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25.2.05

O Ambientalista Liberal - salvar a floresta tropical comprando-a

Balam Na Project:

The second step is the establishment of the Balam Na protected area?a partnership between Wildtracks and three private stakeholders, protecting a total of approximately 750 acres of rainforest and 100 acres of wetlands.


The third step involves negotiations with a large private landowner, for the possible acquisition of a portion of land needed to complete this biological corridor linkage.


With your last donation, we were able to make the all-important down payment to the Government towards the purchase of Balam Na Tracts as "freehold" property? for greatest long-term security.



Aceitam doações. Por apenas 50 dólares qualquer um pode salvar 1 acre de floresta tropical. O dinheiro será usado na aquisição de áreas florestais e para pagar os custos burocráticos. Muito engenhosos estes ecologistas liberais.

São as chamadas soluções utópicas.

O Ambientalista Liberal - privatização das baleias

Privatize the Whales:

Allowing whales to be owned by individuals, groups or communities would be the surest way to ensure their continued survival. Owners could benefit from measures they took to protect their whales, whether for hunting, whale-watching or merely for the satisfaction of knowing they were protected. Just think of the numbers of whales that Greenpeace could ensure would never be hunted if it put all of the millions it spends on its propaganda campaigns into retiring harvest rights for whales or otherwise directly protecting them.


Privatizing whales may seem farfetched, but in fact the technological obstacles to an ownership program are rapidly disappearing. Back in the heyday of whaling, it was simply not feasible to exert ownership over living whales, but the whalers did construct an elaborate set of rules that governed harpooned whales. Readers of "Moby Dick" will be reminded of clearly marked harpoons that carried different rights of proprietorship over a whale depending on the speed of the current and the type of whale. In 1993, scientists tracked a single blue whale for 43 days over 3,200 kilometers (1,984 miles) based solely on its individual song. Other advanced technologies such as satellites and unmanned submersibles could be even more effective if given the chance.

O Ambientalista Liberal - links

Fencing the Fishery -A Primer on Ending The Race for Fish

Turning Wildlife Into An Asset - A Guide for State Policymakers

Conserving Biodiversity Through Markets: A Better Approach


Private Conservation of Wildlife in Africa


Fisheries Conservation through Property Rights

24.2.05

O Ambientalista Liberal - respostas

Ver o comentário do CN no blog da Causa Liberal.

O Ambientalista Liberal XIV

(continuação)


A teoria liberal deve ser aplicada cuidadosamente a cada caso. Observações superficiais sobre os problemas não ajudam à sua compreensão e resolução. Perante um problema ecológico, a pergunta que deve ser feita é: qual é o direito de propriedade que está a ser violado ou qual é o common? Alguns exemplos:


Eucaliptos: o problema dos eucaliptos deve-se, por um lado ao apoio do estado à indústria florestal, e por outro à inexistência de direitos de propriedade sobre a água. Se as indústrias florestais não fossem subsidiadas, a pressão para a plantação de eucaliptos seria menor. E se os plantadores de eucaliptos tivessem que pagar a água que consomem, o negócio não seria tão atractivo.

Aquecimento Global: o problema do aquecimento global é um problema de emissão de gases de estufa para um common global. A atribuição da culpa a este país ou aquele não vai resolver o problema porque cada país tem um incentivo para emitir gases de estufa que é superior ao incentivo para não emitir porque os ganhos são nacionais e as perdas globais.

Destruição de propriedades de valor ambiental: pode resultar da má alocação dos direitos de propriedade que impede a exploração do valor ambiental. Por exemplo, na costa algarvia há zonas em que vários proprietários competem para explorar a vizinhança da praia não tendo que pagar nada por essa utilização.

Destruição de propriedades de alegado valor ambiental:
aqueles que alegam valorizar um determinado bem ambiental não estão dispostos a comprar esse bem. Por exemplo, embora muitos ecologistas sejam a favor dos parques nacionais, pouco estariam dispostos a pagar uma entrada para os visitar.

Suinicultoras de Leiria: O rio não é de ninguém e o estado não pode intervir porque não quer prejudicar os interesses económicos dos eleitores.

Água de consumo humano: É subsidiada. Por isso é que a água é desperdiçada e as empresas de água não têm muito interesse em processar os poluidores a montante para garantir a qualidade do seu input e a redução de custos de tratamento.

Pesticidas: É um problema de propriedade dos rios e das águas subterrãneas. Os agricultores não têm que pagar os custos de poluição a jusante. Para além disso, toda a agricultura é subsidiada e ineficiente. Os agricultores têm poucos incentivos para fazer uma gestão racional dos seus recursos e muitos nem são necessários.

Espécies em extinção: se elas são realmente valiosas para alguém, então o que os ecologistas têm que fazer é comprar os seus habitats e criar parques naturais. Parte das receitas para a compra e manutenção podem ser obtidas através do turismo ecológico.

Pescas: Os pescadores não são os proprietários dos cardumes. A gestão da pesca deve ser feita pelas próprias associações de pescadores.

(continua)

O Ambientalista Liberal XIII

(continuação)


Uma das criticas que é feita ao capitalismo é que os capitalistas, para obterem lucro, estão dispostos a tudo, inclusive a destruir os recursos naturais que geram o lucro. Por exemplo, um agricultor não estaria interessado em investir em métodos de conservação do solo porque o que lhe interessa não é conservar a sua propriedade em bom estado mas sim maximizar a produção agricola para vender o mais possível.

O problema desde raciocínio é que pressupõe que um capitalista está interessado acima de tudo em maximizar as receitas. O que um capitalista pretende é, depois de descontado o seu consumo, maximizar o valor dos seus activos, quer eles estejam sob a forma de dinheiro vivo, quer eles estejam sob a forma de propriedades. Ora, o valor de uma propriedade depende do seu estado de conservação e um capitalista que destrói o seu próprio capital para maximizar a receita está a empobrecer-se. Um capitalista tem mesmo um incentivo para melhorar o estado de conservação das suas propriedades porque se o fizer está a ficar mais rico.

Um agricultor não tem nenhum interesse em destruir o solo das suas próprias propriedades para produzir um bocadinho mais e ganhar um bocadinho mais porque o dinheiro em excesso seria conseguido às custas do valor da sua própria propriedade porque o valor de mercado de um terreno agrícola é tanto maior quanto maior for o seu estado de conservação.

No entanto, quem explora temporariamente uma propriedade que não é sua terá tendência para maximizar as receitas à custa do estado de conservação e do valor da propriedade. Isto acontece porque quem explora uma propriedade está interessado em maximizar os seus activos e não os activos do dono da propriedade.

(continua)

23.2.05

O Ambientalista Liberal XII

(continuação)

Dado que os problemas ambientais são essencialmente problemas de propriedade, o liberalismo tem uma contribuição muito importante a dar para a sua resolução. Isto é como o ovo de Colombo. Se os problemas ambientais são problemas de tragédia dos comuns então a solução não é a criação de um common administrativo para controlar o uso da propriedade comum, mas a privatização dos commons. Como isso deve ser feito depende das circunstâncias particulares de cada problema.

As soluções de inspiração liberal já estão a ser aplicadas por todo o mundo. Aqueles que um tanto jocosamente dizem que o que os liberais querem é privatizar o ar esquecem-se que, em parte o ar já está a ser privatizado. Os países membros da União Europeia acabam de conceder às empresas industriais direitos de emissão de CO2 transaccionáveis em bolsa. Assim, de certa forma algumas empresas têm direitos de propriedade sobre a atmosfera que mais ninguém tem.

Em Portugal, está em curso a privatização da caça. Os terrenos de caça livre estão abertos a todos. Nenhum dos caçadores está muito interessado na conservação da caça e todos estão interessados em caçar. Nas zonas de caça associativa, os caçadores têm que contribuir para a conservação da caça. Os terrenos de caça livre são commons vulneráveis à tragédia. Os terrenos de caça associativa são propriedade das respectivas associações, as quais têm um interesse em conservar os recursos para se manterem atractivas para os seus sócios e clientes.

(continua)

12.2.05

O Ambientalista Liberal e a actualidade

A propósito do Ambientalista Liberal recomendo os textos seguintes:


Projecto da Freeport Beneficiou da Alteração da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo


Truques Velhos e Gastos por Miguel Sousa Tavares


Nota: As pessoas que tomam decisões sobre as áreas protegidas com interesse ambiental não são os seus verdadeiros proprietários. São políticos que estão de passagem.

11.2.05

O Ambientalista Liberal XI

(continuação)


Muitos ambientalistas perceberam, intuitivamente, que a razão e o pensamento crítico podem não ser bons aliados da sua causa. É por isso que os movimentos ambientalistas se foram afastando progressivamente das suas origens cientificas e se parecem cada vez mais com religiões. A vantagem das religiões antigas é que elas se foram adaptando ao longo dos séculos às necessidades de longo prazo das sociedades humanas e os seus dogmas eram compatíveis com a preservação dos commons. O problema da nova religião ambientalista é que os seus dogmas, recentemente inventados, muitas vezes sem suporte científico e em constante mutação, só por acaso é que preservam os commons. Na maior parte dos casos promovem a hipocrisia e o alarmismo fazendo mais mal que bem. Para piorar a situação, a nova religião ambientalista está já a contaminar a ciência e o jornalismo. As formas tradicionais de fazer ciência e jornalismo, baseadas no rigor e na objectividade, continuam a ser os melhores antídotos contra esta nova religião, mas temo que ela já se encontre demasiado espalhada.

(continua)

O Ambientalista Liberal X

(continuação)


Quem insiste no papel da educação como forma de minorar os problemas ambientais não entendeu completamente a tragédia. É verdade que a imposição de normas de conduta em crianças em idade impressionável contribui para que elas se comportem de uma determinada maneira. Só que os pais e educadores bem sucedidos, isto é, aqueles que chegam mais depressa à posição de educar alguém são os que colocam os seus próprios interesses acima dos interesses da comunidade. Por isso, não devemos esperar que as regras que protegem os commons prevaleçam. Devemos, no entanto, esperar que a hipocrisia prevaleça. Devemos esperar uma contradição entre o comportamento ostentado e o comportamento privado. E as crianças, por muito impressionáveis que sejam, são muito mais sensíveis aos exemplos do que aos sermões. Aliás, devemos esperar que perante um exemplo de hipocrisia, as crianças impressionáveis aprendam a ser hipócritas.

Também não devemos esperar que os que atingem a idade da razão compreendam a racionalidade das normas interiorizadas. Em primeiro lugar, porque as normas interiorizadas que protegem os commons não são racionais. Essa é a grande lição da tragédia. Nos commons, o comportamento egoísta é o único comportamento racional porque quem se comporta altruisticamente contribui mais para o bem estar dos egoístas do que para a preservação dos commons. Em segundo lugar porque, mesmo que as normas fossem racionais, os indivíduos têm um grande incentivo para as ignorar.


Promover a razão pode levar a que alguns compreendam a tragédia. Mas a maior parte dos indivíduos têm um incentivo muito grande para não a entender. Ou para a entender, mas para fingir que ela não se aplica ao seu caso específico, mas aos outros. E quem compreende a tragédia não está necessariamente disposto a viver numa sociedade em que a cooperação é incentivada através da penalização do egoísmo. Em primeiro lugar porque quem compreende realmente a tragédia sabe que a penalização do egoísmo não é a melhor solução. E em segundo lugar, mesmo que a penalização do egoísmo fosse a melhor solução, a maior parte das pessoas continuaria a ter um incentivo para defender a penalização dos outros, mas não a sua própria.

(continua)

O Ambientalista Liberal IX

(continuação)


A solução moderna, a educação, também não é muito prometedora. Vale a pena lembrar o problema que se pretende resolver: os agentes racionais tendem a sobre-explorar a propriedade comum porque os ganhos são privados e as perdas são públicas. Esta situação mostra quão importante era a ignorância nas sociedades tradicionais. Aqueles que seguiam cegamente as tradições desenvolvidas ao longo de séculos sem as pôr em causa contribuíam primeiro para a preservação dos commons e só depois para para si próprios. As tradições religiosas eram um antídoto contra a tragédia. Ora, os educadores andam há 200 a promover a razão contra a tradição. Se esperamos que os estudantes sejam racionais, não lhes podemos pedir que também sejam masoquistas e que abdiquem de tomar as decisões que mais os favorecem. Quem promove a razão não pode esperar que a razão não seja usada de acordo com os interesses de quem a usa.

(continua)

9.2.05

O Ambientalista Liberal VIII

(continuação)

Destas 4, a solução liberal é a única que consegue escapar à lógica da tragédia.

A solução social, em que se espera que os membros de uma comunidade se controlem uns aos outros só funciona em comunidades pequenas, nas quais todos se conhecem e cada membro da comunidade pode registar mentalmente a reputação e as dívidas sociais dos restantes. Nas comunidades maiores, as interacções são anónimas e o registo de reputações e de dívidas sociais é impossível. As comunidades maiores são ameaçadas por fenómenos de free riding, isto é, indivíduos que consomem mais recursos comunitários do que aqueles a que têm direito.


A solução socialista é a pior de todas as soluções. Perante um problema, a propriedade comum, o socialista propõe a criação de uma nova camada de leis, regulamentos e instituições cuja gestão tem que ser feita pela comunidade. Contra os ?commons? o socialista propõe-se criar um novo ?common?: uma burocracia em que o incentivo para a batota é superior ao incentivo para a cooperação.

A fé na democracia fundamenta-se em três equivoco:

1. na ideia de que os gestores da propriedade comum são respeitáveis servidores da causa pública sem quaisquer interesses mundanos.

2. na ideia de que os eleitores estão mais preocupados com o bem comum do que com os seus interesses mesquinhos.

3. Na ideia de que os processos de controlo democrático são mais eficientes do que os mecanismos de mercado.


Um político está na mesma posição que os pastores dos ?commons? tradicionais. Se ele fizer o que é melhor para si próprio ganhará mais do que perderá como membro da uma comunidade porque os ganhos são só dele e as perdes dividem-se por todos. Por isso, os políticos, pensando no seu próprio benefício, tenderão a agradar aos grupos de pressão mais poderosos e com mais capacidade de mobilização. Estes são aqueles que mais lucram com a pressão política e tendem a ser os mais têm a ganhar com a destruição do ambiente. Este problema não pode ser corrigido pelo sistema de eleições por dois motivos. Em primeiro lugar, os grupos de eleitores estão mais interessados em defender os seus interesses económicos do que em defender o ambiente e pela mesmas razão: os ganhos são privados, as perdas são públicas. Em segundo lugar porque há um ?bottleneck? informativo entre o eleitor e o eleito. O eleitor individual não sabe muito bem o que o eleito anda a fazer nem tem os meios para obrigar o eleito a fazer o que é melhor para a comunidade. E o eleito não conhece as consequências específicas das suas medidas na vida dos eleitores.


(continua)

O Ambientalista Liberal VII

(continuação)


Quanto o dilema do prisioneiro é jogado por muitos jogadores o resultado é a chamada tragédia dos comuns. Imagine-se uma aldeia de pastores que partilham uma pastagem aberta a todos. Os direitos de propriedade sobre a pastagem são indefinidos. A pastagem não é de ninguém e é de todos ao mesmo tempo. Qualquer pastor pode lá colocar as suas ovelhas quando quiser e na quantidade que quiser. No entanto, a pastagem pode suportar um número limitado de ovelhas, digamos 100 ovelhas, de cada vez. Acima deste número, as ovelhas começam a prejudicar a renovação natural da pastagem.

Cada pastor tenderá a defender os seus interesses próprios e para isso analisará, consciente ou inconscientemente, não interessa, os seus custos e os seus benefícios. Por cada ovelha adicional que o pastor X coloca na pastagem:

-o pastor X ganha Y unidades de utilidade

-a comunidade perde Y unidades de utilidade

-o pastor X, como membro da comunidade perde uma fracção de Y unidades de utilidade. Para simplificar podemos supor que essa fracção é Y/N, em que N é o número de pastores.

Ou seja, enquanto as receitas de colocar uma ovelha na pastagem comum são do dono da ovelha, os custos são partilhados por toda a comunidade. Isto significa que cada pastor terá um incentivo para colocar todas as suas ovelhas na pastagem comum. O resultado é previsível e, se não forem tomadas medidas, inevitável: a destruição completa da pastagem. A esta destruição inevitável dos recursos naturais é a chamada "tragédia dos comuns" (Tragedy of the Commons -- Commons == propriedade comunitária).

Têm sido propostas várias soluções para o problema da tragédia dos comuns:

1.A solução moderna: a educação. As pessoas devem ser educadas a conterem os seus impulsos egoístas.

2.A solução socialista: a gestão democrática dos comuns.

3.A solução social: numa pequena comunidade em que todos se conhecem, os comuns podem ser geridos através da pressão social e com base em regras criadas espontâneamente pela comunidade.

4.A solução liberal: privatização dos comuns.

(continua)

8.2.05

O Ambientalista Liberal VI

(continuação)

A relação entre direitos de propriedade e os problemas ambientais percebe-se melhor com a ajuda de dois conceitos da teoria dos jogos: o dilema do prisioneiro e a tragédia dos comuns.

O dilema do prisioneiro é um jogo entre dois prisioneiros, prsioneiro A e prisioneiro B, que são acusados de um crime. A polícia não dispõe de provas suficientes e por isso resolve propor a cada um dos prisioneiros um acordo nos termos seguintes:

- se ambos confessarem (denunciando o parceiro), serão ambos condenados a uma pena intermédia (6 anos)

-se um confessar (denunciando o parceiro) e o outro não, o que confessar é libertado, o que não confessar é condenado a uma pena pesada (10 anos)

-se nenhum confessar serão ambos condenados a uma pena leve (6 meses).






A nega
(coopera)
A confessa
(não coopera)
B nega
(coopera)
6 meses para A e BB apanha 10 anos
A é libertado
B confessa
(não coopera)
A apanha 10 anos
B é libertado
6 anos para A e B



Nenhum dos prisioneiros é previamente informado sobre a decisão do outro. Perante uma proposta destas qual é a opção mais racional do ponto de vista de um prisioneiro que pretenda minimizar o tempo que passa na prisão? (este é que é o dilema do prisioneiro) Note-se que se um prisioneiro opta por não denunciar o parceiro está a cooperar com ele esperando reciprocidade. Se opta por denunciar o parceiro está a traí-lo esperando uma redução de pena.



A resposta ao dilema depende da relação entre os prisioneiros. Se os prisioneiros mal se conhecem e se esta é uma interacção única entre os dois, então a opção mais racional é confessar. Qualquer que seja a decisão do outro parceiro, a decisão de confessar dá sempre uma pena menor. Por exemplo, se B negar, então A deve confessar para sair em liberdade em vez de apanhar 6 meses. Se B confessar, então A deve confessar para apanhar 6 anos em vez de 10. Como o mesmo raciocínio se aplica a B, a opção mais racional para cada prisioneiro é confessar. O prisioneiro que não confessar arrisca-se a ser enganado pelo parceiro e a ser condenado a 10 anos. Note-se que a soma dos tempos que ambos passam na cadeia é mínimo se ambos cooperarem, mas nenhum está interessado em confessar.

Se os prisioneiros se conhecem e se existir uma probabilidade elevada de esta situação se repetir no futuro então os prisioneiros podem estabelecer uma relação cooperativa porque ambos estão interessados em manter uma reputação de bom parceiro.

O dilema do prisineiro é um modelo para todas as situações reais em que os incentivos para não cooperar são superiores aos incentivos para cooperar, excepto se se estabelecer uma relação de confiança entre os dois parceiros. É o caso dos recursos partilhados por dois parceiros. Por exemplo, dois marinheiros num barco com pouca comida. Neste caso, a sobrevivência de cada um depende do racionamento da comida. O racionamento é uma estratégia de cooperação. Comer às escondidas é uma violação da cooperação. Se ambos conseguirem comer às escondidas, os alimentos esgotam-se e morrem os dois. No entanto, se um deles se recusar a comer às econdidas e o outro não o fizer aquele que se recusa a comer às escondidas morre ainda mais depressa.

(continua)

7.2.05

O Ambientalista Liberal V

(continuação)

O que há de comum entre o caso das suiniculturas de Leiria e o caso do Mar Aral não é o lucro capitalista, mas a violação de direitos de propriedade. O que as pessoas criticam quando falam no lucro capitalista não é o lucro propriamente dito mas a ambição e o egoísmo humanos. A ambição e o egoísmo não são características de um determinado sistema económico mas da espécie humana. E não é por se mudar de sistema económico que se muda a natureza humana.


O comunismo na URSS não conseguiu abolir a natureza humana. Num sistema comunista a ambição e o egoísmo continuam lá, a diferença é que deixam de estar limitados pelos direitos de propriedade. Por detrás da destuíção do Mar de Aral estão também a ambição e o egoísmo dos dirigentes do Partido Comunista, mas a tragédia do Mar de Aral só foi possível porque não existiam direitos de propriedade.

O que distingue o capitalismo dos outros sistemas económicos é o direito de propriedade. A ambição, o egoísmo e o lucro existem como em qualquer sistema, mas o direito de propriedade de terceiros tem que ser respeitado.

(continua)


O Ambientalista Liberal IV

(continuação)

Todos os exemplos que têm sido apresentados nos comentários são exemplos de violação ou indefinição de direitos de propriedade. Três exemplos:

1. Os transvases espanhóis são uma violação dos direitos de propriedade de quem vive a jusante do ponto de transvase;



2. O problema do Mar Negro Morto deve-se à existência do Estado de Israel e o Estado de Israel é ele próprio uma gigantesca violação do direito de propriedade;

3. O caso das suiniculturas de Leiria deve-se ao desrespeito pelos direitos de propriedade de quem tradicionalmente usa a água do rio Liz para beber.

(continua)

O Ambientalista Liberal III

(continuação)

O caso do Mar de Aral não demonstra, como é evidente, que só em ditaduras comunistas é que existem problemas ambientais. O que o caso do Mar de Aral demonstra é que não é por se abolir o lucro capitalista que os problemas ambientais desaparecem.

O caso do Mar de Aral é um caso em que o desrespeito dos direitos de propriedade adquiridos ao longo de gerações por aqueles que tradicionalmente utilizam os recursos naturais. E o desrespeito dos direitos de propriedade é uma das principais causas dos problemas ambientais. A outra é a inexistência pura e simples de direitos de propriedade sobre recursos naturais valiosos.



O caso do Mar de Aral é apenas um caso extremo que só foi possível numa ditadura. Em Portugal tivemos, a uma escala menor, o caso de Vilarinho das Furnas, em que os direitos de propriedade dos habitantes de uma aldeia centenária foram ignorados a favor da construção de uma barragem.

(continua)

O Ambientalista Liberal II

(Continuação)

Mas se assim é, se o capitalismo é assim tão mau para o ambiente porque é que os maiores problemas ambientais se encontram em países não capitalistas? Como explicar a água infestada de colera dos países do terceiro mundo ou a atmosfera irrespirável das cidades industriais do tempo da antiga União Soviética?

A destruíção do mar Aral na antiga União Soviética deve ser um mistério para alguns ambientalistas. Na URSS o lucro tinha sido abolido e tudo era decidido pelo estado. Mesmo assim, entre 1960 e 1990 o Mar de Aral perdeu metade da sua área. Algumas aldeias de pescadores ficaram a quilómetros do mar. O que é que aconteceu se não havia lucro?



Na antiga URSS a economia era totalmente controlada pelo estado, o que implicava que toda a actividade económica estava sujeita às preferências dos planificadores dos ministérios e dos comissários políticos. As preferências do consumidor não se podiam manifestar, excepto por meios políticos através da hieraquia do partido comunistata.

Ora, os burocratas do partido não podiam ter muitas prioridades. Eles não tinham nem a informação, nem os meios para atingir um número variado de objectivos. E por isso escolhiam apenas os objectivos que consideravam mais importantes. Neste caso, o que eles acharam mais importante foi produzir tanto algodão quanto possível e submeteram a este objectivo todos os outros. Para isso, precisaram de desviar os principais rios que alimentavam o mar de Aral para irrigarem os campos de algodão do sul desértico da antiga URSS.

O algodão era considerado pelos planificadores como uma espécie de «ouro branco». Era portanto aquilo a que hoje chamamos um desígnio nacional. Os estatistas adoram desígnios nacionais porque eles viabilizam o planeamento. Cá também temos o nosso «petróleo verde». É por causa dessa ideia do petróleo verde que Portugal está cheio de eucaliptos. E é por causa dessa ideia que Portugal tem uma floresta sobredimensionada que arde todos os anos.


A destruíção do mar de Aral só foi possível precisamente porque a URSS era tudo menos um país capitalista. A origem de todo o problema está na sobrevalorização do algodão em relação a outros bens que os consumidores normalmente valorizam como o peixe, a água e o ambiente. Numa economia de mercado, nenhuma empresa se lembraria de produzir algodão no deserto pelo simples facto de o projecto não ser rentável. Numa economia de mercado, as empresas investiriam na indústria da pesca e no turismo do mar de Aral e nunca se lembrariam sequer de reúnir investimentos para desviar dois rios.

O sistema político da antiga URSS também foi importante para a destruição do Mar de Aral. Numa democracia liberal, o governo nunca conseguiria desviar dois rios para irrigar campos de algodão por duas razões fundamentais:

1. Tal desvio violaria os direitos de propriedade de todos os que viviam à volta do mar de Aral

2. A decisão não resisitiria ao escrutínio da imprensa e dos eleitores

(continua)

O Ambientalista Liberal I

O ambiente é considerado uma causa de esquerda. Os ambientalistas atribuem ao capitalismo a origem de todos os males ambientais. O capitalismo é visto como uma força predadora da natureza porque o capitalista destrói o meio ambiente para obter lucro. O ambiente é considerado incompatível com o lucro e mesmo a única forma de se se chegar ao lucro.


Para o ambientalista típico, as empresas são inimigas do ambiente e por isso as actividades empresariais devem ser limitadas por leis e regulamentos. O ambiente deve estar acima da economia, diz-se. Os ambientalistas mais extremos dizem mesmo que o Homo Sapiens é uma espécie infestante que está a destruir o planeta. Daí às críticas ao consumo, e à defesa de políticas de controlo de natalidade e da pobreza como modo de vida é um pequeno passo.

(continua)