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26.6.07

Qual será o custo para o contribuinte?

TGV vai ter de vender bilhetes "low cost".

Um "mamute negro" deste calibre nem com bilhetes "high cost" seria rentável...

18.6.07

Os limites da representatividade (republicação)

A propósito deste comentário da leitora Clara Martins feito em posta anterior do Gabriel:

É melhor pensarem muito bem antes de gastarem o dinheiro em estudos. Nunca é demais lembrar que a decisão compete EXCLUSIVAMENTE ao governo, que, para isso, foi eleito pelo povo. Portanto, com estudos ou sem estudos (a menos que esses estudos sejam mesmo muito bons e convincentes, o que não estou a ver...), se o governo, com toda a sua legitimidade optar pela OTA, ninguém pode fazer nada, nem mesmo o PR. É assim que funciona a democracia representativa.
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Uma das falácias da democracia representativa é a de que os representantes têm carta branca para decidir sobre todas e quaisquer questões que afectem a vida dos seus representados. Valida-se tal postura na base de um extensíssimo e detalhadíssimo programa eleitoral que se submeteu a sufrágio, mas pretende-se idêntica legitimidade para actuações que não constem do mesmo programa ou o contrariem totalmente. Este uso e abuso dos mandatos conferidos, vai desde a intervenção dita moralizadora tentando impor padrões comportamentais, até à delapidação mais selvática dos recursos em projectos faraónicos, passando por pretensões ridículas de moldar os gostos, como o atesta o caso da fixação de quotas mínimas de música portuguesa nas rádios. Dir-se-ia que um simples mandato eleitoral confere ao seu detentor súbita omnisciência e o direito inalienável de tudo decidir, trate-se do elementar ou do mais complexo.

Para mim são contestáveis estes poderes quase absolutos do Estado, bem como a suposta infalibilidade dos seus representantes, sendo que aqueles foram sendo usurpados de forma sub-reptícia à sociedade civil ao longo da história. É um facto que, nas democracias, eles foram sendo outorgados, de forma tácita, através de sucessivas eleições e do continuado logro dos almoços grátis em que se foi acomodando o eleitorado. Para Paulo Pedroso, tais poderes são incontestáveis e qualquer sugestão para dar voz à sociedade civil é vista como um ataque às regras básicas da democracia representativa, como aqui afirma em comentário à carta aberta aos deputados de que fui um dos subscritores.

Como socialista, Pedroso é um homem de fé e consequente na assumpção e tentativa de imposição de certos postulados que alguns ignorantes se recusam irritantemente a aceitar. Destacam-se nesses dogmas, a crença inabalável no Estado como locomotiva do desenvolvimento através do investimento dito estratégico. Neste se integram a ferrovia de alta velocidade e um aeroporto longe da cidade, a melhor forma de maximizar o nível de serviço e de conveniência aos seus utilizadores. Ignorar estas evidências, só denota falta de visão estratégica, não saber pensar grande, enfim, a nossa tradicional pequenez muito semelhante, aliás, à de alguns "pobres" países, igualmente vítimas da desventura de não possuírem TGV ou aeroportos gigantescos.

Terei muito gosto em discutir estes projectos com o Paulo Pedroso numa base mais técnica - a carta aberta pretende também suscitar esse debate. Mas, para já, prefiro colocar-me na posição da família do Zé, naquela postura de muito bom senso de confrontar os escassos recursos com as múltiplas necessidades, em simultâneo com a natural revolta por se ser obrigado a custear os benefícios de outrem, sem capacidade para tal.

É também esta a postura dos signatários da carta aberta e a ela não é lícito sobrepor os direitos de representatividade ou a prévia inclusão dos projectos em programa eleitoral. De resto, Paulo Pedroso está perfeitamente consciente que apenas uma infinitésima parte dos quase 2,6 milhões de eleitores do PS leu o seu programa eleitoral. Como sabe que pouquíssimos terão votado no PS com base nos ditos "investimentos estratégicos". Como sabe que as eleições decidem-se fundamentalmente pela atracção e/ou rejeição que os candidatos em disputa suscitam no eleitorado. Alguns sound-bytes repetidos na campanha, como a promessa dos 150.000 empregos, dos estágios subsidiados para jovens e, sobretudo, da recusa em subir os impostos, ajudaram por certo à maioria absoluta.

Mas a representatividade, mesmo que claramente outorgada, tem limites, seja qual for o nível a que nos situemos. Mesmo nas empresas, onde é normal haver discricionaridade nas decisões, os conselhos de administração nunca têm carta branca e, a partir de um certo volume, todos os investimentos, independentemente de se inserirem ou não na estratégia definida, têm de ser aprovados em assembleia geral de accionistas. Estes, muito raramente terão os conhecimentos técnicos que lhes permitam entender todos os sofisticados estudos de fundamentação elaborados pelos altos quadros e consultores que assessoram a administração. Sabem no entanto, melhor do que ninguém, medir o risco dos investimentos e aferir o custo de oportunidade dos seus capitais. Estão ainda convictos que, na lógica dos administradores, existem outros objectivos, quase sempre inconfessáveis e geralmente de cariz extra-económico que, por sistema, se sobrepõem ao retorno dos capitais. Vão desde estratégias de poder pessoal à mera vaidade ou ao muito lusitano espírito de ostentação novo-riquista. Só que o dinheiro não é deles...

Assim sendo, o que me garante que o "conselho de administração" do País - este ou outro qualquer - é constituído por "querubins" imaculados e reger-se-á por uma lógica totalmente oposta àquela? Mesmo que tivesse votado nele para o cargo, que razões me levariam a acreditar que toda a sua actuação fosse apenas em função dos meus interesses e conveniências que ele não conhece? E que poderes extraordinários terá que lhe permitam conjugar os meus interesses com outros antagónicos? E porque lhe hei-de conferir poderes ilimitados para gastar com toda a ligeireza 11.000 milhões que não lhe pertencem?

Por isso não me conformo e, na minha qualidade de "pequeno accionista" exijo ser ouvido.

P.S.: Posta publicada inicialmente em 11/01/06 como réplica a outra de Paulo Pedroso em que comentava, com argumentos muito semelhantes aos de Clara Martins, uma carta a todos os deputados (também subscrita por Rui Moreira), pedindo um referendo ao investimento na Ota e no TGV.

21.5.07

As nebulosidades da Ota

Do nosso leitor JBM recebemos via e-mail o texto que abaixo se publica, onde se levantam várias interrogações que indiciam a enorme falta de transparência do projecto. Escrito por quem sabe (bolds meus).###

OTA. Artºs Obscuros ou o Crime Consumado?

O que se segue reforça a ideia de que este Governo tem bons assessores, peritos em manipulação da informação, vulgo “Tratamento da Imagem”. Três artigos numa mesma edição do nosso “semanário de referência” (Expresso do dia 12 de Maio de 2007) são elucidativos daquela asserção.

O artigo principal, ocupando cêrca de 2/3 da página 53 do 1º Caderno do Expresso, tem por título “Ota: a melhor solução” e é assinado por Jorge Gaspar e Manuel Porto da Univ. de Coimbra e da Univ. de Lisboa.
Não será por acaso que no mesmo Expresso, mas no Caderno de Economia (pág. 10) vem outro Artigo ou notícia sob o título “Sócrates acelera concurso da OTA no Verão” desta feita a dar o lançamento do concurso para a construção do Aeroporto na OTA como facto consumado.
Também na mesma página “TAP viabiliza Beja”, com chamada prévia da 1ª página do caderno em grandes parangonas “Manutenção da TAP deslocada para Beja”. E, coisa interessante, os tais “especialistas obscurantistas” que acima referimos até já sabiam disto antes de ser publicado!... Porque também eles se referem à “TAP viabilizar Beja e, por isso o Alentejo nada tem a perder com o aeroporto na OTA”!..

O Artigo “Ota: a melhor solução” por Jorge Gaspar e Manuel Porto da Univ. de Coimbra e da Univ. de Lisboa está cheio de “obscurantismos”. Com efeito, os autores com o que escrevem no fim (Univ. Lisboa, Univ. Coimbra) insinuam (não esclarecem porque não escrevem sequer Prof. e muito menos Prof. de...) que são docentes universitários “especialistas” da matéria. Que tiveram acesso ao QREN e ao Programa Nacional de Ordenamento do Território elaborados por este Governo, parece não haver dúvidas. E que nada percebem de Engenharia Civil, incluindo o Planeamento Territorial, parece também que não há dúvidas. Senão vejamos:
-i) Os nomes em causa não constam nem do “site” da Univ. Coimbra (http://www.uc.pt/ >fct> ECivil, em qualquer especialidade nomeadamente na de “Urbanismo, Ordenamento do Território e Transportes”) que lá existe, nem do “site” da Univ. Nova de Lisboa (http://www.unl.fct.pt/ >fct> ECivil), também em qualquer especialidade, nem ainda do “site” da Univ Técnica de Lisboa, IST (http://www.ist.utl.pt/ > ECivil) , em qualquer especialidade nomeadamente na de “Urbanismo,Transportes Vias e Sistemas”)
-ii) O título do artigo (Ota: a melhor solução) implica uma comparação e, por isso, a hipótese de um outro lugar para implantação do aeroporto. Porém, não existe no artigo qualquer comparação, pelo menos em termos numéricos. O texto não passa de um pobre elogio à escolha (governamental) da OTA.
-iii) Os autores começam por dizer que “é só de 10% o encargo do Estado português com os alegados custos de construção”. Isto, por si só, revela não só total desconhecimento do que são “custos integrados” da execução das Obras relativas a um grande Projecto de Engenharia (Civil e não só) como revela má fé, visto que não se diz como serão pagos os outros 90%.
-iv) o cálculo dos custos deve ser um “cálculo de custos integrados”, isto é deve envolver custos das infra-estruturas, das super-estruturas, os custos das acessibilidades, custos de manutenção durante a vida útil da Obra e de exploração, incluindo nestes os custos para os utentes, em tempo e dinheiro, que nunca são considerados, porque se entende que os utentes não são Estado. Só são considerados os custos com incidência no Orçamento do Estado e, mesmo estes, se limitam aos que têm de ser suportados pelo governo do momento, esquecendo-se os custos que os contribuintes terão de pagar no futuro e aqueles que os utentes têm de pagar em transportes para acesso ao aeroporto durante a vida útil deste.
-v) E já não falo nos custos financeiros, isto é, os juros explícitos ou encobertos, que se têm sempre de pagar às entidades financiadoras, mesmo que também sejam directa ou indirectamente entidades exploradoras.
-vi) É claro que no “pacote” que o Governo quer pôr a concurso está incluida a privatização da ANA, isto é, envolve a exploração não só do aeroporto de Lisboa como também a dos aeroportos do Porto e de Faro. As receitas de exploração advêm essencialmente das taxas que os passageiros terão de pagar. Sendo maiores os custos “integrados” do aeroporto de Lisboa as taxas serão maiores. E, certamente para que o aeroporto de Lisboa não fique com taxas acima da competição peninsular ou europeia, a carga a amais vai ser repartida pelos outros aeroportos. Pode até acontecer que as taxas, por demasiado elevadas, venham a prejudicar o país como um todo, em termos de Turismos, reuniões internacionais, etc., etc.
-vii) Seguem-se depois, várias outras “barbaridades”, como a de se dizer que a OTA fica no “centro de gravidade” (do território?) a Norte do Tejo(!!!); fala-se de “uma frequência máxima de ligações a Lisboa e ao resto da “Região Metropolitana Atlântica” que ninguém saberá o que seja; que a OTA é “a principal zona logística do País” e está na proximidade de Espanha(!!!); que a OTA tem “excelentes acessibilidades terrestres, nacionais e internacionais”; que “92% dos utilizadores do Aeroporto de Lisboa estão a Norte do Tejo” (onde é que se foi buscar a exacta percentagem de 92%? Talvez, seja verdade, se não se contar os estrangeiros e se se considerar o Porto sem aeroporto. Será esse o objectivo???); que o turismo na costa alentejana seria um turismo de massas desqualificado se o aeroporto ficasse a sul do Tejo (mas se ficar a norte já será um turismo qualificado???); etc., etc.

É por demais evidente que este artigo está associado aos outros artigos/notícias acima referidos, destinando-se no conjunto a arrumar a questão, o que é de uma insensatez inexcedível. Com efeito, no artigo/notícia que tem o título “Sócrates acelera concurso no verão” diz-se estarem “concluidos 57 estudos fundamentais para desenvolver o projecto. Só faltam 5 estudos e mesmo assim estão na sua fase final...”
Tudo “obscuro”, porque nem seguer se indicam os títulos dos “estudos”. Um número tão elevado aparece só para impressionar a Opinião Pública no sentido de mostrar que qualquer alternativa à OTA de localização do aeroporto de Lisboa exigiria outros tantos estudos e levaria vários anos a concretizar. É tudo uma monstruosa mentira, porque todos os estudos se aproveitariam com excepção dos relativos a fundações que, para um aeroporto, por grande que seja, na OTA ou em qualquer outro lugar, se realiza em várias semanas, não em vários meses.
Repare-se que se trata de “estudos fundamentais para desenvolver o projecto”. Isto é, vai-se lançar o concurso sem projecto! Borrada igual à que se tem feito nas últimas décadas neste pobre país e que é uma das razões das derrapagens em dinheiros e em tempo. Veja-se o que aconteceu últimamente com o Centro Cultural de Belém, a Expo 98, a Casa da Música do Porto, os Túneis do Rossio e do Marquês em Lisboa, o Túnel da Rua de Ceuta no Porto, os famosos 10 estádios, etc. etc.

Porquê então o uso do facto consumado e tanta pressa, não se aceitando a constituição de uma comissão técnica independente, aceite pelos dois principais partidos, para se tentar despartidizar a questão, e fixar-lhe um prazo curto (meses) para, com total transparência se comparar, com números, a localização OTA com, pelo menos, uma outra? Teria esse tempo alguma importância na conclusão da Obra tendo sobretudo em conta as costumadas derrapagens em tempo e dinheiro?
Não seria mesmo melhor equacionar simultaneamente a selecção de uma equipa portuguesa ou mista (os engenheiros portugueses já deram provas de terem competência mais que suficiente para realizar um tal projecto e um projecto “integrado”), para realizar um projecto “oficial” (ou 2) usando todos os “estudos” já realizados e os de fundações que entretanto se realizasem? E só depois fazer o concurso? Não se poderia dessa forma minimizar as habituais “derrapagens” que tanto nos têm empobrecido?

A resposta às questões anteriores terá sido dada por aquele fulano que há dias na TV declarou ter comprado uma área igual à de 650 campos de futebol de terrenos nas vizinhanças da OTA e ter tido até agora mais valias de 4 ou 5 vezes o valor inicial desses mesmos terrenos. Esse caso e certamente outros poderão explicar tudo o que está e venha a acontecer.

É indiscutível que tudo isto assume já foros de escândalo e a factura para as gerações vindouras será pesadíssima, se se persistir no crime de avançar com esta megalomania. Alguém sabe por onde anda o Presidente da República?

20.4.07

O Ministro dos Entretantos

Primeiro, decide-se definitivamente que o novo aeroporto vai ser na Ota. Decidi, está decidido. Os outros adiam, eu decido. Já está. É definitivo. É decisivo. É na Ota. Ota Olé, Ota Olá. Foguetório e comes e bebes e faz-se o anúncio. É irreversível.

Depois aparecem os estudos que confirmam quão adequada, perspicaz, avisada, tremendamente iluminada e supramente brilhante foi a decisão. A Ota tem TIR. A Ota tem VAL. A Ota tem yield. Agora é que é irreversível.

Entretanto, bora gastar umas centenas de milhões numa linha de metro até ao aeroporto da Portela. Desta é que eles não estavam à espera. Dotar o aeroporto de metro e assim que o metro chega lá, manda-se o aeroporto para outro lado. Digam lá se a política de obras públicas não é uma coisa divertidíssima?

Mais um entretanto, estoiremos mais uns milhões na Portela. São só 350 milhões, comparado com o que custa a Ota são amendoins. E é só até à grande Ota estar pronta. A Ota é um comprometimento pessoal do ministro. O ministro promete, pela sua honra, estoirar muitos milhões aos contribuintes. É de ministros destes que precisamos. Homens que actuam com convicção. Lino promete, Lino cumpre.

E um terceiro entretanto, mais uma ideia gira. Enquanto gastamos os milhões na Portela, no Metro e na Ota... vamos fazer um outro aeroporto, por aí.

Noutro tempo, chamava-se a isto trapalhadas. Agora é melhor chamar-lhe trampo-linadas.

2.4.07

Ou na margem sul fica quase de borla, ou a Ota custará 10.000 milhões...

Um caso evidente de falta de rigor jornalístico e (ou) gralhas e (ou) necessidade de grandes títulos:

(...) a equipa de José Manuel Viegas calcula que o investimento total poderia cair cerca de 25 por cento. Em termos práticos, isso representa mais de dois mil milhões de euros, talvez 2,5 mil milhões.

Ou seja, a Ota ficaria por 10 mil milhões e não pelos 3,2 mil milhões que têm sido anunciados. Ou então a equipa de José Manuel Viegas já está a contar com as habituais derrapagens e apresenta-nos como alternativa um aeroporto na margem sul “baratinho”, por 7,5 mil milhões…

Curioso que ninguém põe em causa a "grande obra". É preciso um novo e gigantesco aeroporto, ponto final! Curioso ainda - ou talvez não - que nunca ninguém se lembre dos principais interessados num equipamento destes, os utilizadores do transporte aéreo.

Esta carta, de que fui um dos subscritores, tem pelo menos esse mérito.

31.3.07

Mestres na Propaganda

Os títulos:

Teixeira dos Santos segura o monstro (CM).
Despesa nacional desceu 1,3% para 72 mil milhões em 2006 (Agência Financeira)
Teixeira dos Santos admite baixar primeiro o IVA (Público)
Redução da despesa pública foi decisiva para a melhoria do défice (JN)
Redução da despesa pública melhora o défice (Observatório do Algarve)
Contenção da Despesa Corrente Primária superou os 200 M€ em 2006 (DE)

As contas (por Pinho Cardão, no Quarta República)

1. Os impostos passaram de 35.001 para 37.592 milhões de euros, um aumento de 7,4%.
2. A despesa corrente aumentou 2,7%, de 64.567 para 66.323 milhões de euros.

Afinal, quem segurou o monstro, como sempre, foram os contribuintes.

28.3.07

Os interesses escondidos nos mega-projectos (II)

Ainda sobre o debate no último P&C sobre a Ota, escreve-nos mais uma vez o leitor JBM:###

Só ontem pude ver o debate no Prós & Contras sobre a Ota com um grupo de engenheiros, o que me leva a confirmar algumas teses.

O debate pôs claramente em confronto dois grupos de engenheiros. Um, que designaremos por grupo OTA, que tem trabalhado e está a trabalhar para o governo actual e que não quer de maneira nenhuma que os seus estudos, ainda claramente incompletos, sejam confrontados com estudos paralelos que o outro grupo está a fazer a título gratuito e quer continuar. Estudos estes que apontam desde já para duas localizações a Sul de Lisboa em zona plana, de custos de obra muito mais baixos incluindo os das acessibilidades, sendo também os custos de exploração mais baixos para os utilizadores por ficarem mais perto da capital.

Para sustentar a sua posição a todo o custo o grupo OTA usou város estratagemas verdadeiramente incríveis: Um dos elementos desse grupo, logo a meio da 1ª parte do debate “concluiu” que “os engenheiros em presença no debate não iam chegar a conclusão nenhuma e que, por isso, era melhor entregar desde já a resolução do problema aos políticos...”, isto é, ao governo! São argumentos deste tipo que, como indiquei no comentário anterior levam a resoluções socialmente desastrosas: os políticos decidem contra o que a Engenharia (“Ciência Aplicada”) indica como melhor.

O mesmo grupo OTA argumenta com questões ambientais que levaram ao chumbo pela UE de Rio Frio, próximo de Poceirão e Faia, localizações que os estudos do outro grupo apontam como muito mais baratas e melhores. Agitaram-se também para estas localidades a existência de aves migratórias e potenciais prejuízos para a recarga do aquífero, problemas que também existem na Ota e ainda não foram avaliados pelos seus defensores. As questões dos ambientalistas são velhas: são “polícias” que tudo proíbem e nenhuma solução apresentam. Vejamos este caso: para voarem e nidificarem as aves (que até nos podem trazer o vírus da gripe das aves), não podem voar os aviões! Quanto ao prejuízo para a recarga do aquífero a questão está em que um terreno virgem permite a infiltração das águas e quando revestido, as águas são canalizadas directamente para os rios e o mar. Mas isto acontece não só na construção de aeroportos como na de auto-estradas, estradas, edifícios, construções industriais, estádios, etc. etc. Portanto, para os ambientalistas é melhor regressarmos à feliz(?) vida do selvagem da Idade da Pedra.

Pela teoria da recarga do aquífero do grupo OTA nada se poderá construir de novo a Sul de Lisboa: nem edifícios, nem complexos industriais, nem ruas, nem estradas, nem vias férreas, nem auto-estradas, etc, etc. Mas isso também é válido para a OTA que foi demonstrado estar no mesmo aquífero. De resto os mais categorizados engenheiros de ambiente não estavam lá, ficaram na Universidade de Aveiro...

Finalmente o grupo OTA junta outro argumento “decisivo”: o projecto tem de ser aprovado por Bruxelas e os ambientalistas de Bruxelas vão chumbá-lo se for a sul de Lisboa! Nesta heresia diz-se, e bem, que a contribuição máxima de Bruxelas é apenas de 20% e mais do que isso se pode poupar com projecto adequado.

Tudo o que o grupo OTA disse foi claramente “encomendado” pelo governo actual, para sustentar a decisão que o ministro das Obras Públicas revelou na TV já ter tomado, sem fundamento científico adequado. E, incrivelmente, o ministro das Finanças até disse esta “barbaridade”: O novo aeroporto nada vai custar ao Estado, porque serão os privados a pagá-lo...” Não Sr. Ministro, os grupos privados não pagam, financiam com juros, sejam quais forem as “engenharias financeiras” que apresentem. E neste sentido, os privados, incluindo os construtores, não estão interessados, obviamente, nas obras mais baratas, questão velha e válida para muitos outros casos. Daí que lutem com todas as armas em defesa da OTA.

Ou seja, os interesses da OTA, já estão instalados e travam uma luta titânica pela sua defesa. E o governo apoia. Porquê? Veta qualquer estudo paralelo ao que falta fazer para a OTA, o que não implica qualquer perda de tempo, e só por acidente a verdadeira questão veio a público. Aliás os prazos e os custos de conclusão previstos para as obras, em qualquer caso, “derrapam” sempre e derrapam mais quando os estudos são incompletos. Só alguns exemplos: O Centro Cultural de Belém, a Casa da Música do Porto, todos os 10 (dez) novos estádios de futebol, as Obras da Expo98, os Metros de Lisboa e Porto, o Túnel do Rossio, o Túnel do Marquês, o Túnel da Av de Ceuta, etc. etc. Haveria, aliás, muito que dizer sobre as razões do facto de grandes Obras Públicas neste País serem, sistematicamente, postas a concurso com projectos ou anteprojectos incompletos ou mesmo sem anteprojecto, invocando-se sempre a falácia da urgência na conclusão das obras.

E o governo já decidiu ao arrepio do que a “Ciência Aplicada” diz. Tudo está a acontecer como previ e as consequências serão catastróficas para a classe média que é quem tudo paga. Os ricos podem fugir sempre, os pobres nunca podem pagar. Agravam-se cada vez mais as desigualdades sociais em Portugal.

E, finalmente, eu continuo a perguntar: porque é que os dois principais partidos nunca sequer tentaram chegar a acordo para a escolha de um grupo técnico independente que execute um projecto ou, pelo menos um anteprojecto, num prazo definido, para o novo aeroporto com todas as justificações técnicas que sempre têm de existir, obrigando-se o governo que estiver “de serviço”, qualquer que ele seja, em qualquer altura, a mandar executar a Obra?

Braga, 28-03-07
JBM

27.3.07

Discutiu-se a Ota

A frase da noite, paradigmática, pertenceu a Fonseca Ferreira, presidente da CCDR de Lisboa:
Neste país, cada vez que se fala de uma grande obra, ficam quase todos contra...
É isso que move todos aqueles engenheiros: uma grande obra. Até José Manuel Viegas, que há um ano defendia a Portela + 1, agora opta pela "cidade aeroportuária".

De resto, para além das discussões sobre estacas e brita e da necessidade imperiosa de disputar o hub ibérico a Madrid, muitos auto-elogios de uma corporação que se julga capaz de construir todas as maravilhas do mundo. Não há obstáculo que não se transponha. À custa de milhões, claro, sempre referidos com uma ligeireza arrepiante.

A unanimidade alarmista: o tempo urge e já se perderam 30 anos, como lamentou o bastonário. É que a Portela rebentará em breve pelas costuras e, no mínimo, o país irá paralisar. Realmente, já no tempo de Marcelo Caetano se ouviram os primeiros alertas sobre a eminente saturação do aeroporto...

Uma decisão política que dependa do parecer daqueles tecnocratas, será sempre caríssima e potencialmente ruinosa. É preferível que nunca se tome.

Discute-se a Ota - 3

Até a Fátima Campos Ferreira é categórica: a Portela esgota-se em 2017! Indiscutivelmente! Não se perca mais tempo!

26.3.07

Discute-se a Ota

No Prós & Prós. Sala repleta de brilhantes técnicos, todos ansiosos por ligarem o nome a uma grande obra. Lisboa precisa de um aeroporto gigante, ponto final! Seja na Ota ou noutro lado. Porque temos de ter um hub para competir com Madrid e isso implica uma cidade aeroportuária, um centro logístico, essas coisas. Nem que não haja aviões e mercadorias para por lá circularem.

13.3.07

Subitamente, lembrou-se da Ota

Porquê só agora? Porque sente que a estrela de Sócrates começa a empalidecer? Para se antecipar a Portas? Para impedir que Santana se "aproprie" do tema, ele que há uns dias defendeu um referendo ao investimento da Ota? Ou porque o projecto já atingiu o ponto de não retorno, podendo agora servir de bandeira da oposição sem beliscar os (altos) interesses envolvidos?

Note-se porém que Marques Mendes não questiona a "elefantíase" em si, mas tão só a sua localização. E esqueceu o outro "mamute branco", o TGV, duas vezes mais "pesado" que a Ota. Nada que não lhe tivesse sido lembrado, há mais de 1 ano, em Janeiro de 2006.

Eco-fascismo Luminoso

Quando se mistura o politicamente correcto com ambientalismo a metro e se rega tudo com um lobby industrial europeu, o que é que se consegue?

Uma idiotice luminosa e ruinosa para os europeus.

6.3.07

Solidariedade Coerciva

Os homens que querem moldar o mundo, tiveram outra ideia. Mais um imposto, o 6471º de uma longa lista de maneiras de obrigar os cidadãos a pagar qualquer coisa que passe pelas cabeças iluminadas dos salvadores do planeta. Desta vez, a ideia é expropriar a solidariedade de quem viaja de avião. Para tratar da saúde das pessoas no terceiro mundo, querem 1 euro por viagem em turística e 4 para quem se atrever a viajar em executiva.

É sempre mais um imposto. Nunca se admite a hipótese de alterar as prioridades do estado, cortar em ‘a’ para aumentar em’b’. A metade do PIB que o estado já consome, nunca é suficiente. Enquanto houver idiotas há sempre novas ideias para sacar riqueza aos cidadãos.

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António Arnaut, ao que parece um dos ideólogos da coisa , estava contente, porque os partidos estão todos de acordo. Pudera. Quem se atreve a ficar de fora numa coisa destas? Imaginem as parangonas: “Partido X contra ajuda aos doentes com SIDA”. “Partido Y recusa solidariedade com crianças doentes em África”. Bolas.

Esta é uma medida fácil. Não custa nada ter bom coração com o dinheiro dos outros, até porque quem pagará a taxa de 4 euros ao deputado será o contribuinte, que assim aumentará a sua quota de felicidade ao ser solidário a dobrar.

Lá em casa, somos sócios da AMI. Voluntariamente, pagamos para uma entidade em que confiamos e que faz justamente aquilo que os nacionalizadores da solidariedade se propõem fazer coercivamente. Como não estou disposto a pagar a triplicar, se o estado opta pela coerção, acaba-se o altruísmo. Esta sistemática nacionalização da solidariedade por parte do estado social é sempre feita à custa da desresponsabilização da sociedade. Antigamente, quando alguém precisava de socorro, ajudava-se. Hoje, quando se vê alguém em dificuldades, clama-se pelo Estado, este Estado que sempre demonstra a sua incompetência na gestão dos recursos que colecta. Logo virá outro Arnaut exigir mais dinheiro e um dia, um político qualquer criará um instituto para gerir estes fundos.

Estas idiotices são um achado do politicamente correcto. Inventamos uma acção solidária, os outros pagam e o prestígio é nosso. Também quero. Tenho algumas ideias que são excelentes e demonstram que a solidariedade imposta aos outros pode ser expandida para lá das viagens de avião. Por exemplo:

1. Quem se fizer militante de um partido político paga um euro por mês para o combate à corrupção e 2 euros para a luta contra a pedofilia.
2. Por cada novo funcionário público, 10 euros para ajuda dos refugiados no Ruanda.
3. Quem entrar na Assembleia da República paga 4 euros para ajudar os portugueses que querem sair da Venezuela.
4. Por cada dia passado em Bruxelas, os portugueses pagarão 10 euros para ajuda dos órfãos dos atentados terroristas.
5. Em cada reunião de cada Grande Loja, 50 euros de cada pedreiro para ajudar à reconstrução de casas no leito do Zambeze.

Grandes ideias, não? Quem sabe, um dia, erguem-me uma estátua numa praça.

5.3.07

Os guardiões do regime

O banqueiro O "filantropo"

O "apparatchik" O empata