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8.3.07

Uma semana na vida de um bloguista

Uma semana dedicada a combater duas ideias erradas:

1. a de que existem várias verdades;

2. e a de que uma autoridade centralizada é a melhor forma de descobrir a verdade.

Curiosamente, há defensores da primeira que me acusam de defender a segunda e defensores da segunda que me acusam de defender a primeira. Está difícil de explicar que:

1. uma coisa é existência da verdade única outra é a existência de uma autoridade que a tenha descoberto e outra ainda é a existência de uma certeza sobre qual a autoridade que detém a verdade;

2. uma coisa é defender que a existência de um monopólio da autoridade académica prejudica a busca da verdade, outra é considerar que todas as autoridades têm igual valor.

Inbreeding corporativo

As corporações e os sindicatos tinham parecenças com as ordens religiosas da Igreja.

Mas as corporações são socialmente úteis?

Claro que são. Veja-se que a Saúde dos portugueses ainda é garantida por um dos vestígios do corporativismo.

Como assim?

A Ordem dos Médicos. Se não fosse a Ordem dos Médicos os portugueses seriam enganados pelo primeiro charlatão que lhes aparecesse.

Como assim?
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A Ordem dos Médicos garante que apenas os bons médicos possam dar consultas e que apenas as boas universidades possam formar médicos.

Sim, mas como é que podemos ter a certeza que a Ordem dos Médicos faz uma avaliação correcta?

Porque a Ordem dos Médicos é constituida por médicos criteriosamente seleccionados.

Seleccionados por quem?

Pela ordem dos médicos.

Não haverá conflito de interesses?

Não, porque os membros da Ordem dos Médicos também são avaliados pelas universidades.

E quem avalia as Universidades?

A Ordem dos Médicos.

Mas as pessoas que estão na Ordem dos Médicos não são também as que estão nas Universidades?

Algumas são, mas sabe que é muito difícil encontrar pessoas de qualidade ...

Suponho que é por isso que muitas delas partilham os mesmos apelidos?


Exacto. A qualidade vai na família. É genético. Há um estudo da Ordem dos Médicos que o comprova ...


E não seria melhor que as universidades fossem avaliadas por autoridades estrangeiras?


Nope. As autoridades estrangeiras não são tão exigentes quanto as portuguesas.

E quem chegou a essa conclusão?

A Ordem dos Médicos.

Mas a Ordem dos Médicos não é avaliada por autoridades estrangeiras ...

Nem faria sentido. A nossa Ordem dos Médicos é a melhor do mundo.

Quem o diz?

Há um estudo universitário que o comprova.

Os médicos não são quem mais tem a ganhar com a existência de critérios excessivamente rigorosos à entrada da profissão? Esse factor não influencia as decisões da Ordem dos Médicos?

Os médicos preocupam-se apenas com a saúde do doente.

Mas certamente que existem grupos mal intencionados ...

Impossível. A Ordem dos Médicos é muito rigorosa nessa questão.


A abertura das universidades à concorrência privada não seria vantajosa para o consumidor de serviços de saúde.


Nope. Iria degradar a qualidade.

Quem diz?

A Ordem dos Médicos.

A abertura das ordens profissionais à concorrência não contribuiria para melhorar a aficiência da certificação?

Há um estudo realizado por um Catedrático de medicina que prova que a eficiência iria piorar.

26.2.07

Acantonados

Alguns senhores magistrados estão muito ofendidos com uma jornalista que num seu artigo de opinião, entendeu referir em termos pouco abonatórios os magistrados de forma genérica. Foi abusiva tal generalização? Não creio. As posições que a autora critica tinham sido expressas por um membro da direcção da Associação Sindical e noutro caso por um membro do Conselho Superior de Magistratura. Na medida em que os magistrados citados ou as posições criticadas emanam e são proferidas enquanto membros de órgãos representativos da classe dos magistrados, a generalização usada pela autora parece-me compreensível.
Vai daí, um dos visados pretendeu exercer o direito de resposta, com um texto que foi objecto de recusa de publicação, pelo então director do DN, António José Teixeira. Face ao tom, teor e extensão da carta, de acordo com a lei, que se deveria supor que o autor a conhecesse, parece-me a decisão de AJT perfeitamente adequada.

Mas o sumo da coisa são mesmo as reacções de alguns dos magistrados face aos eventos, indignados pela não-publicação. Um exemplo significativo é o de Francisco Bruto da Costa: «Nos tempos actuais, os jornalistas perderam o monopólio da informação (e da propaganda...) - a World Wide Web e a sua componente Blogosfera permitem actualmente que os cidadãos saibam em tempo quase real de todas as perversões informativas dolosas, culposas ou simplesmente "ignorantosas"»
Sim, sim, até poderá ser. Mas, já agora, só faltará mesmo é os cidadãos poderem também aceder, pela «www. e sua componente blogosfera» a todas as «perversões [jurídicas] dolosas, culposas ou simplesmente "ignorantosas"» eventualmente praticados pelos senhores magistrados. Ou não?

Nota: vale a pena ler todos os comentários presentes no último link indicado. São muito esclarecedores.
(via CF&A)