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25.9.06
Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate VI
Partindo do princípio que existe uma definição de "adaptado" que é diferente de "aquele que tem sucesso reprodutivo" como explicar o comportamento altruista dos pais em relação às suas crias? Como explicar a vida extremamente curta de algumas espécies? Será a morte uma adaptação?
Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate V
Sobre a questão das tautologias na teoria da evolução leiam o que Ludwig Krippahl escreve em Evolução, Tautologia, e Teorias Testáveis.
22.9.06
Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate IV
O que leva os criacionistas a levantar o debate sobre a evolução? A resposta está no argumento do desígnio. Este argumento é muito provavelmente o melhor argumento racional a favor da existência de Deus. Por estranho que parece esses argumentos existem, tal como existe uma tradição intelectual de estudo racional desta e de outras questões metafísicas. E o mais estranho é que essa tradição tem produzido ideias que têm contribuido de forma determinante para a evolução do conhecimento.
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O argumento do desígnio resulta da observação do mundo natural. De acordo com o argumento, o mundo natural, em particular o mundo biológico, apresenta uma ordenação que não pode ser explicada por mero acaso. Apresenta design. Uma vez que antes do século XIX não era conhecido nenhum mecanismo natural de produção de design, todo o design era atribuído à acção de uma mente inteligente.
A Teoria da Evolução não coloca em causa, por si só, o argumento do desígnio, isto porque, na ausência de outra explicação, o mistério da mudança teria igualmente que ser atribuido a um designer. O que colocou verdadeiramente em causa o argumento do desígnio, e por conseguinte, a existência de Deus, foi a descoberta de um mecanismo alternativo de criação de design que não requer uma mente racional. Aquilo que coloca em causa o argumento do desígnio é a criação de design de forma irracional pela selecção natural.
A selecção natural funciona como ameaça ao criacionismo por duas vias. Em primeiro lugar porque é uma alternativa à criação divina. E em segundo lugar porque abre um novo campo de possibilidades até então desconhecido. Se foi possível descobrir este mecanismo de criação natural de design onde se pensava que nenhum era possível, então podem existir mais. É por esta segunda via que a Teoria da Evolução se transforma em mais do que uma teoria centífica. Transforma-se numa nova forma de encarar o mundo. O evolucionismo passa a ficar associado à corrente que defende não apenas a evolução natural das espécies mas também a origem natural de tudo o que existe no universo. Dizer que não existe evolucionismo enquanto corrente cultural é negar a existência de uma corrente de opinião, onde predominam cientistas, que defende, sem que as provas científicas o justifiquem, que os fenómenos naturais observáveis são tudo o que existe.
Curiosamente, a maior ameaça à teoria da evolução não vem dos criacionistas, mas dos próprios meios centíficos, em especial os mais ligados à educação. Isto porque o modelo científico predominante tende a ser a física e tudo tende a ser ensinado e investigado à imagem da física fundamental. Acontece que a Teoria da Evolução tem características particulares que a distinguem da física. Ao contrário da física, que é uma teoria que estuda os fenómenos de partículas e de ondas, a Teoria da Evolução estuda a acção de agentes.
Os agentes não se comportam como partículas nem podem, com os meios actualmente disponíveis, ser estudados como colecções de partículas. O que aliás é uma vantagem porque é possível usar as leis da acção dos agentes para compreender a evolução. Estas leis, entre as quais o Princípio da Selecção Natural, são leis lógicas e como tal não requerem validação empírica.
Mas como os paradígmas dominantes são a física fundamental e o empirismo, a selecção natural tenderá a não ser reconhecida como lei lógica e será vista como uma lei física. Ao ser vista como lei física, perde o seu papel de ordenador de todo o edifício científico e transforma-se em mais um fenómeno a requerer confirmação. É por isso que, enquanto alguns dos leitores sugeriram protocolos experimentais que visam testar a teoria, outros não reconhecem à selecção o papel único de produção de design colocando-a em pé de igualdade com outros fenómenos que por acaso até não explicam o design como as mutações ou a deriva genética. Tudo isto implica que, pelo menos entre muitas pessoas com cultura científica, o estatuto da selecção natual é tal que não constitui qualquer ameaça ao avanço do criacionismo. Isto porque uma percentagem muito significativa dos que concordam com a teoria da evolução não reconhecem à selecção natural o poder explicativo suficiente para explicar o design que se observa na natureza.
O debate Evolucionismo vs. Criacionismo é acima de tudo cultural. Isso implica que não são importantes apenas as questões puramente científicas, e muito menos apenas as puramente empíricas, mas todas as questões de índole cultural e filosófica ralacionados com o tema. A maior ameaça à cultura científica não vem de fora. Vem dos próprios meios científicos e educacionais que têm contribuido para a pobreza da cultura científica ao não reconhecerem, devido a pressupostos filosóficos errados, o papel único da selecção natural.
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O argumento do desígnio resulta da observação do mundo natural. De acordo com o argumento, o mundo natural, em particular o mundo biológico, apresenta uma ordenação que não pode ser explicada por mero acaso. Apresenta design. Uma vez que antes do século XIX não era conhecido nenhum mecanismo natural de produção de design, todo o design era atribuído à acção de uma mente inteligente.
A Teoria da Evolução não coloca em causa, por si só, o argumento do desígnio, isto porque, na ausência de outra explicação, o mistério da mudança teria igualmente que ser atribuido a um designer. O que colocou verdadeiramente em causa o argumento do desígnio, e por conseguinte, a existência de Deus, foi a descoberta de um mecanismo alternativo de criação de design que não requer uma mente racional. Aquilo que coloca em causa o argumento do desígnio é a criação de design de forma irracional pela selecção natural.
A selecção natural funciona como ameaça ao criacionismo por duas vias. Em primeiro lugar porque é uma alternativa à criação divina. E em segundo lugar porque abre um novo campo de possibilidades até então desconhecido. Se foi possível descobrir este mecanismo de criação natural de design onde se pensava que nenhum era possível, então podem existir mais. É por esta segunda via que a Teoria da Evolução se transforma em mais do que uma teoria centífica. Transforma-se numa nova forma de encarar o mundo. O evolucionismo passa a ficar associado à corrente que defende não apenas a evolução natural das espécies mas também a origem natural de tudo o que existe no universo. Dizer que não existe evolucionismo enquanto corrente cultural é negar a existência de uma corrente de opinião, onde predominam cientistas, que defende, sem que as provas científicas o justifiquem, que os fenómenos naturais observáveis são tudo o que existe.
Curiosamente, a maior ameaça à teoria da evolução não vem dos criacionistas, mas dos próprios meios centíficos, em especial os mais ligados à educação. Isto porque o modelo científico predominante tende a ser a física e tudo tende a ser ensinado e investigado à imagem da física fundamental. Acontece que a Teoria da Evolução tem características particulares que a distinguem da física. Ao contrário da física, que é uma teoria que estuda os fenómenos de partículas e de ondas, a Teoria da Evolução estuda a acção de agentes.
Os agentes não se comportam como partículas nem podem, com os meios actualmente disponíveis, ser estudados como colecções de partículas. O que aliás é uma vantagem porque é possível usar as leis da acção dos agentes para compreender a evolução. Estas leis, entre as quais o Princípio da Selecção Natural, são leis lógicas e como tal não requerem validação empírica.
Mas como os paradígmas dominantes são a física fundamental e o empirismo, a selecção natural tenderá a não ser reconhecida como lei lógica e será vista como uma lei física. Ao ser vista como lei física, perde o seu papel de ordenador de todo o edifício científico e transforma-se em mais um fenómeno a requerer confirmação. É por isso que, enquanto alguns dos leitores sugeriram protocolos experimentais que visam testar a teoria, outros não reconhecem à selecção o papel único de produção de design colocando-a em pé de igualdade com outros fenómenos que por acaso até não explicam o design como as mutações ou a deriva genética. Tudo isto implica que, pelo menos entre muitas pessoas com cultura científica, o estatuto da selecção natual é tal que não constitui qualquer ameaça ao avanço do criacionismo. Isto porque uma percentagem muito significativa dos que concordam com a teoria da evolução não reconhecem à selecção natural o poder explicativo suficiente para explicar o design que se observa na natureza.
O debate Evolucionismo vs. Criacionismo é acima de tudo cultural. Isso implica que não são importantes apenas as questões puramente científicas, e muito menos apenas as puramente empíricas, mas todas as questões de índole cultural e filosófica ralacionados com o tema. A maior ameaça à cultura científica não vem de fora. Vem dos próprios meios científicos e educacionais que têm contribuido para a pobreza da cultura científica ao não reconhecerem, devido a pressupostos filosóficos errados, o papel único da selecção natural.
21.9.06
Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate III
Francisco Burnay diz neste comentário o seguinte:
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Francisco Burnay diz ainda que o conceito de "adaptado" (referindo-se ao ambiente, presumo) não é equivalente ao conceito de "sobrevivente" (entendido como "aquele cujos genes sobrevivem) e que por isso o ponto 3 não é uma tautologia e pode ser empiricamente testável.
Sendo assim, poderiamos fazer uma experiência com uma população qualquer. Para se fazer a experiência teria que ser possível quantificar a priori a adaptação de cada indivíduo da população ao ambiente. Esta avaliação é necessariamente subjectiva dado que a definição de "adaptado" tem que ser independente da noção de "sobrevivente". Vamos ainda supor que a experiência mostra que os indivíduos mais pontuados não são os que têm maior sucesso reprodutor. Há duas conclusões que se podem tirar:
1. A teoria está errada;
2. Os critérios de adaptação foram mal escolhidos e não representam correctamente a adaptação.
Claro que não é possível distinguir 1 de 2. A tentação será a de afinar o critério de adaptação. Mas a melhor maneira de o fazer será a de tentar descobrir o que falta ao critério de adaptação para que ele contenha todos os elementos que garantem a sobrevivência (dos genes). Qualquer outra solução afastará ainda mais os resultados experiementais dos previstos mantendo a dúvida sobre se estão a ser escolhidos os critérios de adaptação correctos. Mas se se optar por juntar aos critérios de adaptação os elementos que faltam para garantir a sobrevivência (dos genes), o que se está a fazer é mudar o critério de adaptação até que ele convirja para o critério de sobrevivência. Segue-se que a teoria só é válida se o critério de adaptação for equivalente ao critério de sobrevivência.
Outra forma de ver oproblema será considerando uma população com dois tipos de indivíduos, os ADAPTADOS e os SOBREVIVENTES. Os ADAPTADOS têm as características que maximizam a adaptação equanto que os SOBREVIVENTES têm todas as características que maximizam o sucesso reprodutivo. Se as características dos ADAPTADOS não forem exactamente iguais às dos SOBREVIVENTES, a selecção natural favorecerá os SOBREVIVENTES em relação aos ADAPTADOS. Segue-se que as características dos ADAPTADOS têm que ser iguais à dos SOBREVIVENTES para que a tese 3) citada pelo Francisco Burnay seja verdadeira. O que implica que a definição de "adaptado" tem que ser equivalente a "sobrevivente".
No entanto, queria esclarecer um ponto sobre a Teoria da Evolução. A teoria apresenta 3 teses, que na terminologia moderna são:
1) Existe variação fenotípica, alguma da qual tem uma base genética;
2) Existe sucesso diferencial na luta pela sobrevivência;
3) Os indivíduos mais bem adaptados tendem a ter maior sucesso reprodutor.
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Francisco Burnay diz ainda que o conceito de "adaptado" (referindo-se ao ambiente, presumo) não é equivalente ao conceito de "sobrevivente" (entendido como "aquele cujos genes sobrevivem) e que por isso o ponto 3 não é uma tautologia e pode ser empiricamente testável.
Sendo assim, poderiamos fazer uma experiência com uma população qualquer. Para se fazer a experiência teria que ser possível quantificar a priori a adaptação de cada indivíduo da população ao ambiente. Esta avaliação é necessariamente subjectiva dado que a definição de "adaptado" tem que ser independente da noção de "sobrevivente". Vamos ainda supor que a experiência mostra que os indivíduos mais pontuados não são os que têm maior sucesso reprodutor. Há duas conclusões que se podem tirar:
1. A teoria está errada;
2. Os critérios de adaptação foram mal escolhidos e não representam correctamente a adaptação.
Claro que não é possível distinguir 1 de 2. A tentação será a de afinar o critério de adaptação. Mas a melhor maneira de o fazer será a de tentar descobrir o que falta ao critério de adaptação para que ele contenha todos os elementos que garantem a sobrevivência (dos genes). Qualquer outra solução afastará ainda mais os resultados experiementais dos previstos mantendo a dúvida sobre se estão a ser escolhidos os critérios de adaptação correctos. Mas se se optar por juntar aos critérios de adaptação os elementos que faltam para garantir a sobrevivência (dos genes), o que se está a fazer é mudar o critério de adaptação até que ele convirja para o critério de sobrevivência. Segue-se que a teoria só é válida se o critério de adaptação for equivalente ao critério de sobrevivência.
Outra forma de ver oproblema será considerando uma população com dois tipos de indivíduos, os ADAPTADOS e os SOBREVIVENTES. Os ADAPTADOS têm as características que maximizam a adaptação equanto que os SOBREVIVENTES têm todas as características que maximizam o sucesso reprodutivo. Se as características dos ADAPTADOS não forem exactamente iguais às dos SOBREVIVENTES, a selecção natural favorecerá os SOBREVIVENTES em relação aos ADAPTADOS. Segue-se que as características dos ADAPTADOS têm que ser iguais à dos SOBREVIVENTES para que a tese 3) citada pelo Francisco Burnay seja verdadeira. O que implica que a definição de "adaptado" tem que ser equivalente a "sobrevivente".
20.9.06
Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate II
A importância da filosofia
A Science de há 2 semanas tem dois artigos que reportam trabalhos em que não foi realizada nenhuma experiência ou medição. Isto devia fazer tocar as campaínhas de alarme de alguns dos nossos leitores que pelos vistos são empiristas puros. Afinal há quem faça longas carreiras em investigação científica sem nunca lidar com dados experimentais. Como é que isso é possível?
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É possível porque, enquanto a investigação científica puramente empírica é impossível, a investigação científica puramente racionalista é possível. A ciência tal qual se faz é uma síntese de uma abordagem empírica com uma abordagem racionalista.
Não é possível conhecer o mundo exclusivamente com base em experiências porque as experiências por si só não dizem nada. É necessário um intelecto que dê sentido aos dados e que os relacione entre si.
Por outro lado, é possível saber mais sobre o mundo sem fazer experiências seguindo uma abordagem racionalista pura. Esta abordagem não permite determinar exactamente como o mundo é, mas permite determinar quais são os mundos possíveis. Saber que um determinado mundo é impossível contribui para aumentar o nosso conhecimento sobre o mundo que existe.
Esta distinção entre a abordagem empírica e a abordagem racionalista é importante para se compreender o estatudo da Teoria da Evolução. É impossível compreender a teoria da evolução sem primeiro se tentar perceber o que é que na teoria resulta de uma abordagem racionalista e o que é que na teoria resulta de uma abordagem empírica.
Acontece que a chave da Teoria da Evolução, o Princípio da Selecção Natural, é uma construção racionalista. É conhecimento que pode ser obtido sem uma única experiência e sem nenhum dado empírico. É para além disso conhecimento certo, válido em todos os mundos possíveis e não falsificável.
No caso da Teoria da Evolução o empirismo não serve para provar que o Princípio da Selecção Natural porque isso nós já sabemos a priori que é verdade. Servirá apenas para verificar se ocorreu evolução e se o Princípio da Selecção Natural é a melhor explicação para essa evolução. Não são necessárias experiências para provar que o Princípio da Selecção Natura está activo na natureza, embora possam ser necessárias experiências para provar que ele é um factor relevante.
A Science de há 2 semanas tem dois artigos que reportam trabalhos em que não foi realizada nenhuma experiência ou medição. Isto devia fazer tocar as campaínhas de alarme de alguns dos nossos leitores que pelos vistos são empiristas puros. Afinal há quem faça longas carreiras em investigação científica sem nunca lidar com dados experimentais. Como é que isso é possível?
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É possível porque, enquanto a investigação científica puramente empírica é impossível, a investigação científica puramente racionalista é possível. A ciência tal qual se faz é uma síntese de uma abordagem empírica com uma abordagem racionalista.
Não é possível conhecer o mundo exclusivamente com base em experiências porque as experiências por si só não dizem nada. É necessário um intelecto que dê sentido aos dados e que os relacione entre si.
Por outro lado, é possível saber mais sobre o mundo sem fazer experiências seguindo uma abordagem racionalista pura. Esta abordagem não permite determinar exactamente como o mundo é, mas permite determinar quais são os mundos possíveis. Saber que um determinado mundo é impossível contribui para aumentar o nosso conhecimento sobre o mundo que existe.
Esta distinção entre a abordagem empírica e a abordagem racionalista é importante para se compreender o estatudo da Teoria da Evolução. É impossível compreender a teoria da evolução sem primeiro se tentar perceber o que é que na teoria resulta de uma abordagem racionalista e o que é que na teoria resulta de uma abordagem empírica.
Acontece que a chave da Teoria da Evolução, o Princípio da Selecção Natural, é uma construção racionalista. É conhecimento que pode ser obtido sem uma única experiência e sem nenhum dado empírico. É para além disso conhecimento certo, válido em todos os mundos possíveis e não falsificável.
No caso da Teoria da Evolução o empirismo não serve para provar que o Princípio da Selecção Natural porque isso nós já sabemos a priori que é verdade. Servirá apenas para verificar se ocorreu evolução e se o Princípio da Selecção Natural é a melhor explicação para essa evolução. Não são necessárias experiências para provar que o Princípio da Selecção Natura está activo na natureza, embora possam ser necessárias experiências para provar que ele é um factor relevante.
Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate I
O meu primeiro post sobre este tema chamava a atenção para três erros que os evolucionistas não devem cometer neste debate. Eram eles o insulto fácil, o desprezo pelas ideias dos criacionistas e o desprezo pela filosofia. A estes erros foram-se juntando outros, sendo neste momento o principal o espírito de barricada. Espírito esse que está mais que demonstradado pelas reacções totalmente irracionais aos meus posts. Desde reacções do tipo "deves ser um criacionistas", passando pelo "devias ter tido ciências no 12º" até umas misteriosas referências à economia. Discutir as questões levantadas nos posts de boa fé é que parece que dá muito trabalho a um número significativo de leitores. Como sempre há excepções ...
O espírito de barricada caracteriza-se por:
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1. construir um homem de palha, o criacionista do Bible Belt serve perfeitamente, e ignorar todos os criaionismos mais sérios que esse;
2. negar qualquer papel à metafísica em ciência;
3. dizer que o que se quer discutir é ciência e que o resto não interessa;
4. não fazer o mínimo esforço para perceber os argumentos contrários, o que será difícil por quem defende explicitamente que a discussão não deve sair do terreno científico;
5. defender uma determinada epistemologia como se essa fosse a única, a evidente ou mesmo a que predominantemente se pratica em ciência ao mesmo tempo que se defende que a filosofia não é relevante para o ensino da ciência.
6. Não reconhecer que determinadas críticas dos criacionistas são no mínimo pertinentes (os criacionistas alegam que a ciência tem pressupostos metafísicos, o que é verdade, e alegam que a teoria evolucionistas tem componentes não falsificáveis, o que também é verdade).
7. Não reconhecer que determinados adeptos da teoria da evolução só o são porque aderiram ao dualismo científico: reconhecem que o mundo biológico é uma ordem espontânea, mas não reconhecem outras ordens espontâneas como a mente humana, as línguas naturais ou determinadas instituições sociais (dinheiro, mercados, sistemas legais). Um dos leitores chega mesmo a defender que os seres humanos não estão sujeitos a leis que não as que eles próprios inventam.
O espírito de barricada caracteriza-se por:
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1. construir um homem de palha, o criacionista do Bible Belt serve perfeitamente, e ignorar todos os criaionismos mais sérios que esse;
2. negar qualquer papel à metafísica em ciência;
3. dizer que o que se quer discutir é ciência e que o resto não interessa;
4. não fazer o mínimo esforço para perceber os argumentos contrários, o que será difícil por quem defende explicitamente que a discussão não deve sair do terreno científico;
5. defender uma determinada epistemologia como se essa fosse a única, a evidente ou mesmo a que predominantemente se pratica em ciência ao mesmo tempo que se defende que a filosofia não é relevante para o ensino da ciência.
6. Não reconhecer que determinadas críticas dos criacionistas são no mínimo pertinentes (os criacionistas alegam que a ciência tem pressupostos metafísicos, o que é verdade, e alegam que a teoria evolucionistas tem componentes não falsificáveis, o que também é verdade).
7. Não reconhecer que determinados adeptos da teoria da evolução só o são porque aderiram ao dualismo científico: reconhecem que o mundo biológico é uma ordem espontânea, mas não reconhecem outras ordens espontâneas como a mente humana, as línguas naturais ou determinadas instituições sociais (dinheiro, mercados, sistemas legais). Um dos leitores chega mesmo a defender que os seres humanos não estão sujeitos a leis que não as que eles próprios inventam.
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