19.6.06

Alternativas

Texto publicado hoje, na Dia D.

Em Portugal, como em quase toda a Europa, a construção do "modelo social" traduziu-se sempre em acréscimos da intervenção do estado na economia. A golpes de orçamento, os governos legítimos arrestaram fatias cada vez maiores da riqueza disponibilizada pelos cidadãos e empresas e, unilateralmente, assinaram contratos de futuros com a sociedade, garantindo aos eleitores do momento aquilo que ainda não sabiam se os seus filhos iriam produzir.

Hoje, até a aritmética mais simples já é suficiente para demonstrar a inviabilidade de alguns excessos prometidos e os membros do clube do estado sentem-se enganados e protestam, com toda a razão. Infelizmente, alguém lhes garantiu que teriam direito ao impossível.###

Desde o abandono de Guterres, após um inevitável choque com a realidade, todos os governos se têm empenhado em meritórias tentativas de domar a incontrolável despesa pública, por entre manifestações diárias de descontentamento de vários grupos com honra, carteira e direitos beliscados. Inglória é a tarefa e parcos os resultados. O poder da inércia do rolo compressor do estado social é incomparavelmente mais forte que a vontade proclamada de qualquer governo eleito por períodos de 4 anos. As proclamadas intenções de mudança, apesar do incómodo que causam nos grupos atingidos, pouco mais fazem do que mexer na primeira ou segunda casa decimal do consternado défice.

Apesar da irrelevância macroeconómica da maior parte das medidas anunciadas, a mínima atitude de contenção dos exageros é suficiente para deixar os afectados em estado de histeria. Imagine-se o que não aconteceria se o governo tivesse coragem para cortar a sério, transformar défices em superávits, diminuir a dívida pública, dotar o sistema fiscal de competitividade internacional e criar condições para deixar Portugal enriquecer.

Poderá um governo combater em simultâneo autarcas, polícias, militares, enfermeiros, médicos, advogados, juízes, doutores, professores, estudantes, reformados, sindicalistas, funcionários públicos de todos os géneros, autarcas, empresários, artistas, intelectuais e outros subsidiados, grupos que ocupariam todos os horários nobres de todos os telejornais com violentos lamentos em defesa do seu status quo de curto prazo, com todas as razões de queixa e absolutamente convencidos da inviabilidade da sua profissão sem o manto protector do contribuinte? Até onde vai a coragem do político que sabe que vai perder os votos das maiorias incomodadas?

Para mal dos nossos netos, as maiorias estão do lado errado do futuro.

Reconheça-se que há alternativas. A primeira é óbvia, a opção voluntária pela segunda divisão. Aceite-se a nossa evidente e demonstrada incompetência para gerir um orçamento equilibrado e recupere-se o instrumento monetário, abandonando o Euro. Desvalorize-se a moeda e renovem-se os ajustes do início da década de 80, com ou sem FMI. Os custos financeiros disparam, as famílias sentem na carteira o menor poder de compra, perdem-se mercados. As falências, a inflação e o desemprego encarregar-se-ão de repor muitos salários a níveis consistentes com a nossa realidade económica. Com sorte, depois do choque e de competitividade recuperada poderemos estar ao nível da Hungria, da Polónia ou da Roménia e recomeçar a senda do crescimento a partir daí.

A outra alternativa é não fazer nada. Desiste-se de lutar contra todos os interesses instalados, cedem-se às pressões do clube do estado e aceita-se a modorra do empobrecimento continuado. Continuamos como até aqui, com governos incapazes de ajustar a sua dimensão às capacidades do país, suportando os défices com sistemáticos aumentos de impostos. O país empobrece, o clima deteriora-se, os governos não duram, os ministros são descartáveis, os extremismos ganham espaço e a entropia instala-se. Os nossos bisavôs ainda se lembram de tempos assim e sabem bem como acabaram os dias da confusão. Foi em 28 de Maio de 1926.

VOLITIVAS INVERSÕES

Inverter a lógica natural das coisas é, por exemplo, apelidar de salazarentos aqueles que recusaram embarcar na manada futeboleira-patrioteira que desponta nestes tempos de Mundial.
Sobretudo se a pseudo-argumentação que visa estribar esse epíteto assenta, ironicamente, no exemplo mais cabal da fabricação artificial do espírito nacionaleiro do antigamente: o Mundial de 1966 ! Usa-se a fina flor do espírito salazarento no seu pior para cognominar os resistentes de ... salazarentos - não é bonito. E muito menos será liberal...
Tudo aquilo que está descrito neste texto apenas serve para comprovar, embora involuntariamente, que este ainda é o país dele. E os escrevinhadores do regime também são mais ou menos os mesmos.

O nosso Sovkhoz

E por falar em microgestão da economia, hoje no Público fala-se dos planos do governo para transformar a Companhia das Lezírias numa "herdade-modelo". À boa maneira soviética.

O AZUL-E-BRANCO NA VITÓRIA DA SELECÇÃO



E noutros lugares do Mundial:



Ver todos os pormenores na Rua da Judiaria

Olhem para ele...


Este senhor Francisco Javier García Gaztelu também conhecido por 'Txapote' é o homem que disparou sobre Migel Angel Blanco. Começou a ser julgado e este é olhar que lança sobre o tribunal e os familiares das suas vítimas. O seu comportamente em tribunal é um sinal de como a ETA sabe que está acima da lei. É gente como Txapote ou ainda mais duros do que ele - como Otegi - que se vão sentar naquilo a que se chama Mesa de Partidos com a qual Zapatero vai negociar. Resta perguntar negociar o quê?

Pois é!




A propósito da sua recente biografia de Paiva Couceiro, VPV, na ed. de hoje de o "Público" (link não acessível) acerta na "mouche":

"Niguém diría (...) que há dois séculos o nosso problema é sempre o mesmo"!

PS - A não perder, também hoje e com o "Público", a Dia D (com o blasfemo jcd e o nosso consultor AAA, em destaque....)

Teremos bela arquitectura por detrás dos trapos

Isto do direito à arquitectura é muito bonito. Até proibiram os não arquitectos de fazer projectos para o garantir. Estou quase convencido. Os prédios ficarão muito mais bonitos, espera-se. Mas depois vem um não arquitecto e pendura um pano verde e vermelho à janela. Vem outro e mete umas cuecas a secar. Vem outro e mete uma gaiola com o canário. Vem outro e mete um cachecol do Benfica. Como é que pode haver direito à arquitectura se qualquer um sem preparação técnica nem sentido estético certificado pode pendurar um trapo à janela? Para quando o monopólio dos enfeites desportivos para os decoradores? Este país está cada vez mais feio e a culpa é do Prof. Marcelo e do Scolari. Onde é que está a Helena Roseta quando precisamos dela?