Desconcerto na bancada do PS sobre contornos da lei do aborto
Mas a campanha acabou e ontem era visível, entre os deputados, o desconcerto sobre como se vai fazer, na lei, a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG).
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14.2.07
Mas então a pergunta não era clara?
7.2.07
6.2.07
A fraude política
Daniel Oliveira chama fraude política à proposta do NÃO de despenalizar o aborto. Até pode ser. Mas a questão é que a proposta do NÃO teve o mérito de desmarcarar outra fraude política, desta vez do SIM, quando o SIM pretendeu passar a mensagem de que o que está em causa é apenas a prisão das mulheres. Se fosse acolheriam a proposta do NÃO de braços abertos.
O pecado original da campanha do SIM é que criou incerteza e desconfiança entre os indecisos moderados pouco interessados em votar no aborto a pedido, no aborto no SNS ou no desconhecido. Os eleitores moderados querem ser convencidos, não gostam de meias verdades e detestam incertezas. É por isso que é um erro culpar a campanha eleitoral pela confusão dos eleitores. Os eleitores não ficaram confusos, ficaram melhor informados sobre a existência de zonas de sombra associadas ao SIM. Ficaram a conhecer os limites do seu próprio desconhecimento e isso é sempre positivo.
O pecado original da campanha do SIM é que criou incerteza e desconfiança entre os indecisos moderados pouco interessados em votar no aborto a pedido, no aborto no SNS ou no desconhecido. Os eleitores moderados querem ser convencidos, não gostam de meias verdades e detestam incertezas. É por isso que é um erro culpar a campanha eleitoral pela confusão dos eleitores. Os eleitores não ficaram confusos, ficaram melhor informados sobre a existência de zonas de sombra associadas ao SIM. Ficaram a conhecer os limites do seu próprio desconhecimento e isso é sempre positivo.
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Consequências políticas da resposta
| NÃO | SIM | |
| Penalização no papel. | Manter-se-á a lei actual. O líder da maioria parlmantar já recusou qualquer alteração à lei em caso de vitória do NÃO. | Deixará de ser penalizado até às dez semanas. Provavelmente, e a ter em conta as posições que já vieram a público de vários dirigentes socialistas, a pena entre as 10 e as 16 semanas será reduzida. |
| Mulheres em julgamento | Na ordem de um caso por cada 20 mil abortos | Só em casos de aborto após as 10 semanas. |
| Mulheres condenadas | Algumas condenações a pena suspensa | Provavelmente nenhuma |
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| NÃO | SIM | |
| Mulheres presas | Tendencialmente nenhuma | Nenhuma até às 16 semanas. Provavelmente nenhuma após as 16 semanas. |
| Pessoal médico a julgamento | Na ordem de um caso por cada 20 mil abortos | Provavelmente o aborto ilegal deixará de ser rentável. |
| Aborto a pedido no SNS | Nenhum. | De acordo com as declarações do ministro da Saúde, o Serviço Nacional de Saúde passará a realizar abortos a pedido da mulher, desde que estes se realizem até às 10 semanas. |
| Clínicas privadas | Só os casos previstos na lei actual. | De acordo com as estatísticas mais citadas, as clínicas privadas terão um mercado potencial de 20 mil abortos por ano. |
| Comissões de ética | Os casos permitidos na lei continuarão sujeitos à burocracia habitual. | Até às 10 semanas todos os abortos serão facilitados, incluindo os que hoje têm que ultrapassar obstáculos burocráticos. |
| Apoio à mulher, educação sexual, combate ao aborto | Wishful thinking | Wishful thinking |
| Número total de abortos | Seguirá a tendência actual | A curto prazo, a redução dos obstáculos ao aborto poderá gerar um desvio para cima da tendência actual. O efeito de redução de abortos da legalização é wishful thinking. A longo prazo o efeito é imprevisível. |
| Problemas para a saúde da mulher | Continuação da situação actual. Cerca de 20 mil abortos clandestinos deverão causar dezenas ou centenas de casos de problemas de saúde evitáveis. | Redução do número de casos. |
| Efeitos políticos | O aborto continuará a ser uma arma da esquerda. | Vitória da esquerda, em especial da extrema esquerda. A "vida" passará a ser uma arma da direita. Grupos religiosos vão participar mais na política. |
| Efeito demográfico | Seguirá a tendência actual | A curto prazo, pouco relevante. A longo prazo, imprevisível. Possíveis alterações da demografia política. |
| Efeitos culturais | Mantém-se a situação actual. | Vitoria cultural da esquerda e da extrema esquerda. Oficialização de teses relativistas, o que poderá gerar um movimento de adesão, de rejeição ou ambos. Aumento da polarização da sociedade à volta de pontos de vista opostos. |
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5.2.07
Leitura recomendada
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Interpretação literal da pergunta
Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
Concorda com a despenalização: É o mesmo que "concorda que não haja pena". É diferente de "concorda que não seja crime" e diferente de "concorda que se torne significativamente mais livre". Esta é a primeira componente "cheque em branco" da pergunta. O governo e a AR ficam vinculados na questão da despenalização, mas caso vença o SIM ficam livres para fazerem o que quiserem na questão da liberalização.
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interrupção voluntária da gravidez: É o mesmo que "aborto voluntário" ou "aborto com a concordância e a iniciativa da grávida". É diferente de "aborto forçado" ou "aborto espontâneo" ou "aborto em que a grávida enfrenta grandes obstáculos burocráticos para abortar". Esta é uma cláusula restritiva. Despenaliza mas apenas se for com a concordância e a iniciativa da grávida. Se esta parte da pergunta fosse levada a sério o governo não poderia impôr o aconselhamento obrigatório. Tais procedimentos implicam que o estado tem direito a uma oportunidade para limitar a iniciativa da grávida. Esta formulação é também uma forma de criar um nome politicamente correcto para o aborto. É ainda estranho que se procure despenalizar uma coisa que a lei não penaliza.
se realizada: Por quem? Não nos é dito. O que implica que todos os agentes envolvidos são abrangidos pela pergunta, incluindo o pessoal médico. A prática organizada de serviços de aborto deixa de ser penalizada. O que não quer dizer que não fique sujeita, como todas as actividades económicas, a regulamentação restritiva.
por opção da mulher: Isto é redundante. Já tinha sido dito que é "voluntária".
nas primeiras 10 semanas: Um bocado ambíguo. Nas primeiras 10 semanas a contar de quando? Pelo sim pelo não, o melhor é contar com uma margem de erro de 2 a 4 semanas para cima. Esta é uma cláusula restritiva. Despenaliza, mas só até às 10 semanas.
em estabelecimento de saúde legalmente autorizado Significa que só os estabelecimentos que recebam uma posterior autorização é que serão abrangidos pela despenalização. Esta é uma cláusula restritiva. Despenaliza, mas só em determinados estabelecimentos a autorizar. Esta é também uma componente "cheque em branco da pergunta". Uma eventual resposta SIM não obriga o governo e a AR a autorizar estabelecimentos mas também não o proibe. O governo e a AR farão o que quiserem.
Liberalizar
A orwelização das palavras chegou em força à campanha do aborto. "Liberalizar", que dantes significava "tornar mais livre", agora quer dizer "transformar num salve-se quem puder" de modo que "tornar significativamente mais livre" passou a designar-se por "despenalizar". Espero que o Engº Sócrates aproveite esta viragem semântica para "despenalizar" completamente o negócio das farmácias ou mesmo para "despenalizar" os despedimentos.
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Agora é que eu estou confuso
Então os gajos do NÃO fizeram uma proposta de despenalização e os gajos do SIM recusaram? Mas entao o que está em causa neste referendo não é apenas a despenalização? Um eleitor menos informado ainda fica a pensar que o que está verdadeiramente em causa outra coisa qualquer, tipo a proliferação de clínicas de aborto ou mesmo o aborto no SNS.
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1.2.07
31.1.07
Revolução Bolivariana em Marcha
Enquanto aguarda pela alteração da Constituição que lhe permitirá continuar a ser reeleito, Hugo Chavez fez hoje aprovar uma Lei Habilitante, a mãe-de-todas-as-leis (literalmente), que lhe dá poderes excepcionais para legislar por Decreto durante os próximos 18 meses, de modo a assegurar a «revolução» que se propôs levar a cabo (aqui, aqui, aqui e aqui). Dada a solenidade do momento histórico para a República Bolivariana da Venezuela, a Asamblea Nacional saiu do parlamento para votar a lei ao ar livre, na Plaza Bolívar, onde impôs, por unanimidade, «la dictadura de una democracia verdadera», nas palavras do vice-presidente Jorge Rodríguez.
Dúvidas
O artigo 142.º, n.º 2 do Código Penal atribui a dois médicos médicos diferentes a competência para decidir se se verificam, ou não, os pressupostos de não punibilidade do crime de aborto:
«A verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez é certificada em atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada.»A prática, porém, parece ser outra, suscitando-se, nomeadamente, a intervenção de Comissões de Ética Hospitalar para se verificar se se está ou não em presença de alguma das situações previstas no n.º 1 do mesmo artigo. Dada a dificuldade em encontrar informação clara e actualizada sobre o os procedimentos burocráticos vigentes para a realização de um aborto no SNS, convido os leitores que disponham dessa informação (através da caixa de comentários ou do endereço de correio electrónico disponível ali à direita) a partilharem-na com os demais leitores, já que a mesma ajudará certamente a compreender muitas da questões que estão em debate.
Para já o importante é conseguir o voto
PS guarda segredo sobre regulamentação da lei
"Não está em causa a regulamentação. A seu tempo será feita", afirmou [António Costa], sublinhando que, para já, o prioritário é conseguir a despenalização da IVG até às dez semanas de gravidez.
Votem que depois eles explicam em que é que votaram.
(Via Insurgente)
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