16.2.05

O camarada Jerónimo

Tem suscitado uma onda de simpatia e empatia entre a comunicação social, comentadores políticos e público em geral.
A razão é simples: ele não engana ninguém. É mesmo assim.
Amigo e admirador dos partidos comunistas cubano e norte-coreano, dos quais não desdenharia, com adaptações, seguir o modelo, se tivesse «condições objectivas e subjectivas». Ele entende que quem pensar de forma diferente do «colectivo» do partido comunista deve mesmo é ir pregar para outra freguesia, pois que a vontade e a consciência individual deve ser subordinada ao colectivo. Ele acha que a democracia tem limites bem definidos e que não podem os militantes ter iniciativas ou propor soluções políticas sem consultarem e terem a aprovação prévia dos orgãos dirigentes. Toda a gente sabe isso e ele, de forma franca e honesta, assume essas posições.
Jerónimo defende que as empresas de combustíveis, de telecomunicações, os estaleiros, os transportes, a electricidade, os hospitais, os meios de comunicação, as escolas e universidades devem ser propriedade e geridas pelo Estado. Ele acha que o lucro gerado pelas empresas é uma parcela de capital retirado ou esbulhado aos trabalhadores ou no mínimo, alcançado graças à exploração dos mesmos.
Ao contrário dos outros dirigentes partidários, o camarada Jerónimo é simpático porque toda a gente sabe ao que vem. O que pensa. O que deseja.
E toda a gente bate palmas.
Eu não.
Ele representa uma visão política e defende um modelo de sociedade em que eu não gostaria nem aceitaria viver. As posições que ele defende são perigosas para quem acredita na democracia e na liberdade. As suas ideias políticas devem ser denunciadas como profundamente erradas e não serem acriticamente consideradas como «alternativas».
Não gosto da «coerência» de Jerónimo de Sousa, nem da sua simpatia, porque não posso deixar de olhar para ele como alguém que, se pudesse, me tirava a minha liberdade.