
Gerard Shroeder tem boas condições para se manter como chanceler se conseguir forçar a aliança com o FDP, ainda que apenas a nível parlamentar, pois que estes terão o interesse em retirar dividendos do excelente resultado alcançado e não estarão particularmente interessados em correr riscos desnecessários, em novas eleições .
Após 7 anos de governo a votação do SPD foi lisonjeira, uma vez que as sondagens o davam como totalmente derrotado, tendo perdido marginalmente apoio junto do seu eleitorado mais conservador, o qual se refugiou na aliança dos seus dissidentes com os ex-comunistas do Leste.
O cenário político dentor do qual a Alemanha necessita rapidamente de obter uma plataforma de governo será também, a curto e médio prazo, favorável ao SPD, uma vez que a hipótese de grande coligação parece excluída, se se mantiver na liderança da CDU Angela Merkel (a qual não teria condições políticas de ser a nº2 de tal governo). Shroeder, ao colocar-se na primeira fila para o lugar de chanceler (numa jogada política brilhante), como que «despediu» Angela Merkel. A acontecer uma grande coligação, com novo líder da CDU/CSU (Stroiber?), certamente será um governo de transição, até eleições mais clarificadoras, em que, mais uma vez, e a não cometer muitos erros, o SPD poderia, com o apoio dos verdes, alcançar uma nova maioria.
A situação difícil em que se encontra o estado social e a economia alemã provavelmente exigiriam medidas radicais, do género das defendidas por Angela Merkel, mas os eleitores assim o não quiseram. Mas também é fácil de prever que Shroeder terá de acelerar e aprofundar fortemente as, até agora tímidas e quase cirúrgicas, mudanças, por força da grave letargia em que se encontra a principal economia europeia.