9.5.06

Sintoma de problemas mais graves

Manuel Pinho faz ultimato a Monteiro de Barros por causa da refinaria de Sines

O estado a que chegaram estas negociações são o resultado de vários erros dos protagonistas e de algumas anomalias do sistema político-económico português:

1. Portugal cobra impostos demasiado elevados pelo sempre que uma grande empresa quer investir no país tem direito a negociação directa de privilégios que não estão ao alcance das pequenas e médias empresas portuguesas. Monteiro de Barros, sendo um empresário que se move bem nos meios políticos, limita-se a aproveitar as oportunidades que o sistema lhe dá;
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2. O Ministro da Economia e o Primeiro Ministro falaram demais fragilizando a posição negocial do governo. Prometeram um investimento que ainda não estava acordado ficando apenas com uma de duas alternativas: ou aceitavam um acordo desfavorável para o estado, ou voltavam atrás no que foi anunciado perdendo credibilidade. Torna-se cada vez mais dificil ao governo ser levado a sério de cada vez que anuncia mais um grande investimento.

3. O governo continua mais preocupado em defender as empresas portuguesas da concorrência do que em atrair investimento estrangeiro. Quando se percebeu que a nova refinaria faria demasiada concorrência à Galp o entusiasmo do governo arrefeceu.

4. Os governos anteriores tinham atribuído licenças de emissão de CO2 de borla, o que contraria o espírito da bolsa de emissões. Estas borlas constituiram um verdadeiro subsídio à emissão de CO2 e em nada contribuiram para a sua redução. Como as licenças a que Portugal tem direito são limitadas, não existem licenças disponíveis para novos empreendimentos. Há apenas duas soluções possíveis, ou os novos empreendimentos são discriminados em relação aos antigos tendo que pagar as licenças, ou o estado paga ele próprio as licenças.