A apresentar mensagens correspondentes à consulta criacionismo ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta criacionismo ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

22.9.06

Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate IV

O que leva os criacionistas a levantar o debate sobre a evolução? A resposta está no argumento do desígnio. Este argumento é muito provavelmente o melhor argumento racional a favor da existência de Deus. Por estranho que parece esses argumentos existem, tal como existe uma tradição intelectual de estudo racional desta e de outras questões metafísicas. E o mais estranho é que essa tradição tem produzido ideias que têm contribuido de forma determinante para a evolução do conhecimento.

###

O argumento do desígnio resulta da observação do mundo natural. De acordo com o argumento, o mundo natural, em particular o mundo biológico, apresenta uma ordenação que não pode ser explicada por mero acaso. Apresenta design. Uma vez que antes do século XIX não era conhecido nenhum mecanismo natural de produção de design, todo o design era atribuído à acção de uma mente inteligente.

A Teoria da Evolução não coloca em causa, por si só, o argumento do desígnio, isto porque, na ausência de outra explicação, o mistério da mudança teria igualmente que ser atribuido a um designer. O que colocou verdadeiramente em causa o argumento do desígnio, e por conseguinte, a existência de Deus, foi a descoberta de um mecanismo alternativo de criação de design que não requer uma mente racional. Aquilo que coloca em causa o argumento do desígnio é a criação de design de forma irracional pela selecção natural.

A selecção natural funciona como ameaça ao criacionismo por duas vias. Em primeiro lugar porque é uma alternativa à criação divina. E em segundo lugar porque abre um novo campo de possibilidades até então desconhecido. Se foi possível descobrir este mecanismo de criação natural de design onde se pensava que nenhum era possível, então podem existir mais. É por esta segunda via que a Teoria da Evolução se transforma em mais do que uma teoria centífica. Transforma-se numa nova forma de encarar o mundo. O evolucionismo passa a ficar associado à corrente que defende não apenas a evolução natural das espécies mas também a origem natural de tudo o que existe no universo. Dizer que não existe evolucionismo enquanto corrente cultural é negar a existência de uma corrente de opinião, onde predominam cientistas, que defende, sem que as provas científicas o justifiquem, que os fenómenos naturais observáveis são tudo o que existe.

Curiosamente, a maior ameaça à teoria da evolução não vem dos criacionistas, mas dos próprios meios centíficos, em especial os mais ligados à educação. Isto porque o modelo científico predominante tende a ser a física e tudo tende a ser ensinado e investigado à imagem da física fundamental. Acontece que a Teoria da Evolução tem características particulares que a distinguem da física. Ao contrário da física, que é uma teoria que estuda os fenómenos de partículas e de ondas, a Teoria da Evolução estuda a acção de agentes.

Os agentes não se comportam como partículas nem podem, com os meios actualmente disponíveis, ser estudados como colecções de partículas. O que aliás é uma vantagem porque é possível usar as leis da acção dos agentes para compreender a evolução. Estas leis, entre as quais o Princípio da Selecção Natural, são leis lógicas e como tal não requerem validação empírica.

Mas como os paradígmas dominantes são a física fundamental e o empirismo, a selecção natural tenderá a não ser reconhecida como lei lógica e será vista como uma lei física. Ao ser vista como lei física, perde o seu papel de ordenador de todo o edifício científico e transforma-se em mais um fenómeno a requerer confirmação. É por isso que, enquanto alguns dos leitores sugeriram protocolos experimentais que visam testar a teoria, outros não reconhecem à selecção o papel único de produção de design colocando-a em pé de igualdade com outros fenómenos que por acaso até não explicam o design como as mutações ou a deriva genética. Tudo isto implica que, pelo menos entre muitas pessoas com cultura científica, o estatuto da selecção natual é tal que não constitui qualquer ameaça ao avanço do criacionismo. Isto porque uma percentagem muito significativa dos que concordam com a teoria da evolução não reconhecem à selecção natural o poder explicativo suficiente para explicar o design que se observa na natureza.

O debate Evolucionismo vs. Criacionismo é acima de tudo cultural. Isso implica que não são importantes apenas as questões puramente científicas, e muito menos apenas as puramente empíricas, mas todas as questões de índole cultural e filosófica ralacionados com o tema. A maior ameaça à cultura científica não vem de fora. Vem dos próprios meios científicos e educacionais que têm contribuido para a pobreza da cultura científica ao não reconhecerem, devido a pressupostos filosóficos errados, o papel único da selecção natural.

15.9.06

O espírito de barricada e o estado da cultura científica

É muito engraçado o espírito de barricada com que certos cientistas reagem à questão do criacionismo. Pressupõem logo que o criacionismo não é um assunto intelecualmente sério, apesar da longa história de debates sérios sobre o assunto. Por um lado, reagem com ataques pessoais do género "aposto que também acreditas na verdade literal da bíblia" ou "deves ser ignorante" ou "deves ser da Universidade de Coimbra" (o espírito de capelinha que por aí vai). Por outro, reagem redefinindo ciência de modo a que a definição inclua apenas a área científica do próprio.

Assim:
###
- ciência é a procura de causas naturais para fenómenos naturais, o que exclui a teoria das cordas e outras similares que cheguem a soluções metafísicas para fenómenos naturais, bem como teorias altamente especulativas que se dedicam ao estudo de universos imaginários (ou seja, estudos que procuram soluções metafísicas para problemas metafísicos);

- a ciência tem que ser falsificável, o que exclui todo o conhecimento sintético a priori e todas as ciências históricas, incluindo a própria teoria da evolução. Mais, história, arqueologia e a paleontologia não são ciências;

- toda a ciência é empírica, o que exclui o uso de argumentos teóricos para interpretar os dados, como por exemplo o uso do princípio da Selecção Natural em biologia para relacionar dados genéticos. Tudo teria que ser obtido experimentalmente incluindo a teoria metafísica usada para conceber as experiências e interpretar os resultados. O uso da razão para interpretar o mundo estaria vedado aos cientistas;

- uma teoria científica tem que fazer previsões verificáveis, o que implica que todas as teorias que defendem que em determinadas áreas do conhecimento não é possível fazer previsões (caos, princípio da incerteza) não são científicas (uma previsão negativa não é verificável).

- a matemática e a geometria não são ciência nem nada que se pareça, mas apenas uma mera linguagem. Isto implica que o próprio princípio da selecção, que na verdade não passa de um teorema matemático, não é ciência mas apenas uma mera linguagem. Ah, e estudos numéricos também não são ciência (eu já suspeitava, tendo em conta as simulações que se fazem a propósito do aquecimento global).

Conclusão: este é o lindo estado em que se encontra a cultura científica, o que também não é grande problema tendo em conta que 99% daquilo que os cientistas fazem afinal não é ciência.

11.7.05

Socialismo e criacionismo, a mesma luta

O argumento do Arcebispo de Viena contra a selecção natural e a favor do criacionismo é o velho argumento do desígnio. Segundo o argumento do desígnio, se um determinado objecto é ordenado então ele só pode ter sido concebido por uma mente inteligente e nunca poderá ter surgido por acaso.

Curiosamente, o argumento do designio também é utilizado pelos socialistas contra a economia de mercado. Os socialistas dizem que, sem a a direcção central de uma mente iluminada, o mercado não funcionaria.

O problema do argumento do desígnio é que a criação por um mente inteligente não é único processo que gera ordem. Adam Smith mostrou que a ordem económica pode ser gerada espontaneamente por causa do egoísmo dos agentes económicos. E Darwin mostrou que a ordem biológica pode emergir espontaneamente por um processo de selecção natural, o que até pode ser observado em tempo real em simulações de computador.

A teoria da Mão Invisível de Adam Smith e a selecção natural de Darwin são basicamente a mesma ideia. Darwin não inventou a sua teoria a partir do vácuo. Teve as suas influências.

PS - Ao contrário do que o Arcebispo de Viena sugere, a selecção natural não é aleatória.

21.3.07

A génese do criacionismo

Um vídeo e um texto imperdíveis, no De Rerum Natura.

4.10.07

20.3.07

Pseudociências que ainda passam por ciência

Achei este post de Vital Moreira muito interessante:

Ciências ocultas A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa vai promover um colóquio com o título "Darwinismo versus Criacionismo - Onde começa e onde acaba uma teoria científica"! Aposto que o próximo colóquio da científica instituição será subordinado ao tema "Freud e a astróloga Maya - Quem tem razão?", com a presença do segunda...


Principalmente se tivermos em conta críticas à psicanálise como as que constam do Skeptic's Dictionary:

###

Sigmund Freud (1856-1939) is considered the father of psychoanalysis, which may be the granddaddy of all pseudoscientific psychotherapies, second only to Scientology as the champion purveyor of false and misleading claims about the mind, mental health, and mental illness. For example, in psychoanalysis schizophrenia and depression are not brain disorders, but narcissistic disorders. Autism and other brain disorders are not brain problems but mothering problems. These illnesses do not require pharmacological or behavioral treatment. They require only "talk" therapy. Similar positions are taken for anorexia nervosa and Tourette's syndrome. (Hines 1990: 136) What is the scientific evidence for the psychoanalytic view of these mental illnesses and their proper treatment? There is none.

[...]

In many ways, psychoanalytic therapy is based on a search for what probably does not exist (repressed childhood memories), an assumption that is probably false (that childhood experiences cause the patient's problems) and a therapeutic theory that has nearly no probability of being correct (that bringing repressed memories to consciousness is essential to the cure). Of course, this is just the foundation of an elaborate set of scientific-sounding concepts which pretend to explain the deep mysteries of consciousness and behavior. But if the foundation is illusory, what possibly could be the future of this illusion?


Vale a pena ler o resto.

27.10.06

O Blasfémias Feito Pelos Seus Comentadores

«Manual do Contra-guerrilheiro Blasfemo» (por Anónimo)

Um guia de interpretacção, estudo, orientação e inspiração para acções de contra-guerrilha do Blasfémias, organizado em 16 temas e 200 tópicos. ###
Agenda liberal
1Subsídio de desemprego
2.Corporações
3.Subsidios à Cultura, Rivoluções
4.Apoios estatais à Autoeuropa
5.Apoios estatais ao IKEA
6.Equidade fiscal na Banca
7.OTA
8.TGV
9.Scut's
10.Greves
11.Sindicatos
12.Manifestações
13.Ordens profissionais
14.Entidades reguladoras
15.Autoridade para a Concorrência
16.Barreiras à entrada de produtos chineses
17.Segurança Social pública
18.Ensino Público
19.Portugal Telecom
20.Trabalho escravo na China
21.PAC
22.Funcionários públicos
23.Professores
24.Monopólio da SCML
25.Impostos
26.Impostos sobre Impostos
27.Eficiência na cobrança fiscal
28.Listas de devedores
29.Cartão único
30.Alta Autoridade para a Comunicação Social
31.Companhias aéreas não Low-cost
32.TAP
33.Consórcio Airbus
34.Projecto GPS europeu Galileo
35.Quaero - Google europeu
36.Choque tecnológico
37.Defesa dos centros de decisão nacionais
38.Salário Mínimo
39.Leis laborais
40.Pico e preço do Petróleo
41.Financiamento público da Ciência
42.CGD e banca pública
43.Modelo social europeu
44.Modelo social português

Agenda ideológica
1.Bloco de Esquerda
2.Populismo
3.Rua árabe
4.Agenda LGBT
5.Pacifismo e outros ismos
6.Importância do 25 de Abril vs 25 Novembro
7.Loose Change e teorias sofocletianas
8.Constituição Portuguesa
9.Constituição Europeia
10.Uniões de facto (Gay+Hetero)
11.Adopção Gay
12.1º de Maio, dia do trabalhador
13.Monarquias
14.Relatórios da Amnistia Internacional
15.Pacifistas
16.Abaixo-assinados e petições
17.ONU
18.Quotas para mulheres
19.Partido liberal
20.ONG's
21.Anti-"fássista"
22.Resistentes palestinianos
23.Resistentes iraquianos

Faça Sol ou Chuva
1.Ambientalistas - Quercus, os Verdes & companhia
2.Aquecimento global antropogénico
3.Central Nuclear
4.Eólicas e energias alternativas
5.Protocolo de Quioto
6.Floresta portuguesa
7.Parque Natural de Foz Coa
8.Painéis Solares Obrigatórios
9.Consensos cientificos
10.Instituto de Meteorologia e os seus alertas

Lisboa a arder
1.Centralismo
2.Lisboa

Pregado na cruz
1.Igreja, Papa e cristãos (facção caasiana)
2.Criacionismo vs Evolucionismo
3.Opus Dei (facção caasiana)

Cromos estrangeiros
1.Lula
2.Al Gore
3.Zapatero
4.Xanana Gusmão
5.Bono/Make Poverty History/Red/One Campaign
6.Chirac
7.Putim
8.John Kerry
9.Clinton

Demónios estrangeiros
1.Ahmadinejad
2.Arafat
3.Morales
4.Chavez
5.Fidel
6.Sadam Hussein
7.Michael Moore
8.Kim Jong-il
9.Bin Laden

Cromos nacionais
1.Socrates, o pinoquio
2.D.Sebastião e outros messias
3.Jorge Sampaio
4.António Guterres
5.Manuel Maria Carrilho
6.Freitas do Amaral
7.Rui Rio
8.Santana Lopes
9.Manuel Alegre
10.Mário Soares
11.Paulo Querido
12.Monteiro de Barros
13.Luis Nazaré
14.Odete Santos
15.Pedro Namora
16.Marques Mendes
17.Rui Curado Silva

Demónios nacionais
1.Boaventura de Sousa Santos
2.Fernando Rosas
3.Joana Amaral Dias
4.Ana Drago
5.Saramago
6.Daniel Oliveira
7.Francisco Louçã
8.Ana Gomes
9.Vital Moreira
10.Alberto João jardim

Frente fria no Atlantico
1.Europa e comunidade europeia
2.França

Eixo do mal
1.Coreia do Norte
2.Irão
3.Angola
4.Rússia
5.Hamas e Palestina
6.Hezbollah

Tem dias
1.A revista Atlântico
2.JPP e o Abrupto
3.Maradona

Sazonal
1.Inquéritos sobre os voos da CIA
2.Falcon da FA ao serviço do Estado (e igreja)
3.Parques pagos a cada 15 minutos
4.Proibição de fumar em bares e restaurantes
5.Marcha do Emprego
6.Simplex
7.Via-directa CTT
8.Inspecções a restaurantes chineses
9.Berardo
10.Patrocinios Euromilhões ao Lisboa-Dakar
11.Estatísticas do Weblog.com.pt
12.Ministro da Cultura e o Tunel de Ceuta
13.Boys - Nomeações de F.Gomes, A.Vara, etc
14.Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados
15.Plano nacional de leitura
16.Turismo interno como desígnio nacional
17.Casa da Música
18.Afastamento V.Loureiro e Isaltino Morais Listas PSD
19.GNR em Timor
20.Ausência de Salazar nos melhores de Portugal
21.Jorge Sampaio e as Condecorações
22.Vitor Constâncio e o cálculo do défice
23.Negação do Arrastão
24.Lobby político a favor do piloto português
25.Lobby político a favor do charro no Dubai
26.Acusações de plágio ao MST
27.Acusações anónimas na Blogosfera
28.Cartas registadas da PSP
29.Cartas registadas da DGCI
30.Novo arrendamento urbano
31.ANF e má liberalização das farmácias e do medicamento
32.Fátima Felgueiras
33.Avelino Ferreira Torres
34.Vários Processos do Ministério público
35.Anonimato na Blogosfera
36.Acampamento de Jovens do Bloco de Esquerda
37.Censura das caricaturas do profeta Maomé

Consensos
1.Aborto
2.Bush e os Neocons
3.Cavaco Silva

Pintismo dourado
1.Luis Filipe Vieira
2.Taça de Portugal no Estádio nacional
3.SCP (excepção da facção sulista)
4.SLB
5.Fifa e Federação PF
6.Scolari
7.Ricardo
8.Bandeiras de Portugal

O fim dos Media
1.Jornalismo em geral
2.Jornalismo tabloide
3.Expresso, saco e DVD's
4.SOL, saco e ausência de DVD
5.Diário de Notícias e o JMF
6.Jornal Bola
7.Jornal Record
8.Fátima Campos Ferreira
9.RTP e televisão pública
10.Peres Metelo
11.TSF - Rádio Bagdad - jornalismo de causas
12.Agências de propaganda governamentais
13.Mediatismo sobre a Gripe das aves
14.Mediatismo sobre os incêndios

--- FIM ----

25.9.06

Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate VI

Partindo do princípio que existe uma definição de "adaptado" que é diferente de "aquele que tem sucesso reprodutivo" como explicar o comportamento altruista dos pais em relação às suas crias? Como explicar a vida extremamente curta de algumas espécies? Será a morte uma adaptação?

Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate V

Sobre a questão das tautologias na teoria da evolução leiam o que Ludwig Krippahl escreve em Evolução, Tautologia, e Teorias Testáveis.

21.9.06

Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate III

Francisco Burnay diz neste comentário o seguinte:


No entanto, queria esclarecer um ponto sobre a Teoria da Evolução. A teoria apresenta 3 teses, que na terminologia moderna são:

1) Existe variação fenotípica, alguma da qual tem uma base genética;
2) Existe sucesso diferencial na luta pela sobrevivência;
3) Os indivíduos mais bem adaptados tendem a ter maior sucesso reprodutor.

###
Francisco Burnay diz ainda que o conceito de "adaptado" (referindo-se ao ambiente, presumo) não é equivalente ao conceito de "sobrevivente" (entendido como "aquele cujos genes sobrevivem) e que por isso o ponto 3 não é uma tautologia e pode ser empiricamente testável.

Sendo assim, poderiamos fazer uma experiência com uma população qualquer. Para se fazer a experiência teria que ser possível quantificar a priori a adaptação de cada indivíduo da população ao ambiente. Esta avaliação é necessariamente subjectiva dado que a definição de "adaptado" tem que ser independente da noção de "sobrevivente". Vamos ainda supor que a experiência mostra que os indivíduos mais pontuados não são os que têm maior sucesso reprodutor. Há duas conclusões que se podem tirar:

1. A teoria está errada;

2. Os critérios de adaptação foram mal escolhidos e não representam correctamente a adaptação.

Claro que não é possível distinguir 1 de 2. A tentação será a de afinar o critério de adaptação. Mas a melhor maneira de o fazer será a de tentar descobrir o que falta ao critério de adaptação para que ele contenha todos os elementos que garantem a sobrevivência (dos genes). Qualquer outra solução afastará ainda mais os resultados experiementais dos previstos mantendo a dúvida sobre se estão a ser escolhidos os critérios de adaptação correctos. Mas se se optar por juntar aos critérios de adaptação os elementos que faltam para garantir a sobrevivência (dos genes), o que se está a fazer é mudar o critério de adaptação até que ele convirja para o critério de sobrevivência. Segue-se que a teoria só é válida se o critério de adaptação for equivalente ao critério de sobrevivência.

Outra forma de ver oproblema será considerando uma população com dois tipos de indivíduos, os ADAPTADOS e os SOBREVIVENTES. Os ADAPTADOS têm as características que maximizam a adaptação equanto que os SOBREVIVENTES têm todas as características que maximizam o sucesso reprodutivo. Se as características dos ADAPTADOS não forem exactamente iguais às dos SOBREVIVENTES, a selecção natural favorecerá os SOBREVIVENTES em relação aos ADAPTADOS. Segue-se que as características dos ADAPTADOS têm que ser iguais à dos SOBREVIVENTES para que a tese 3) citada pelo Francisco Burnay seja verdadeira. O que implica que a definição de "adaptado" tem que ser equivalente a "sobrevivente".

20.9.06

Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate II

A importância da filosofia

A Science de há 2 semanas tem dois artigos que reportam trabalhos em que não foi realizada nenhuma experiência ou medição. Isto devia fazer tocar as campaínhas de alarme de alguns dos nossos leitores que pelos vistos são empiristas puros. Afinal há quem faça longas carreiras em investigação científica sem nunca lidar com dados experimentais. Como é que isso é possível?

###

É possível porque, enquanto a investigação científica puramente empírica é impossível, a investigação científica puramente racionalista é possível. A ciência tal qual se faz é uma síntese de uma abordagem empírica com uma abordagem racionalista.

Não é possível conhecer o mundo exclusivamente com base em experiências porque as experiências por si só não dizem nada. É necessário um intelecto que dê sentido aos dados e que os relacione entre si.

Por outro lado, é possível saber mais sobre o mundo sem fazer experiências seguindo uma abordagem racionalista pura. Esta abordagem não permite determinar exactamente como o mundo é, mas permite determinar quais são os mundos possíveis. Saber que um determinado mundo é impossível contribui para aumentar o nosso conhecimento sobre o mundo que existe.

Esta distinção entre a abordagem empírica e a abordagem racionalista é importante para se compreender o estatudo da Teoria da Evolução. É impossível compreender a teoria da evolução sem primeiro se tentar perceber o que é que na teoria resulta de uma abordagem racionalista e o que é que na teoria resulta de uma abordagem empírica.

Acontece que a chave da Teoria da Evolução, o Princípio da Selecção Natural, é uma construção racionalista. É conhecimento que pode ser obtido sem uma única experiência e sem nenhum dado empírico. É para além disso conhecimento certo, válido em todos os mundos possíveis e não falsificável.

No caso da Teoria da Evolução o empirismo não serve para provar que o Princípio da Selecção Natural porque isso nós já sabemos a priori que é verdade. Servirá apenas para verificar se ocorreu evolução e se o Princípio da Selecção Natural é a melhor explicação para essa evolução. Não são necessárias experiências para provar que o Princípio da Selecção Natura está activo na natureza, embora possam ser necessárias experiências para provar que ele é um factor relevante.

Evolucionismo vs. Criacionismo: o estado do debate I

O meu primeiro post sobre este tema chamava a atenção para três erros que os evolucionistas não devem cometer neste debate. Eram eles o insulto fácil, o desprezo pelas ideias dos criacionistas e o desprezo pela filosofia. A estes erros foram-se juntando outros, sendo neste momento o principal o espírito de barricada. Espírito esse que está mais que demonstradado pelas reacções totalmente irracionais aos meus posts. Desde reacções do tipo "deves ser um criacionistas", passando pelo "devias ter tido ciências no 12º" até umas misteriosas referências à economia. Discutir as questões levantadas nos posts de boa fé é que parece que dá muito trabalho a um número significativo de leitores. Como sempre há excepções ...

O espírito de barricada caracteriza-se por:
###
1. construir um homem de palha, o criacionista do Bible Belt serve perfeitamente, e ignorar todos os criaionismos mais sérios que esse;

2. negar qualquer papel à metafísica em ciência;

3. dizer que o que se quer discutir é ciência e que o resto não interessa;

4. não fazer o mínimo esforço para perceber os argumentos contrários, o que será difícil por quem defende explicitamente que a discussão não deve sair do terreno científico;

5. defender uma determinada epistemologia como se essa fosse a única, a evidente ou mesmo a que predominantemente se pratica em ciência ao mesmo tempo que se defende que a filosofia não é relevante para o ensino da ciência.

6. Não reconhecer que determinadas críticas dos criacionistas são no mínimo pertinentes (os criacionistas alegam que a ciência tem pressupostos metafísicos, o que é verdade, e alegam que a teoria evolucionistas tem componentes não falsificáveis, o que também é verdade).

7. Não reconhecer que determinados adeptos da teoria da evolução só o são porque aderiram ao dualismo científico: reconhecem que o mundo biológico é uma ordem espontânea, mas não reconhecem outras ordens espontâneas como a mente humana, as línguas naturais ou determinadas instituições sociais (dinheiro, mercados, sistemas legais). Um dos leitores chega mesmo a defender que os seres humanos não estão sujeitos a leis que não as que eles próprios inventam.

19.9.06

CRIACIONISMO vs. CIÊNCIA

Por vezes, para nos conseguirmos situar é útil reduzir as grandes controvérsias a interrogações simples. Claro que muita reflexão é indispensável para quem queira definir-se com segurança. Mas importa que exista uma auto-contextualização nas raízes mais básicas do problema ainda que algumas motivações sejam prioritariamente instintivas ou reflexivas. O que não significa que sejam incompatíveis com a razão.

Assim, proponho o seguinte exercício - vamos supor que no nosso país era possível aos cidadãos escolherem o tipo de investigação policial das suas cidades. Todos nós seríamos chamados a optar entre dois tipos distintos de métodos, condutas, lógicas e procedimentos.
Nesse quadro, quais destes dois modelos de investigação criminal prefeririam? : ###





ou


18.9.06

Barricadas

Dizer que o "criacionismo não é cientificamente sério" é secar a discussão levando-a para o nosso lado da barricada e tornando dessa forma impossível a discussão das questões verdadeiramente interessantes.

16.9.06

O estado do ensino das ciências

O temor de alguns em relação ao criacionismo talvez tenha alguma coisa a ver com isto:

  • Física na Universidade de Coimbra: 20 vagas, 6 colocados, 14 vagas por preencher, média de 13.05
  • Química na Universidade de Coimbra: 50 vagas, 18 colocados, 32 vagas por preencher, média de 12.23
  • Matemática na Universidade de Coimbra: 25 vagas, 16 colocados, 9 vagas por preencher, média de 11.45
###
  • Física na FC da Uni. Porto: 40 vagas, 38 colocados, 2 vagas por preencher, média de 10.85
  • Química na FC da Uni. Porto: média 10.50
  • Matemática na FC da Uni. Porto: 50 vagas, 16 colocados, 34 vagas por preencher, média de 10.7
  • Química no IST: 10 vagas, 6 colocados, média 12.98
  • Física na Fac. Ciências Lisboa: 45 vagas, 14 colocados, 31 vagas por preencher. média 12.2.
  • Matemática na Fac. Ciências Lisboa: 50 vagas, 12 colocados, 38 vagas por preencher média 11.15.


Claro que o declínio do ensino das ciências que estes dados reflectem torna a cultura científica incapaz de responder de forma eficaz a qualquer objecção que se lhe faça.

14.9.06

Finalmente um debate de jeito?

O debate criacionismo/evolucionismo está a chegar a Portugal e eu espero que tenha vindo para ficar. Curiosamente, muitos adeptos do evolucionismo parecem muito desagradados com o debate. Não se percebe. Se estão tão convictos que têm razão, deviam estar contentissimos com a coça que vão dar aos criacionistas.

No entanto, os evolucionistas, se querem mesmo ganhar o debate, devem evitar os 3 erros cometidos hoje por Paulo Gama Mota em artigo publicado no Jornal Público (ver transcrição no Destreza das Dúvidas), a saber:
###
1. Não se deve chamar ignorante as adversário por muito que ele pareça ignorante:

O jurista Jónatas Machado discorreu sobre o assunto, no PÚBLICO, há dias (08/09/2006), para atacar os que designa por "evolucionistas", exibindo uma prosápia só equiparável à sua evidente ignorância científica.

Jónatas Machado pode ser tudo, excepto ignorante.

2. Deve-se perceber o que o adversário diz antes de lhe responder. No caso, Paulo Gama Mota mostra que não percebeu que Jónatas Machado defende que as ciências histórica requerem uma teoria metafísica sobre o tempo, teoria metafísica essa que não pode ser falsificada pelo método científico. Respondendo a Jónatas Machado, Paulo Gama Mota diz:
Mesmo que não possamos viajar no tempo para ver como era o Universo nos primeiros três minutos, conseguimos recriar situações similares nos grandes aceleradores de partículas, que nos permitem testar as nossas hipóteses e modelos. Uma questão central a este assunto é o da forma como se faz prova em ciência, algo que J.M. evidencia não compreender de todo.

O problema é: como é que Paulo Gama Mota prova que o tempo existe?

3. É um erros pensar que se pode ensinar ciência sem ensinar filosofia, e isso é particularmente verdadeiro no caso da teoria da evolução:
E isto porque as minhas aulas de evolução não são sobre filosofia, ou ética ou moral, mas sobre ciência.

Como é que Paulo Gama Mota explica a teoria da evolução aos seus alunos sem lhes explicar primeiro determinados pressupostos metafísicos, como por exemplo a existência de uma realidade independente do observador, a existência de espaço e a existência de um tempo que se prolonga até a um passado remoto. Ou como é que se pode ficar pelas questões técnicas do evolucionismo sem a partir delas analisar as suas consequências filosóficas?

8.9.06

Debates

Vasco Pulido Valente, no Público (sem link) escreve sobre o intelligent design e as esperadas estratégias de Bento XVI.
Jónatas Machado, também no Público, ataca a teoria da evolução e defende o criacionismo embora em roupagem soft e intelligent.

5.12.05

A Science da semana passada traz uma pequena notícia sobre um estudo sobre o ensino simultâneo do Inteligent Design e da Teoria da Evolução. Ao que parece, o ensino simultâneo das duas teorias favorece a crença ... na Teoria da Evolução. Os editores da Science consideram que esta é uma boa notícia. Note-se, no entanto, que o que foi avaliado pelo estudo foi o efeito do ensino simultâneo nas crenças e não nos conhecimentos dos alunos. Dado que a Ciência ainda não é uma religião e a Science ainda não é uma revista de propaganda religiosa percebe-se mal o contentamento dos responsáveis editoriais pela Science. O que os devia preocupar devia ser o efeito que o ensino simultâneo tem na aquisição de conhecimentos científicos sólidos e não na aquisição de crenças. Note-se que, um estudante pode adquirir uma crença na evolução sem perceber nem os argumentos a favor da evolução nem o mecanismo de selecção natural. E vice-versa. Eu não sei se o estudo citado na Science está correcto, mas posso testemunhar que o estudo simultâneo do Criacionismo e da Teoria da Evolução permite, entre muitas outras coisas, que se perceba claramente a diferença entre crença e conhecimento científico. Se calhar foi isso que faltou aos editores da Science.

9.7.05

Neo-darwinismo vs. neo-criacionismo

CHRISTOPH SCHÖNBORN, Arcebispo de Viena:

Ever since 1996, when Pope John Paul II said that evolution (a term he did not define) was "more than just a hypothesis," defenders of neo-Darwinian dogma have often invoked the supposed acceptance - or at least acquiescence - of the Roman Catholic Church when they defend their theory as somehow compatible with Christian faith.
But this is not true
. The Catholic Church, while leaving to science many details about the history of life on earth, proclaims that by the light of reason the human intellect can readily and clearly discern purpose and design in the natural world, including the world of living things.
Evolution in the sense of common ancestry might be true, but evolution in the neo-Darwinian sense - an unguided, unplanned process of random variation and natural selection - is not. Any system of thought that denies or seeks to explain away the overwhelming evidence for design in biology is ideology, not science. (aqui)

«Opponents of Darwinian evolution said they were gratified by Cardinal Schönborn's essay. But scientists and science teachers reacted with confusion, dismay and even anger. Some said they feared the cardinal's sentiments would cause religious scientists to question their faiths.» (aqui).