses, liberalizar a legislação laboral (...) e desmantelar de vez o enorme peso que o Estado tem e que oprime as pessoas" (...) "O Estado deve sair do ambiente, das comunicações, dos transportes, dos portos e, na prestação do Estado Social, deve contratualizar com os privados e acabar com o monopólio na saúde, educação e segurança social", afirma o líder social-democrata. Acusando o PSD de andar, há 12 anos, sem conseguir demarcar-se verdadeiramente do PS nestes sectores, Menezes propõe-se fazer rupturas...». (ver aqui)
21.12.07
Alegrai-vos
Para todos aqueles que se insurgem contra a «fúria consumista» que supostamente tem vindo a «desvirtuar» a época natalícia (recordando saudosamente tempos «simples», sendo que tal simplicidade resultava de uma profunda pobreza geral), quero apenas recordar que os iniciadores da tradição da oferta de presentes valiosos foram uns sujeitos, nem por acaso, logo no primeiro natal:«Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria.
Quando entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe. Ajoelharam-se diante d'Ele e prestaram-Lhe homenagem. Depois, abriram os seus cofres e ofereceram presentes ao Menino: ouro, incenso e mirra». (Mt. 2, 10-11)
See no evil
Pacheco Pereira continua o seu triste esforço de nutrir fantasmas e de fundamentar lendas.Agora compara as versões do DN e do JN sobre a 'Noite Branca' para concluir que a do jornal do Porto "omite" culposamente os factos que JPP gostaria de ver realçados. O texto está aqui e foi publicado na Sábado. No Abrupto, está ilustrado com uma conhecida estatuteta de 3 macaquinhos, um que não quer ver, outro não ouvir e o terceiro não falar.
Entretanto, no texto colado a este, publicado na Sábado, JPP fala d' "O empobrecimento" do país. Diz que todos os dias "estamos a ficar mais pobres". O que é verdade. Só que as fotografias escolhidas para salientar os responsáveis exibem outros primatas: António Guterres, Pina Moura e José Sócrates.
Curiosa esta selecção de fotografias - longe de mim negar a evidente culpa dos visados. Só que esta lista de JPP é reduzida: existem mais alguns retratozinhos que nela caberiam muito bem dada a sua especial contribuição para a nossa penúria. Por exemplo, o primeiro-ministro do PSD, Durão Barroso, e a sua ministra das Finanças, Ferreira Leite. Pelo menos.
Mas JPP cingiu a responsabilidade a quem lhe interessa e como lhe interessa. No fundo, as duas fotos, a da Sábado e a do blogue, representam a mesma atitude - tal como os seus macaquinhos no Abrupto, JPP, na Sábado, não vê, não sabe e nada quer dizer sobre o que lhe não convém.
Ou seja, faz precisamente aquilo de que acusa o JN.
Regras desregradas *
Sete pequenos partidos vão ser extintos.
A tendência primária de quem manda num mercado é limitar o acesso da concorrência. Na mesma linha, aqueles que usufruem de uma posição dominante tentarão condicionar os menores visando acentuar as suas classificações relativas: tornando os agentes mais pequenos em pequeninos e os grandes em maiores ainda.
As leis que regulam os partidos são feitas pelos partidos que são grandes. Quando estes se formaram quase não existiam regras – foram eles, os que já lá estavam, que as geraram, restringindo cada vez mais a actividade no mercado em que ganharam predomínio. O Estado, que se diz ‘de direito’, tem órgãos de recurso – o Tribunal Constitucional cujos membros são maioritariamente designados... pelos partidos grandes!
Quem cria um sistema assim não possui idoneidade para assegurar os direitos de ninguém, excepto dos próprios.
* Ontem publicado no Correio da Manhã
A tendência primária de quem manda num mercado é limitar o acesso da concorrência. Na mesma linha, aqueles que usufruem de uma posição dominante tentarão condicionar os menores visando acentuar as suas classificações relativas: tornando os agentes mais pequenos em pequeninos e os grandes em maiores ainda.
As leis que regulam os partidos são feitas pelos partidos que são grandes. Quando estes se formaram quase não existiam regras – foram eles, os que já lá estavam, que as geraram, restringindo cada vez mais a actividade no mercado em que ganharam predomínio. O Estado, que se diz ‘de direito’, tem órgãos de recurso – o Tribunal Constitucional cujos membros são maioritariamente designados... pelos partidos grandes!
Quem cria um sistema assim não possui idoneidade para assegurar os direitos de ninguém, excepto dos próprios.
* Ontem publicado no Correio da Manhã
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