4.1.08

Ir lá fora ver se chove*

Vai uma grande agitação por esse país fora. Dado o tumulto que o tema gera supor-se-ia que se discutem assuntos sério como a sustentabilidade da segurança social. Mas na verdade não é o futuro da segurança social que se equaciona. Aliás nem da segurança social nem de qualquer outra forma de segurança. Nesta matéria os cidadãos são obrigados a acreditar que a palavra governamental tem os poderes do verbo divino: a segurança existe porque assim o diz o Governo. E ponto.
Também poderíamos supor que a Pátria descobriu finalmente que fez mau negócio quando desistiu de exigir o socialismo ao PS. A separação entre o sonho – o socialismo, variante de cavaleiro andante surgido a cada campanha eleitoral – e o partido – espécie de grande loja por vezes muito mal frequentada mas muito bem afreguesada – tornou o PS na mais eficaz máquina de conquista do poder e controlo do aparelho de Estado em Portugal. ###
Não que os outros partidos não gostassem de fazer o mesmo mas felizmente para nós ou não têm uma ideologia que o legitime – casos do PP e do PSD – ou precisamente por causa da ideologia – caso do PCP – os portugueses olham com muito maior desconfiança a sua apropriação da máquina estatal.
Com o PS nada disto acontece. Com o S de socialismo ganha as eleições. Com o P de partido governa. E o rosa, cor de fundo, tudo atenua e desculpa. De manhã os governantes PS são adeptos do mercado e por isso usam a CGD como coisa sua. Seguidamente fazem uma paragem para café – seguindo naturalmente os ditames da DGS sobre os pastelinhos saudáveis – enquanto preparam o anúncio do encerramente de serviços de saúde no interior a par do aumento das receitas fiscais. A meio da tarde evocam as lutas académicas dos anos 60 antes de aprovarem a divulgação de mais uma lista negra de devedores e infractores. À noite os seus assessores confirmam nos últimos noticiários se se mantém eficaz a propaganda que garante tudo isto não passa da ‘indispensável optimização de sinergias para salvar o estado social’. Um estado tão perfeito que longe de nos garantir o que acreditávamos ser próprio dum Estado como a justiça, a defesa e a segurança, passou sim a procupar-se com aquilo que são as preocupações da sua nomenclatura: cobrar cada vez mais impostos pois só estes geram as verbas suficientes para que a nomenclatura, à semelhança dos patrícios romanos, alimente os seus clientes e a sua plebe.
O absurdo do politicamente correcto, as taxas, multas, coimas, entidades reguladoras a par das autoridades disto e daquilo encarregam-se de domesticar os mesmos cidadãos que é suposto constituirem a maioria dos contribuintes. Hoje a polícia andou em Portugal atrás de fumadores. Aos mesmos cafés onde não aparece em caso de assalto acorreu para levantar autos por causa duns cigarros. Loucura governamental? Nem pensar. Não só os ladrões não costumam pagar multas como todo este totalitarismo sanitário nos reduz de cidadãos livres em criaturas de tal modo atarantadas com a lei que confundem a cidadania com um correcto índice de massa corporal.
A legislação anti-tabágica é mais uma forma para em bom português dizer ao povinho para ir lá fora ver se chove... ou se alguém está a fumar. O povo tem ido.

*PÚBLICO 3 DE JANEIRO

Banco público financia assalto ao BCP

A notícia que andava por aí a circular saiu finalmente com o destaque que merece: os administradores da Caixa Geral de Depósitos concederam o crédito que financiou o seu assalto ao BCP. Provaram que é possível comprar um banco privado com o dinheiro público. Percebe-se agora qual deve ser a função de um banco público numa economia de mercado. Ah, e é tudo perfeitamente legal.

Peak Oil

Imagine-se que todo o petróleo do mundo pertence a um único proprietário. Qual é a estratégia de preços e calendarização de vendas que maximiza o capital deste proprietário?

3.1.08

Televisão Digital Terrestre

A Televisão Digital Terrestre estará obsoleta no dia em que for lançada.

Mudam-se os tempos



Foi muito curioso ouvir hoje Pinto Balsemão a criticar a decisão do Governo de abrir mais um canal generalista. Sobretudo pelos argumentos usados: vai prejudicar o mercado publicitário, vai ser uma televisão de enlatados, a qualidade vai descer...
Este Balsemão de 2008 faz lembrar o Soares Louro dos anos 80 a jurar que Portugal nunca teria mercado para televisões privadas e que a sua abertura seria um enorme erro.
Como se costuma dizer, todos somos a favor da concorrência excepto quando esta nos bate à porta (e nós já estamos demasiado instalados).

Sempre as mesmas falácias...

Esther Mucznik, cujos textos já viram melhores dias, irrompe contra aquilo que designa de “laicidade radical”.
Sem dúvida por culpa minha, nunca percebi o que isso é – nomeadamente, se a partir desse conceito impreciso devemos presumir a existência de uma laicidade frugal, ‘light’, ou tão correcta e artificialmente compensada que deixe de ser... laicidade.
O que vejo, cada vez mais, são os acólitos do sobrenatural a imaginarem perseguições (o omnipresente desejo de martírio) mal suspeitam que os seus privilégios e isenções, sempre muito materiais, podem vir a ser bulidos nem que seja ao de leve.

Percebe-se melhor o que quer Mucznik quando cita T. S. Eliot (fora do contexto): “Se não tiveres Deus terás de te prostrar perante Hitler ou Estaline”. Eis a suprema falácia feita de escolhas impossíveis, reduzidas à sua expressão inconcebível - ou Deus ou o Diabo, não pode haver terceira via, foi sempre o adágio dos adeptos do oculto organizado.
Para um liberal, como eu me sinto, a opção é muito mais simples – nunca te ajoelhes perante ninguém, homem, estátua ou simples pressentimento do desconhecido.

Run, Ron!

Estou curioso para ver se Ron Paul, o candidato que nem sequer surgia nas sondagens há pouco mais de dois meses, conseguirá agora ficar acima dos dois dígitos. Há quem indique que poderá ficar em terceiro, o que já seria um excelente indicador para as restantes votações.

Mas também será interessante verificar os resultados das próprias sondagens. Pelo que li, a esmagadora maioria das empresas continua a utilizar o sistema telefónico residencial. Mas cada vez mais emerge uma geração que não tem telefone fixo, e portanto uma parte crescentemente significativa de votantes não serão inquiridos. Não haverá grande problema se estes se distribuirem mais ou menos igualitariamente de acordo com os restantes grupos populacionais. Mas sucederá mesmo assim?

Precisamente, uma das esperanças dos apoiantes de Ron Paul, onde me incluo, é derivada do enorme sucesso das suas ideias políticas na internet, seja qual for o serviço ou plataforma que se analise, youtube, myspace, blogs, etc.
Terá esse interesse e popularidade correspondência em votos? Ver-se-á em breve.