22.7.04

Direito de resposta

Resposta do Nortadas ao post Queiroseano de Sara Muller.

Um mundo inteiro por tutelar

Apesar dos 19 ministérios e 38 secretários de estado, ainda existem sectores da vida nacional que o estado não tutela: os assuntos da estratosfera, as antigas sopeiras, as plantações caseiras de haxixe, os namorados, o tuning, os videntes e curandeiros, os Blogs, os avecs, metade das festas populares, a comida macrobiótica, as revistas femininas, a dieta dos morangos, a moda, a literatura light, a música Pimba, o sexo no automóvel, a obesidade, as festas privadas, as jantaradas, as infidelidades, o amor, a vida sexual das abelhas, a migração das andorinhas, os sismos e a salinidade da água do mar.

Fez mal em aceitar

Não tenho nada contra a senhora, mas a verdade é que não deveria ter aceite aquela transferência apressada. Sem culpa, foi exposta a ridículo diante do país todo. O que é bastante para uma filha e neta de militares.
Já agora, existirão "artistas" na sua árvore geneológica?

Democracia sob tutela militar

Jorge Sampaio vetou nome de Teresa Caeiro

Mendes Cabeçadas, Chefe de Estado Maior-General das Forças Armadas, informou, quarta-feira, Jorge Sampaio que Teresa Caeiro não «tinha perfil» para secretária de Estado da Defesa.


Link via Bloguitica.

update: Mudança de Teresa Caeiro sem interferência de Mendes Cabeçada

DÍVIDAS

Há que ser justo.
88 milhões de euros de dívidas na Câmara de Lisboa é muito dinheiro.
Mas 70 milhões em Vila do conde é bem capaz de ser pior. (via O Vilacondense)
E devem existir outras câmaras onde o "rácio" seja ainda pior.

(I)mobilidade e renovação das "nossas" elites?

Um amigo chamou-me, recentemente, a atenção para um facto muito característico no "nosso" meio político: há um grupo relativamente reduzido de pessoas que, sendo todas mais ou menos conhecidas umas das outras, tendo maioritariamente tido, todas elas, experiências sociais e tipos de vida semelhantes, frequentando habitualmente os menos lugares e movendo-se, familiar e preferencialmente (quase em exclusivo), pelo mesmo "circuito" Lisboeta (de instituições, de escritórios, de clubes, de restaurantes e outros espaços públicos e de lazer), divide, desde o "25 de Abril", o Poder. Por Poder entenda-se, não só o conjunto de cargos de poder político directo, propriamente dito - nomeadamente, os que resultam de eleições - mas, principalmente, as funções e os órgãos que se assumem como estrutura ou staff daquele (Secretários e Subsecretários de Estado incluídos, mas, também e principalmente, assessores, adjuntos, chefes de gabinete, secretários qualificados, responsáveis por recursos humanos, por funções de colaboração vária aos decisores políticos, cargos de chefia em Institutos Públicos, sociedades de capitais públicos, etc., etc.).

Mais, referia-me esse amigo - invocando as teses pessoais defendidas por um dos mais reputados e interessantes académicos da nossa "praça" - que, além do mais, essa espécie de grupo ou "casta" que, de um modo geral, vai repartindo maioritariamente, entre si, o dito Poder (os vários poderes ou a verdadeira estrutura do Poder), acabava por ser muito fechado, quase familiar e instintivamente avesso à renovação. A sucessão de pais para filhos, nos respectivos cargos, lugares e funções era frequente. Curioso - notava esse amigo meu - era o facto de quase todos se conheceram, directa ou indirectamente, desde pequeninos; serem ainda "primos" ou "tios" e, ainda que tal familiaridade não fosse tão grande como isso, procurarem sempre, face a terceiros, solidarizarem-se, como que de uma "corporação" (de Poder? Social? Económica? de "vizinhos"?) se tratasse!
E apontava-me exemplos que, no mínimo, eram bizarros: a recém licenciada nomeada para um conselho de administração de uma sociedade de capitais públicos que, por acaso, era sobrinha de um recente ex-ministro; ou, o caso de um jovem, também recém licenciado, que começava a sua vida profissional, desde logo, como assessor do Presidente de um Instituto Público, sendo que o seu "nome de família" era emblemático num certo circuito financeiro; ou o da outra jovem de 23 anos, claro que também recém licenciada, nomeada para a administração de um Hospital público que, por acaso, era filha de um conhecido deputado; ou o Secretário de Estado que, sem nenhum percurso académico ou profissional relevante, sem nenhuma visibilidade ou ligação política, sem possuir alguma (ínfima que fosse) experiência na área da tutela da respectiva Secretaria de Estado era, por acaso, familiar de alguém muito importante, num certo sector de negócios, em Portugal. E os exemplos poderiam continuar....chamava-me a atenção esse amigo com quem tive a referida conversa.
Além disso - continuando a reportarmo-nos ao referido académico da ?nossa praça? ? o Poder (e os vários poderes) têm sido, em Portugal, sobretudo, uma espécie de domaine reservé de um grupo eminentemente familiar (ou que actua numa lógica para-familiar), desde há pelo menos, 200 anos a esta parte!

Grupo esse que, invariavelmente, tem em comum, também, uma certa proveniência "micro- lisboeta", uma capacidade económica considerável, independentemente até do trabalho (bom ou mau) efectivamente exercido e, last but not the least, a interessante coincidência de serem todos familiares ou parentes, mais ou menos chegados, de alguém que também desempenhou funções e ocupou cargos, no mínimo, tão decisivos (e de poder), ao longo de várias eras da nossa história contemporânea - "atravessando" reiteradamente vários regimes - desde a Monarquia Constitucional, passando pela implantação da República, sobrevoando o Estado-Novo e chegando ao pós-"25 de Abril".

Curioso e enigmático era o facto - dizia tal académico sempre "presente" nesta conversa - de nunca nenhum sociólogo, historiador ou mesmo jornalista ter desenvolvido e clarificado (comprovado, acrescentaria eu) estas teses. No fundo, nunca ninguém tenha "pegado" nesta possível radiografia das elites - aparentemente, estáveis e muito pouco permeáveis à renovação - do poder em Portugal....





Incentivos numa economia fechada

A propósito dos comentário do PMF a este post.

1. A Terra é, para todos os efeitos práticos, uma economia fechada.

2. Não há comércio interplanetário nem investimento extraterrestre.

3. Pelo que teremos todos que viver com o que temos.

4. O capital e o trabalho disponíveis a cada momento é finito. (chamemos capital a tudo o que pode ser usado para criar riqueza excepto o trabalho. Estou aqui a incluir recursos naturais e o conhecimento acumulado pelas pessoas e pelas instituíções).

5. Nenhum governo pode injectar recursos na economia mundial para estimular a oferta ou o consumo ou o que quer que seja porque todos os recursos disponíveis já estão na economia mundial.

6. A riqueza per capita produzida a cada momento dependerá essencialmente do capital disponível.

7. Não é possível produzir mais riqueza per capita com o mesmo capital (um dia de trabalho é finito e o ócio vale para muitas pessoas mais que a riqueza material).

8. Logo, se toda a riqueza produzida for consumida, não há crescimento porque o capital disponível não pode aumentar/melhorar.

9. O capital disponível só pode aumentar/melhorar se parte do capital existente for usado para produzir mais capital ou para melhorar o capital existente.

10. Ou seja, só há crescimento se parte da riqueza produzida não for consumida mas poupada e acumulada sob a forma de mais/melhor capital.

11. Logo, se um hipotético governo mundial conseguir estimular o consumo, o resultado é menos poupança e menos crescimento.

12. Para estimular o consumo, o governo mundial tem que tirar de um lado para dar do outro. O governo mundial não pode pedir dinheiro emprestado ao FMI Interplanetário nem pode contar com o investimento extraterrestre. Todos os recursos existentes estão na economia que se pretende estimular.

13. Ou seja, o governo mundial só poderá incentivar o consumo se desviar recursos do investimento. Para incentivar uma coisa tem que desincentivar a outra.

14. Note-se que só pode haver investimento se parte do consumo for retardado.

(continua um destes dias)