13.9.06

portas 2007

O dr. António Pires de Lima anuncia nos jornais de hoje o regresso do dr. Paulo Portas à liderança do CDS, já em 2007. O fundamento dessa emergência é, segundo o próprio, o estado de degradação política a que a actual direcção e Ribeiro e Castro terão conduzido o partido, pretexto que, de resto, o dr. Portas anunciara em tempos ser o único que poderia justificar um tão grande sacrifício.
Ora, nestas coisas de regressos, sobretudo dos que são provocados pela demissão voluntária do regressado, há que ter certos cuidados. Desde logo, porque só se justificam se trouxerem mais qualquer coisa do que aquilo que se deixou. No caso de um partido político como o CDS, que teve responsabilidades governativas sob a precisa tutela do dr. Portas, ele terá de esclarecer em que é que a sua presença, agora, se distinguirá daquela que já teve no passado recente e que não o satisfez, ao ponto de se ter demitido.
Por outras palavras: há uns meses o dr. Pires de Lima proclamou sensatamente que a direita fora para o governo sem estar preparada. Acha, agora, que o dr. Portas tem algumas novidades a dar-nos nessa matéria? Porque se o seu regresso for apenas para conflituar com a actual direcção (ao que dificilmente conseguirá escapar) em nome de interesses e princípios difusos para consumo televisivo, vale mais estar quieto. Mesmo, até, porque se arrisca a ouvir do que não gosta e a perder definitivamente uma certa aura de unanimidade que deixou ao sair.