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15.10.07

O prémio político do IPCC III

Ideias que parecem complicadas, mas não são:

O IPCC desempenha funções de avaliação científica. Como tal tem que ser uma instituição imparcial que se regula apenas por critérios científicos. Não pode haver a mínima dúvida nem o mínimo incentivo para que o IPCC chegue a uma conclusão e não a outra. Segue-se que não lhe fica bem nem abona a favor da sua reputação aceitar prémios politicamente orientados.

O mérito do IPCC deve depender apenas da forma imparcial e rigorosa como desempenhar as suas funções e nunca pela conclusão específica a que chegou.

Consideremos as seguintes hipóteses:
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A- Aquecimento global tem origem antropogénica e IPCC conclui que aquecimento global tem origem antropogénica

B - Aquecimento global tem origem antropogénica e IPCC conclui que aquecimento global não tem origem antropogénica

C- Aquecimento global não tem origem antropogénica e IPCC conclui que aquecimento global tem origem antropogénica

D - Aquecimento global não tem origem antropogénica e IPCC conclui que aquecimento global não tem origem antropogénica

O IPCC teria mérito nos casos A e D. O IPCC terá mérito sempre que chegar à verdade.

Agora imaginemos que viviamos num mundo em que a hipótese D é verdadeira. Nesse mundo o comité Nobel nunca atribuiria o prémio ao IPCC porque o assunto não teria relevância política. Mais interessante é que são dois os tipos de mundos onde o comité Nobel atribuiria o prémio ao IPCC: aqueles em que é válida a hipótese A e aqueles que é válida a hipótese C. Aliás, o comité Nobel não tem meios para distinguir a hipótese C da A. A única autoridade a que o comité Nobel pode recorrer para distinguir a hipótese C da A é o próprio IPCC.

Este é um caso claro de inbreeding intelectual. O comité Nobel baseia tudo o que sabe sobre aquecimento global em informação validada pelo IPCC e com base nessa informação atribui um prémio ao IPCC que contribui para validar aos olhos do público o trabalho do IPCC.

14.9.05

Re: Os detalhes da chatice, João Pinto e o Rei Midas

Joana,

Quando eu digo «não está demonstrada nenhuma relação entre furacões e aquecimento global» estou mesmo a falar a sério. Estou mesmo a falar de uma relação física entre um fenómeno e outro e estou mesmo a falar de demonstração, isto é, estou a falar de uma relação física entre fenómenos para a qual existem provas para além de qualquer discussão. Se reparar, o que não faltam são discussões na comunidade cientifica sobre as tais provas e sobre a intensidade de uma eventual relação. É aliás por isso que nos textos que cita aprecem palavras que denotam uma grande falta de rigor como «But there are indications» e «My results suggest». «Indicações» e «sugestões» não são provas e não demonstram coisa nenhuma. Repare ainda na apetência de alguns cientistas para fazer previsões dramáticas em relação ao futuro e na pouca vontade para se comprometerem com posições definitivas em relação ao presente. O que há neste momento são hipóteses e teorias, baseadas quer em relações estatísticas pouco significativas por falta de eventos, quer em modelos computacionais pouco fiáveis por falta de validação.

Mesmo que se demonstre, sem margem para dúvidas, que há uma relação de causa efeito entre aquecimento global e furacões não se segue que o problema já podia estar resolvido. O conhecimento obtido no presente não pode ser usado para mudar o passado. Ao contrário do que a Joana afirma, a própria existência de aquecimento global foi alvo de debate até finais da década de 90. Nos anos 70 não se falava em aquecimento global mas em arrefecimento global. A origem antropogénica do aquecimento global ainda é contestada por cientistas reputados. Continuam a ser gastos milhões de dólares a melhorar os modelos computacionais que são usados para fazer as previsões apocalípticas divulgadas pelos media.

A inutilidade prática do Protocolo de Quioto para resolver o que quer que seja é reconhecida por todos, inclusive pelos seus defensores, que lhe atribuem uma importância meramente simbólica. Mas o problema mais importante o Protocolo de Quioto é político. De cada vez que o preço de petróleo sobe é o Deus nos acuda que a economia entra em recessão. Ora, o efeito de uma solução tipo Protocolo de Quioto na economia é idêntico ao efeito de um aumento do preço do Petróleo. Quem é que está disposto a aceitar menos crescimento e mais desemprego? Os partidos de esquerda não são de certeza. Por isso, o Protocolo está condenado a ser uma mera bandeira oca para satisfazer as consciências e atacar os Estados Unidos.

Para além do mais, o Protocolo de Quioto nem sequer é a melhor solução para resolver o problema dos furacões. O problema dos furacões existe, com aquecimento global ou sem aquecimento global, e tem aumentado por causa do aumento da população junto às zonas costeiras. Teremos sempre furacões e sempre tivemos furacões, pelo que o problema não se resolve com protocolos. O problema dos furacões terá que ser resolvido com estratégias de mitigação dos seus efeitos e de adaptação da presença humana às condições ambientais.

21.9.05

Lógica quiotiana

Se uma pessoa diz que as previsões do IPCC não são fiáveis, então é porque acha que o aquecimento global não existe.

Se uma pessoa que diz que não está demonstrado que o aquecimento global causa furacões, então é porque acha que o aquecimento global não existe.

Se uma pessoa diz que o Protocolo de Quioto não tem impacto no clima, então é porque acha que o aquecimento global não existe.

Se uma pessoa diz que os modelos do IPCC não são fiáveis, então é porque acha que o aquecimento global não existe.

Se uma pessoa duvida que o aquecimento global seja todo ele causado pela actividade humana, então é porque acha que o aquecimento global não existe.

1.3.05

Hoje é um bom dia para se falar de forma fria e racional sobre aquecimento global II

Afinal não é. Não é porque os defensores do aquecimento global catastrófico criaram uma teoria irrefutável. Se está calor, a culpa é do aquecimento global. Se está frio, é porque o aquecimento global está a parar a corrente do golfo. De modo que, os invernos amenos e os invernos frios são ambos prova do aquecimento global. Hoje está frio, logo temos aquecimento global. Na semana passada estava calor, logo temos aquecimento global.

17.10.06

Ciclos de Milankovitch causam emissões de CO2

Suspeito que o Rui Curado Silva ainda não percebeu o que está em causa no debate sobre o aquecimento global. Não, não é saber se existe uma relação entre a concentração de CO2 e aquecimento global. Nem o gráfico apresentado pelo Rui prova o que quer que seja. As oscilações de temperatura do gráfico são causadas pelos ciclos de Milankovitch. São os ciclos de Milankovitch que causam subida de temperatura e é o aumento de temperatura que se pensa que causa o aumento inicial do CO2. O CO2 pode funcionar como amplificador do aquecimento causado pelos ciclos de Milankovitch, mas essa interpretação baseia-se na própria conclusão que se pretende provar e não pode ser utilizada para provar que um aumento da concentração de CO2 causa um aumento da temperatura. Note-se ainda que, mesmo que exista uma relação de causalidade entre concentração de CO2 e aquecimento global, tal não implica que o aumento da concentração de CO2 seja a causa determinante do aquecimento global. No caso do gráfico apresentado pelo Rui, o clima é regido pelos ciclos de Milankovitch, o CO2 é quanto muito um factor secundário. No caso do aquecimento global observado ao longo do século XX, o factor determinante pode não ser o aumento de concentração de gases de estufa, mas, por exemplo, a radiação cósmica combinada com oscilações da actividade solar. Sim, há uns maluquinhos a estudar os efeitos da radiação cósmica no aquecimento global, o que estraga um bocado o tal consenso. Não, não estamos a falar de diferenças de 0.1%, estamos a falar de uma teoria totalmente diferente.

23.1.07

O que é uma mudança de opinião?

Tornou-se moda nos últimos tempos dizer que Bush mudou de opinião sobre o Aquecimento Global. Um dos que o disse em público foi Durão Barroso há umas semanas. Já ouvi mesmo quem defendesse que o Bush até já reconhece que o aquecimento global existe.
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Esta tese da mudança de opinião pressupõe que Bush acreditava em A e passou a acreditar em (não A). Só que é possível encontrar na internet declarações e relatos que mostram que Bush já reconhecia o aquecimento global em 2001. É possível encontrar relatos do plano Bush contra o aquecimento global proposto em 2002.

Na verdade, há quem esteja tão mal informado sobre questões ambientais que confunde o Protocolo de Kyoto com o combate ao aquecimento global e a posição de Bush em relação ao Protocolo de Kyoto com a posição de Bush em relação ao aquecimento global. Bush mantém a mesma posição sobre as duas questões desde o primeiro dia. Não mudou de opinião.

30.7.07

Chegou o Aquecimento Global

Após 3 semanas fora, chego a Lisboa e encontro o aquecimento global em grande forma. Este ano, já nos tinhamos cruzado em Bucareste e em Viena. Começo a estar desconfiado que o aquecimento global me anda a perseguir. Quando cozia os ossos na Stephansplatz, fazia frio em Lisboa e nevava no Cabo. Quando o 'teaser' que abria os noticiários das televisões romenas era 'Canicula', os portugas queixavam-se do frio que não os deixava ir à praia. Soube que, este ano, o aquecimento global já esteve no Chile, onde fez desaparecer um lago, mas logo de seguida partiu para a Europa e tem andado às voltas por aqui. O lago voltou, não se sabe bem por culpa de quem. Um dia destes, o aquecimento global foi até aos Açores empurrar o anti-ciclone para uma esquina e como consequência o céu desabou em Inglaterra. Como é habitual, também vem aí uma época de incêndios como nunca se viu. Este ano, a época de incêndios como nunca se viu vai ser na Amazónia, depois de nos últimos anos ter sido na Austrália e nos Estados Unidos. Em Portugal, por causa da última época de incêndios como nunca se viu, o ministro autarca Costa comprou uma frota de helicópteros. Talvez não seja má ideia emprestar os helicópteros ao Lula, antes que enferrujem.

30.1.06

Será a teoria do Aquecimento Global falsificável?

Um dos nossos leitores escreveu o seguinte nos comentários:

é o que dá não saber do que se fala. a teoria do aquecimento global prevê precisamente um desregulamento climático que passa por exemplo pela que queda de neve e temperaturas negativas onde isso não costuma acontecer



O que este leitor quer dizer é que qualquer evento meteorológico digno de nota é uma prova do Aquecimento Global. Ora, se é assim, haverá algum evento hipotético que possa ser usado como prova de que a teoria está errada? Será a teoria do Aquecimento Global falsificável? Se não for falsificável, será uma teoria científica?

26.12.05

Coisas difíceis de entender

Duas pessoas, P1 e P2, discutem sobre o Aquecimento Global. P1 diz que o problema do Aquecimento Global é grave. P2 diz que o Protocolo de Quioto não tem impacto no clima, um facto totalmente independente da gravidade dos efeitos do Aquecimento Global. P1 descobre então um novo maleficio do Aquecimento Global e diz:

- Tás a ver? Agora é que temos que aplicar o Protocolo de Quioto ...

30.9.05

A difícil arte da modelização

Aqui há uns tempos, referindo-me à relação entre furacões e aquecimento global escrevi:
O que há neste momento são hipóteses e teorias, baseadas quer em relações estatísticas pouco significativas por falta de eventos, quer em modelos computacionais pouco fiáveis por falta de validação.


O Rui Curado Silva resolveu contestar essa minha afirmação com uma citação de um autor que se refere não à relação entre furacões e aquecimento global mas à própria existência do aquecimento global:

«However there is now strong evidence that significant global warming is occurring.».


Não sei se o Paulo Querido reparou neste pequeno detalhe quando elogiou o magnífico trabalho do Rui Curado Silva. Deve ter sido uma pequena distracção deste reputado avaliador de credibilidades.



Eu também disse, num outro post, referindo-me aos modelos utilizados para descrever o clima na Terra o seguinte:

a qualidade dos modelos não está garantida porque eles não se baseiam em princípios básicos da física consensuais mas em teorias simplificadas baseadas em dados empíricos.


O Rui Curado Silva contestou o meu post esvrevendo:


Daqui podemos extrair duas conclusões: 1) As 11 academias erram quando declaram que "understanding of climate change is now sufficiently clear"; 2) As maçãs não caem das árvores porque não existe consenso sobre as ondas gravitacionais e algumas "teorias" sobre a gravitação são simplificadas e baseadas em dados empíricos.


O ponto 1) não tem nada a ver porque uma coisa é o entendimento do clima, outra bem diferente é a fiabilidade dos modelos. Há muitos fenómenos que se entendem muito bem mas que, por limitações computacionais, não podem ser simulados com rigor (por exemplo, a turbulência ou a simulação molecular, Folding de Proteínas). Mais uma vez, o reputado Paulo Querido estava distraído.

Em relação ao ponto 2, o Paulo Querido deve ter ficado desconfiado (magnífico trabalho , mas este detalhe é suspeito - pensou) e confirmou as suas suspeitas depois de ler este comentário da Gabriela onde se pode ler:

«[Na modelização do clima] Ha empirismos, porque ha problemas de escala: ha fenomenos com uma escala inferior a menor escala de resolucao do modelo.»


Bingo!, pensou o Paulo Querido: os gajos têm que resolver as equações de Navier-Stokes e outras equações às derivadas parciais que descrevem o transporte e a conservação de momento, energia e massa. No entanto, essas equações não têm resolução analítica têm que ser resolvidas por métodos numéricos. Por isso, é necessário aproximar as equações por um método de discretização. Mas para isso é necessário usar uma malha cuja resolução é limitada pelo poder computacional disponível. Ora, todos os fenómenos biológicos, de reacção e de convecção que ocorrem a escalas abaixo dessa malha têm que ser modelizados por modelos simplificados que requerem dados empíricos. Só que estes dados empíricos dependem das condições locais em que o fenómeno ocorre (neste ponto do raciocínio, o Paulo Querido deve ter-se lembrado daquele gráfico da borboleta). Nada a ver com a gravitação de que fala o Rui Curado, portanto, porque no caso da Gravitação basta uma constante empírica universal.

Há apenas um pequeno detalhe em que nem o reputado Paulo Querido pensou. A Gabriela deixou cair uma afirmação que pode ser um tanto controversa:

«Mas isto [os modelos empíricos] é testado até à exaustão».


Isto a mim soa-me esquisito. É que, ainda recentemente, num daqueles artigos desactualizados que costumo ler, encontrei o seguinte:

An important question to be explored in this connection is whether the shutdowns of thermohaline circulation experienced by coupled ocean-atmosphere models when perturbed by excess greenhouse gases are valid predictors of what might happen in the real world. No one would deny that these models have deficiencies. For example, even though the magnitude of the model's Southern Ocean deep water formation is comparable to that for the real ocean, the models do not generate this deep water in the right place.
[...]

The failure of general circulation models to spontaneously reproduce the abrupt changes in temperature and rainfall pattern so clearly recorded in the geologic record for the last glaciation sends a strong message that these models are somehow deficient.


Como é bom de ver, há aqui um problema com os modelos. A questão que se coloca, e que só o grande avaliador de credibilidades pode resolver é a seguinte: a Gabriela tem razão e este artigo está desactualizado, ou os modelos continuam a não funcionar? Agradeço antecipadamente a resposta e desejo-lhe boa sorte para a sua comunicação.

PS - Ah, também encontrei isto:

There is considerable uncertainty as to exactly how anthropogenic global heating will affect the climate system, how long it will last, and how large the effects will be. Climate has varied naturally in the past, but today's circumstances are unique because of human influences on atmospheric composition. As we progress into the future, the magnitude of the present anthropogenic change will become overwhelmingly large compared to that of natural changes. In the absence of climate mitigation policies, the 90% probability interval for warming from 1990 to 2100 is 1.7° to 4.9°C (19). About half of this range is due to uncertainty in future emissions and about half is due to uncertainties in climate models (2, 19), especially in their sensitivity to forcings that are complicated by feedbacks, discussed below, and in their rate of heat uptake by the oceans (20).


Gabriela, não quer comentar?

11.1.07

Aquecimento Global

A comunicação social é, como se sabe, especialista em climatologia estando sempre pronta a denunciar mais um facto a favor da tese do aquecimento global. A tarefa sai facilitada porque, como no atletismo, há sempre um novo record a ser batido algures no mundo, nem que seja por razões fortuitas. Assim, se o ano que passou não é o mais quente de que há memória é sempre possível encontrar um outro fenómeno único no seu género que comprove a tese que se quer provar. Por exemplo, pode-se sempre dizer que o ano de 2006 foi o mais quente nos EUA. Este género de records é um filão inesgotável. Se este ano não voltar a ser o ano mais quente que há memória nos EUA é sempre possível que, por razões totalmente fortuitas e alheias ao tal aquecimento global, o seja num território de dimensão similar, por exemplo na Sibéria, na Europa Ocidental, na China, na Índia, na Antártida, no Ártico, no Atlântico Norte, na Austrália, no Índico, em África, no Pacífico Sul, no Pacífico Norte ... E se não for batido um record de temperatura média anual poderá ser batido um outro recorde meteorológico qualquer. Por exemplo o Verão mais quente, ou o Verão mais frio, ou o outono mais chuvoso, ou a primavera com menos neve ou com mais neve, ou o ano em que a água do Atlântico esteve mais quente, ou o ano com mais furacões, ou ano ... Existem centenas de categorias e milhares de combinações entre elas que tornam praticamente impossível que este ano, e o próximo, e o outro a seguir não sejam o mais qualquer coisa dos últimos 50 anos.

23.11.06

Época de Furacões de 2006 II

Alguns comentários ao post anterior ilustram bem a forma como grande parte do público relaciona os fenómenos climáticos do dia à dia com o aquecimento global. Os fenómenos que comprovam o aquecimento global são valorizados sem qualquer análise crítica. Os fenómenos que não o comprovam são analisados através de teorias elaboradas que envolvem o El Nino, fenómenos aleatórios e tendências de longo prazo. Os anos com muitos furacões são sempre uma confirmação da tese, os anos com poucos furacões têm sempre explicações especialíssimas. É fácil de ver que, aconteça o que acontecer, com este método a tese do aquecimento global sai sempre reforçada.

27.10.06

Consenso VII

Características do aquecimento global que deixam qualquer espírito céptico de pé atrás:


1. Não podem ser realizadas experiências claras em laboratório que provem ou que refutem as várias teorias;
2. As previsões, baseadas em modelos computacionais não validados, só poderão ser verificadas daqui a 50 anos;
3. Área científica excessivamente dependente de uma única fonte de financiamento (o estado);
4. Os modelos computacionais dependem excessivamente daquilo que os investigadores consideram relevante;
5. Os cientistas têm um incentivo para seleccionar as suas áreas de interesse de acordo com os fundos disponíveis;
6. A dimensão da comunidade científica ligada a um dado assunto depende do financiamento da área respectiva;
7. Existe um incentivo para exagerar os resultados perante o público com o objectivo de justificar fundos;
8. Instituições como o IPCC teriam que ser extintas se se provasse que o aquecimento global não é uma questão prioritária ou preocupante;
9. Todos os membros da comunidade científica dependem de fundos que desapareceriam se se provasse que o aquecimento global não é uma questão prioritária ou preocupante;
10. Os burocratas e os políticos têm todo o interesse em financiar uma linha de investigação que permita justificar maior interferência dos burocratas e dos políticos na sociedade;
11. O ambientalismo é uma ideologia dominante;

30.9.05

Afinal os modelos são incertos, mas o protocolo é eficaz


Alguns leitores em vez de discutir a incerteza dos modelos, que é o tema deste post, resolveram dar mais importância a esta frase: «In the absence of climate mitigation policies, the 90% probability interval for warming from 1990 to 2100 is 1.7° to 4.9°C (19). »

Curiosamente, a questão da incerteza dos modelos foi suscitada por essa mesma previsão. A previsão já foi discutida aqui e aqui a propósito deste gráfico postado pelo Rui Curado. O que eu disse foi que, se a previsão é para levar a sério, então o protocolo de Quioto é inútil porque o seu efeito é desprezável quer quando o seu impacto é comparado com o valor absoluto da previsão quer quando é comparado com a incerteza da previsão. Dito de outra forma, se as previsões do IPCC forem levadas a sério, o protocolo de Quioto é uma aspirina que querem dar a um paciente que não se sabe muito bem o que tem, mas que tem certamente uma doença extremamente grave.

Em resumo: quando se discutiu a previsão, alguns leitores levantaram a questão da fiabilidade dos modelos dizendo que eles são fiáveis. Quando a fiabilidade dos modelos foi discutida, outros leitores resolveram levantar a questão da previsão. Mas se a discussão é mesmo para levar a sério, a eficácia do protocolo de Quioto tem que ser considerada tendo em conta a fiabilidade dos modelos e vice-versa. Não é através da escolha selectiva e casuística do que é relevante a cada momento da discussão que o problema do aquecimento global se percebe. As questões científicas têm que ser analisas à luz das questões políticas e vice-versa.



Quem quer reduzir a zero o aquecimento global e acredita mesmo que a única solução é a redução das emissões de CO2 tem que defender medidas verdadeiramente draconianas com consequências catastróficas para o crescimento económico, o emprego e o bem estar da sociedade. Mas normalmente estas são as mesmas pessoas que, e muito bem, aceitam viver em sociedades democráticas em que os governos são derrubados se a economia estagnar.

Há portanto duas soluções possíveis para o aquecimento global previsto pelo IPCC, a saber:

1. abandonar a democracia e impôr uma ditadura steam punk;

2. aproveitar o crescimento económico e os avanços tecnológicos daí decorrentes e confiar na capacidade das sociedades humanas para, em liberdade, se adaptarem às mudanças climáticas num cenário de incerteza.

21.9.05

Perguntas sobre o Aquecimento Global

1. Ao longo dos últimos 100 anos, o Aquecimento Global foi de:

a) 0 ºC
b) 0.6 º C
b) 0.6± 0.2 °C
c) 2.0 º C
4) 2.0± 0.2 º C

2. Do aquecimento global verificado, qual a fracção que pode ser atribuída à actividade humana?

a) 100%
b) 50%
c) 33%
d) 0%

3. Qual é o impacto do Protocolo de Quioto no clima tendo como referência o ano 2100?

a) muito baixo
b) Quioto corta metade da subida de temperatura
c) Quioto corta 75% da subida de temperatura
d) Quioto provoca uma nova idade do gelo

4. Qual é o custo do protocolo de Quioto?

a) 100 mil milhões de dólares por cada redução de 0.001 º C até 2050
b) 100 mil milhões de dólares por cada redução de 0.01 º C até 2050
c) 100 mil milhões de dólares por cada redução de 0.1 º C até 2050

5. Os custos do protocolo de Quioto são?

a) maiores que os benefícios
b) menores que os benefícios


6. Os países que assinaram o Protocolo de Quioto são:

a) países que conseguiram reduzir as emissões porque atravessaram um processo de reconversão industrial, países que usam intensamente a energia nuclear e/ou países economicamente estagnados e em declínio demográfico;

b) países em fase de industrialização e/ou com elevado crescimento económico e demográfico.

7. Nos últimos anos, os países que assinaram o Protocolo de Quioto:

a) passaram a importar muito mais produtos dos países onde as emissões crescem mais passando na prática a depender dessas emissões;

b) passaram a importar muito menos.

18.1.07

Sol na eira e chuva no nabal

Na semana passada o tema nos EUA era o inverno anormalmente quente e as suas ligações com o aquecimento global. Escreveram-se coisas como:
Where is winter?
Mark Baskaran, an associate professor specializing in Environmental Isotope Geochemistry and Geochronology at WSU, believes global warming has played a significant role in the warmer winter temperatures.
###
Claro que entretanto veio a vaga de frio e as temperaturas cairam 15 graus, nevou na Califónia etc. Mas o frio não intimidou os AlGorists:

Is the Freeze a Result of Global Warming?
Meteorologist Steve Mendenhall at the Valley's Hanford National Weather Service believes that short-term variances are part of normal weather patterns.

Moral da história: períodos anormalmente quentes são sempre sinal de aquecimento global. Periodos anormalmente frios fazem parte dos padrões normais.

31.10.06

O misterioso relatório Stern II

Claro que o relatório Stern foi divulgado de forma a que a mensagem correcta fosse transmitida ao público. Quem o fez contou com a habitual inércia dos jornalistas. Quem o fez sabia que a algumas ideias chave do relatório seriam reproduzidas acriticamente. Tomemos como exemplo a notícia do DN:

1.

As alterações climáticas exigem acção imediata.

Muito bem. A mensagem que se pretendia transmitir numa única frase. Uma empresa de publicidade não conseguiria fazer melhor e a jornalista fez o serviço de borla.
###
2.
Não o fazer terá custos económicos globais idênticos aos das duas guerras mundiais ou aos provocados pela Grande Depressão de 1929,

Vamos a meio da segunda frase e já temos uma comparação entre o aquecimento global e 3 eventos catastróficos do século XX. Bom trabalho. Tenham medo, tenham muito medo.

3.

com perdas que podem atingir 20% do PIB a nível mundial (5,5 biliões de euros), nas próximas décadas.

Muito bem. Podem ... Bem escolhido o valor de 20%. É o valor máximo do intervalo a que o estudo chegou. O valor mínimo é de 5%. Compare-se os impacto da frase "podem atingir 20% do PIB a nível mundial" com o impacto da frase "podem atingir pelo menos 5% do PiB a nível mundial". O alarmismo é muito maior no primeiro caso.

Alguém ficou informado? 20% do PIB mundial do presente ou do futuro? "Nas próximas décadas" é daqui a 10 anos ou daqui a 50?

4.

Evitar a catástrofe de uma recessão, que arrastaria consigo um exército de 200 milhões de refugiados,

Será? O que causa os refugiados, os efeitos directos das alterações climáticas ou os efeitos económicos da recessão? O relatório diz que é por causa dos efeitos directos do clima e não por motivos económicos: "200 million people may become
permanently displaced due to rising sea levels, heavier floods, and more
intense droughts". A jornalista diz que é por causa da recessão.

5.
vai exigir um investimento anual global de 1% do PIB durante os próximos 50 anos.

O valor de 20% de custos é comparável com o valor de 1% de investimento? Tudo indica que não, mas que é que isso interessa? Estes valores estão a ser comparados por tudo quanto é media. A mensagem é clara: evite custos de 20% investindo apenas 1%.

1%? Será que escolheram o máximo do intervalo? É que só o máximo do intervalo é que seria comparável com os 20% de custos. Nope. 1% é um valor intermédio das previsões do investimento. O investimento necessário para estabilizar a concentração de CO2 pode chegar aos 15% do PIB. Os 20% de custos deviam estar a ser comparados com 15% de investimento.

E se for investido 1% do PIB resolve-se o problema do aquecimento global? Evitam-se todos os custos? Pergunta pertinente à qual o arigo do DN não dá resposta. Aliás a maior parte das notícias sobre o relatório Stern não respondem a esta pergunta. Mas a resposta é Não. O 1% de investimento não reduz os custos a zero, logo 1% de investimento e 20% de custos não são valores comparáveis.

6.
A começar já hoje.

A começar hoje? Mas afinal começamos já hoje a pagar 1% mas o custo de 20% só chega daqui a décadas? É bom negócio? Não sabemos porque estão a ser comparados valores que não são comparáveis.

7.
Peça-chave do combate às alterações climáticas é a redução das emissões de gases com efeito de estufa, sobretudo do dióxido de carbono (CO2). Na avaliação de Stern, que confirma todos os anteriores artigos científicos, "as alterações climáticas são já inevitáveis, vamos senti-las nas duas ou três próximas décadas".

Mas o Stern andou a fazer previsões climáticas independentes? Ou fez um estudo económico? Se fez apenas um estudo económico como é que pode confirmar que "as alterações climáticas são já inevitáveis, vamos senti-las nas duas ou três próximas décadas"? Curiosamente muitos órgãos de comunicação social optaram por apresentar como novidade do estudo os impactos do CO2 no clima, mas os impactos no clima não foram o resultado deste estudo mas sim o input do estudo.

8.
O que é possível, garante, e nesse sentido "este é um relatório optimista" é atalhar a severidade das consequências para não se chegar à situação de catástrofe, adverte o especialista.
Fazê-lo vai exigir a estabilização da concentração de CO2 na atmosfera em valores da ordem dos 450 a 550 ppm (partes por milhão) nos próximos 20 anos, para depois se iniciar uma redução de 2 ppm ao ano.

Perá lá, 1% do PIB ao ano para estabilizar o CO2 num valor que é o dobro da concentração pré-industrial? Afinal o 1% do PIB não servirá para evitar os custos totais mas parte dos custos. Alguém viu algum jornal chamar a atenção para esse problema do relatório?

9.

Pelas contas do economista britânico, as metas são altas: para estabilizar a concentração de CO2 no valor que ele propõe, as emissões daquele gás com efeito de estufa terão de estar, em 2050, 25% abaixo dos seus valores actuais. Isso exigirá algo como um corte anual global de 80% nessas emissões.

Perceberam? 80% de quê em relação a quê?

10.
Ironia, coincidência, ou outra coisa qualquer, soube-se ontem também, através de um relatório da ONU, que as emissões de CO2 estão de novo a aumentar no planeta (desde 2000) depois de terem decrescido na década de 90.

É, deve ter sido coincidência.

12.1.08

Cai neve em Bagdade

O Sol noticiou que nevou em Bagdade pela primeira vez. Normalmente, as notícias de tempo quente são consideradas prova de aquecimento global. Claro que a propaganda baseada em incidentes climáticos corre o risco de fazer ricochete. Quando neva em Bagdade o leitor poderá ser levado a pensar que se está perante uma prova de arrefecimento global, ou assim. É por isso que a notícia do Sol é usada para assegurar ao leitor que apesar de tudo o aquecimento global vai continuar. Introduzem-se exemplos de invernos quentes para enquadrar um exemplo de um inverno extremamente frio. O contrário nunca acontece. Nunca são usados exemplos de tempo frio para enquadrar exemplos de tempo quente anómalo.

24.9.06

Cherry Picking

O último furacão a desfazer-se em tempestade tropical chama-se Helene. Estamos quase no fim de Setembro e ainda não chegamos à letra K, de Katrina. Se a época de furacões do ano passado foi tida como prova do Aquecimento Global é justo que a época de furacões deste ano seja tida como prova de Arrefecimento Global. Caso contrário, basta escolher o fenómeno fortuito que mais convém em cada ano para provar o Aquecimento Global.

1.10.05

Esquecimento global

O Timshel descobriu agora que o Presidente Bush considera o aquecimento global um problema importante. Mas essa informação já é conhecida pelo menos desde 2001. É natural que o Timshel esteja mal informado. Os próprios jornalistas que têm como missão informar o público sobre estes assuntos também não saberiam caracterizar a posição de Bush sobre o aquecimento global.